Mistura amplia controle de Cnaphalocrocis medinalis

Estudo aponta sinergismo entre spinosad e indoxacarb e descreve resposta gênica em duas fases

10.06.2026 | 11:06 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
Foto: Masatoshi Sone - CC BY-SA 40
Foto: Masatoshi Sone - CC BY-SA 40

A mistura de spinosad e indoxacarb apresentou ação sinérgica contra neonatas de Cnaphalocrocis medinalis. O resultado surgiu em bioensaios com combinações binárias de inseticidas. A análise transcriptômica indicou um mecanismo em duas fases. Primeiro, a mistura afetou sistemas de detoxificação. Depois, ativou vias ligadas a autofagia, lisossomos, metabolismo lipídico e danos no intestino médio.

As larvas do inseto enrolam folhas de arroz e consomem tecido do mesófilo. Esse dano reduz a capacidade fotossintética e pode afetar rendimento e qualidade dos grãos. A pesquisa cita resistência ampla de Cnaphalocrocis medinalis a inseticidas em áreas arrozeiras da China.

Os pesquisadores testaram misturas por imersão de plântulas de arroz. O método usou larvas recém-eclodidas e avaliou mortalidade após 72 horas. Os tratamentos incluíram inseticidas isolados e combinações binárias. O coeficiente de co-toxicidade definiu o tipo de interação. Valores acima de 120 indicaram sinergismo. Valores entre 80 e 120 indicaram efeito aditivo. Valores abaixo de 80 indicaram antagonismo.

Sinergismo da mistura

A combinação spinosad e indoxacarb apresentou sinergismo em diferentes proporções. Na população suscetível, a razão um para um registrou coeficiente de co-toxicidade de 121. A razão dois para três registrou 123. Na população de campo YZ25, a razão um para cinco alcançou 182,1. Os pesquisadores escolheram a mistura um para um para a etapa transcriptômica.

Outras misturas

Outras misturas tiveram desempenho inferior. Spinetoram e abamectina, na razão um para cinco, apresentou coeficiente de 59,5. Spinetoram e benzoato de emamectina, na razão um para dez, registrou 56,85. Ambas indicaram antagonismo. Metoxifenozida e quinalfós também apresentou antagonismo nas duas proporções avaliadas. A mistura spinosad e metaflumizona teve efeito aditivo na razão um para um e sinergismo na razão dois para um.

Análise de transcriptoma

A análise de transcriptoma comparou larvas expostas a spinosad, indoxacarb e à mistura um para um. As amostras foram coletadas após seis horas e 24 horas. Cada tratamento teve quatro repetições biológicas. Cada repetição reuniu cerca de 50 larvas. A solução usada nos tratamentos transcriptômicos continha 0,05 miligrama por litro de spinosad, 0,05 miligrama por litro de indoxacarb ou 0,05 miligrama por litro da mistura.

Após seis horas, a mistura induziu 42 genes diferencialmente expressos. O indoxacarb induziu 33. O spinosad induziu quatro. Após 24 horas, a mistura provocou reprogramação transcricional mais ampla. O tratamento combinado apresentou 687 genes diferencialmente expressos, com 605 genes induzidos e 82 reprimidos. O spinosad isolado apresentou 273 genes diferencialmente expressos. O indoxacarb isolado apresentou seis.

Ativação de genes

Na fase inicial, os dados apontaram ativação de genes ligados à detoxificação, transporte transmembrana, sinalização celular e imunidade inata. O grupo tratado com a mistura apresentou enriquecimento de vias de detoxificação, competição metabólica, sinalização por insulina, MAPK, PI3K-Akt, cálcio e apoptose. O estudo interpreta esse padrão como uma resposta de estresse mais ampla frente ao tratamento combinado.

Na fase tardia, a assinatura molecular mudou. A mistura ativou vias de lisossomo, autofagia animal, metabolismo de glicerofosfolipídios, metabolismo de esfingolipídios e vias associadas a estresse neuronal. Também houve enriquecimento de vias relacionadas à digestão e absorção de proteínas. Os pesquisadores associaram esse conjunto a lesões no intestino médio e dano celular. Essas vias não apareceram com o mesmo destaque nos tratamentos isolados após 24 horas.

Explicação para a sinergia

Os cientistas propõem uma explicação para a sinergia. Na primeira etapa, spinosad e indoxacarb competem por sistemas de detoxificação, como citocromos P450, esterases, glutationa S-transferases e transportadores ABC. Essa competição reduziria a depuração metabólica e aumentaria a persistência dos compostos. Na segunda etapa, a mistura levaria a disfunções celulares, com ativação de autofagia, lisossomos e metabolismo lipídico.

O estudo também aponta possíveis marcadores para monitoramento de resistência. Genes da família CYP6, transportadores ABC e genes relacionados à autofagia, como ATG2B e Wipi2, aparecem como candidatos. Os pesquisadores indicam uso desses marcadores em avaliações quantitativas de populações de campo. O objetivo envolve antecipar mudanças de sensibilidade e ajustar estratégias de manejo.

O estudo também ressalta limitações. A validação funcional de genes-chave, como CYP6B7, ATG2B e PNPLA8, ainda permanece necessária. Ensaios de campo também precisam confirmar a consistência do mecanismo e a eficácia em populações naturais.

Outras informações em doi.org/10.3390/insects17060598

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