Metoxifenozida (Methoxyfenozide) é um inseticida da classe das diacilhidrazinas, utilizado no manejo integrado de pragas (MIP) para o controle de lagartas (Lepidoptera) em diversas culturas agrícolas.
Nome comum: methoxyfenozide
Número CAS: 161050-58-4
Fórmula química bruta: C22H28N2O3
Classe química: diacilhidrazina (carbohydrazida); inseticida regulador de crescimento de insetos (IGR); agonista de receptor de ecdisona.
Classificação IRAC: Grupo 18 (Ecdysone receptor agonists – diacylhydrazines). É um “molt accelerating compound” (MAC).
Principais nomes de produtos comerciais no Brasil: Intrepid 240 SC, Intrepid Edge, Methoxyfenozide 240 Sino-Agri e outros
Histórico de desenvolvimento: a classe das bisacilhidrazinas (diacilhidrazinas) foi descoberta de forma serendipitosa na Rohm and Haas Company (EUA) em 1983-1984, a partir do composto protótipo RH-5849, que demonstrou atividade inseticida sobre lepidópteros e coleópteros. Esse protótipo foi posteriormente submetido a modificações químicas que deram origem aos compostos comercializados: o tebufenozide (RH-5992), o metoxifenozida (RH-2485) e o halofenozide (RH-0345). O metoxifenozida é descrito na literatura como o mais novo dos diacilhidrazinas da série inicial da Rohm and Haas a chegar ao mercado, pertencendo à classe dos MACs (molt-accelerating compounds) não esteroidais que mimetizam o hormônio da muda dos insetos (DOI:10.1016/j.pestbp.2005.04.003). A Rohm and Haas foi posteriormente adquirida pela Dow Chemical, e a tecnologia passou para a Dow AgroSciences, atualmente parte da Corteva.
Mecanismo de ação: agonista do receptor de ecdisona (mimético do 20-hidroxiecdisona). Após ingestão (principal via), liga-se ao receptor nuclear de ecdisona nas larvas de Lepidoptera, desencadeando uma muda prematura e letal. Isso causa: (a) cessação imediata da alimentação (efeito antialimentar rápido); (b) interrupção do desenvolvimento; (c) morte da larva em poucos dias (geralmente 2–7 dias). Apresenta também atividade ovicida em algumas espécies e efeito por contato limitado. Não afeta significativamente outros grupos de insetos (seletividade alta para Lepidoptera).
Espectro de controle: eficaz contra larvas de Lepidoptera. Baixa ou nenhuma eficácia contra insetos não-lepidópteros (ácaros, percevejos, tripes). Boa atividade em larvas de diferentes instares, com efeito residual de 7-14 dias ou mais, dependendo da dose e cultura.
Compatibilidades e interações: seletividade para inimigos naturais. Compatível com a maioria dos fungicidas e muitos inseticidas e acaricidas em mistura de tanque (verificar rótulo e teste de compatibilidade física). Sinergia e potenciação demonstrada com spinetoram (IRAC 5) em cepas resistentes de Spodoptera littoralis: a mistura inibe enzimas de detoxificação (monooxigenases e esterases), aumentando a toxicidade. Evitar misturas com produtos altamente alcalinos ou que possam degradar a molécula. Baixa toxicidade para mamíferos, aves e organismos aquáticos em comparação com inseticidas neurotóxicos tradicionais.
Posicionamento agronômico: inseticida para o controle de lagartas em culturas de grãos (soja, milho, algodão), hortaliças e frutíferas. Recomendado para aplicações preventivas ou no início da infestação (ovos / larvas jovens), quando as lagartas ainda estão pequenas.
Outras informações:
Methoxyfenozide (RH-2485) apresenta alta eficácia inseticida contra ampla gama de pragas de lagartas importantes, incluindo muitos membros da família Pyralidae e outras Noctuidae. Atua como agonista de ecdisona, induzindo muda prematura letal. É seletivo, com baixa toxicidade para mamíferos e organismos não-alvo. - DOI:10.1002/1526-4998(200102)57:2<115::AID-PS245>3.0.CO;2-A -
A resistência de Spodoptera littoralis a methoxyfenozide está associada a mecanismos metabólicos, com envolvimento provável de enzimas de detoxificação (monooxigenases do citocromo P450 e esterases). Há risco de desenvolvimento de resistência, por isso a importância de estratégias de manejo (rotação de ingredientes ativos). - DOI:10.1002/ps.1753 -
Após 16 gerações de seleção com methoxyfenozide, Spodoptera littoralis desenvolveu resistência de 36,2 vezes. A mistura com spinetoram mostrou forte potenciação (índice de combinação <1) em cepas suscetíveis e resistentes, inibindo monooxigenases e esterases. A mistura é eficaz contra populações resistentes e recomendada para programas de IPM e manejo de resistência. - DOI:10.1038/s41598-022-10812-w -