Indoxacarbe (indoxacarb)

10.06.2026 | 10:40 (UTC -3)

Indoxacarbe (indoxacarb) é um inseticida oxadiazínico amplamente utilizado no controle de lagartas em diversas culturas agrícolas.

Nome comum: indoxacarb

Número CAS: 173584-44-6

Fórmula química bruta: C22H17ClF3N3O7

Classe química: inseticida do grupo das oxadiazinas (IRAC MoA grupo 22A – bloqueadores de canais de sódio dependentes de voltagem). É um pró-inseticida que sofre bioativação metabólica no inseto.

Principais nomes de produtos comerciais no Brasil: AvatarPlethora e outros.

Histórico de desenvolvimento: desenvolvido pela DuPont nos anos 1990, a partir de esforços para superar limitações toxicológicas de precursores diidropirazólicos. O indoxacarb foi o primeiro inseticida comercial do grupo das oxadiazinas. Introduzido comercialmente como Avaunt e Steward. As patentes originais expiraram por volta de 2012-2015, permitindo o surgimento de genéricos e formulações alternativas. Em 2017, por conta da fusão entre Dow e DuPont, as autoridades antitruste exigiram que a DuPont vendesse parte do seu portfólio de proteção de cultivos. A FMC adquiriu os direitos globais do indoxacarb (junto com o rynaxypyr). Por isso, hoje no Brasil, as principais formulações puras (Avaunt e Avatar) são registradas e comercializadas pela FMC, e não mais pela Corteva.

Mecanismo de ação: é um pró-inseticida metabolizado em insetos (principalmente por esterases / amidases) para o metabólito ativo DCJW, que bloqueia os canais de sódio voltagem-dependentes no sistema nervoso. Isso impede a despolarização normal, causando paralisia progressiva e morte. Ação principal por ingestão (estômago) e secundária por contato. A seletividade relativa para insetos decorre da bioativação mais eficiente neles do que em mamíferos.

Espectro de controle: principalmente larvas de lepidópteros (lagartas), incluindo Spodoptera frugiperda, Spodoptera litura, Helicoverpa spp., Heliothis spp., Plutella xylostella, Tuta absoluta, Anticarsia gemmatalis, Chrysodeixis includens, entre outras. Apresenta alguma atividade contra certos coleópteros e outros mastigadores. É eficaz em culturas como soja, algodão, hortaliças (tomate, brássicas), frutas e milho. Não é sistêmico, mas possui alguma atividade translaminar.

Compatibilidades e interações: boa compatibilidade com muitos fungicidas e alguns inseticidas em misturas de tanque (sempre verificar bulas e realizar teste de jarra). Relativamente seletivo para alguns inimigos naturais (predadores e parasitoides) em comparação com piretroides ou organofosforados, favorecendo programas de MIP. Pode apresentar sinergismo com certos compostos (ex.: PBO em estudos de resistência) ou antagonismo dependendo da mistura. Evitar produtos muito alcalinos. Em rotação, complementa bem diamidas, avermectinas e benzoatos de emamectina.

Posicionamento agronômico: ferramenta para manejo de resistência (IRAC 22A – sem resistência cruzada significativa com piretroides, organofosforados ou carbamatos). Recomendado para aplicação foliar quando as lagartas estão nos estágios iniciais (pequenas). Opção em soja (contra Spodoptera e lagartas desfolhadoras), algodão, tomate (Tuta absoluta) e hortaliças. Doses típicas variam conforme formulação e cultura (geralmente na faixa de 50-150 g i.a./ha). Observar carência (PHI) e intervalo de reentrada conforme bula. Em áreas com histórico de resistência (ex.: Spodoptera frugiperda), monitorar e rotacionar modos de ação.

Outras informações:

Cepa de Spodoptera frugiperda selecionada por 24 gerações apresentou resistência de 472 vezes a indoxacarb. Alta resistência cruzada a deltametrina e baixa/negligenciável a clorantraniliprole, benzoato de emamectina e metoxifenozida. Enzimas P450 (sinergismo com butóxido de piperonila) envolvidas na resistência. Custos de aptidão evidentes na cepa resistente (desenvolvimento larval e pupal mais longo, menor longevidade adulta e fecundidade reduzida). Dados relevantes para manejo de resistência em regiões onde a lagarta-do-cartucho é praga-chave, como o Brasil. - DOI: 10.3390/biology11121718 -

A evolução do núcleo inseticida pirazolina, originalmente descoberto em 1972, levou à descoberta de um novo inseticida agrícola, o indoxacarbe, o primeiro bloqueador de canal de sódio do tipo pirazolina comercializado. Antes da descoberta de oxadiazinas tricíclicas análogas, tanto pirazolinas monocíclicas quanto tricíclicas fundidas, bem como semicarbazonas estruturalmente relacionadas, foram examinadas. Essas oxadiazinas apresentavam atividade igualmente elevada, além de taxas de dissipação ambiental favoráveis ​​e baixa toxicidade para organismos não-alvo. O principal candidato, DPX-JW062, foi inicialmente obtido como uma molécula racêmica, mas uma síntese quiral foi desenvolvida, produzindo um material com 50% de excesso enantiomérico (ee) no enantiômero inseticida (+)-S (DPX-MP062, indoxacarbe). - DOI: 10.1002/1526-4998(200102)57:2%3C153::AID-PS288%3E3.0.CO;2-O -

Populações de campo e de laboratório de Helicoverpa armigera exibiram resistência cruzada negativa entre indoxacarb e metoxifenoside: a população Handan apresentou resistência moderada ao indoxacarb, mas foi suscetível ao metoxifenoside; as populações Baoding e Yishui mostraram o padrão inverso. O estudo demonstrou que a toxicidade do indoxacarb foi aumentada 1,83× em linhagens resistentes ao metoxifenoside, pois essas linhagens superexpressam carboxilesterases que aumentam a bioativação para DCJW. - DOI: 10.3390/toxics8030071 -  

Em conformidade com o Artigo 43 do Regulamento (CE) nº 396/2005, a EFSA recebeu mandato da Comissão Europeia para realizar uma revisão direcionada dos limites máximos de resíduos (LMRs) de indoxacarb, com base nos LMRs do Codex ou em tolerâncias de importação que poderiam ser mantidas após o vencimento da aprovação da substância ativa. O documento recalibrou vários LMRs para culturas como maçã, pera, tomate e brássicas, propôs redução da IDA (ingestão diária aceitável) de 0,006 para 0,002 mg/kg p.c./dia, e concluiu que, nas doses recomendadas, o risco para o consumidor é aceitável. - DOI: 10.2903/j.efsa.2022.7527 - (2022)

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