Espinetoram é um dos marcos da "química verde" na agricultura moderna. Ele pertence a uma classe de inseticidas que equilibra alta eficácia contra pragas difíceis com um perfil toxicológico e ambiental significativamente mais favorável que os organofosforados ou carbamatos tradicionais.
O espinetoram não é uma molécula única, mas uma mistura de dois componentes principais (Spinetoram J e Spinetoram L), o que garante sua estabilidade e potência.
Nome comum: Espinetoram (Spinetoram)
Número CAS: 935545-74-7
Fórmula Química Bruta:
Componente J: C42H69NO10
Componente L: C43H69NO10
Classe química: espinosinas (Grupo 5 do IRAC)
Histórico de desenvolvimento
O espinetoram foi desenvolvido pela Dow AgroSciences (hoje Corteva Agriscience). Ele é um derivado semissintético da fermentação da bactéria de solo Saccharopolyspora spinosa.
Diferente do seu "irmão mais velho", o Espinosade, o espinetoram passou por modificações químicas (hidrogenação e etilação) para aumentar sua fotoestabilidade (resistência à luz solar) e ampliar sua atividade residual no campo. Em 2008, recebeu o prêmio EPA Green Chemistry Challenge Award por seu design focado em baixo impacto ambiental.
Principais nomes comerciais
No mercado brasileiro e global, os produtos mais conhecidos formulados com espinetoram são:
- Delegate (foco principal em diversas culturas como citros, maçã, tomate)
- Exalt (utilizado em grandes culturas como soja, milho e algodão)
Mecanismo de ação
O espinetoram atua no sistema nervoso do inseto. Ele é um modulador alostérico dos receptores nicotínicos de acetilcolina (nAChR).
Como funciona na prática:
1. O inseto entra em contato ou ingere o produto.
2. O espinetoram liga-se a um sítio específico do receptor nervoso, mantendo-o permanentemente aberto.
3. Isso causa uma hiperexcitação do sistema nervoso, levando a tremores, paralisia e, finalmente, à morte do inseto em poucas horas (embora a alimentação pare quase instantaneamente).
Espectro de controle
Ele é eficaz contra pragas que possuem peças bucais mastigadoras ou raspadoras, com destaque para:
Tisanópteros: tripes (Frankliniella occidentalis).
Lepidópteros: lagartas, como Spodoptera frugiperda e Helicoverpa armigera.
Dípteros: mosca-minadora (Liriomyza spp).
Psilídeos: Diaphorina citri.
Compatibilidades e interações
Misturas em tanque: geralmente apresenta boa compatibilidade com a maioria dos fungicidas e inseticidas. No entanto, deve-se evitar a mistura com produtos de reação extremamente alcalina (como calda bordalesa ou alguns fertilizantes foliares de pH alto), pois isso pode degradar a molécula.
Adjuvantes: o uso de óleos ou surfactantes recomendados pelo fabricante costuma melhorar a penetração translaminar (capacidade de atravessar a folha), aumentando a eficácia contra tripes e minadoras.