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Test drive Bruttus 12000, o distribuidor de fertilizantes sólidos da Stara

25/03/2022

Distribuidor de fertilizantes sólidos por gravidade, o Bruttus 12000 da Stara faz a aplicação com taxa fixa ou variável e possui chassi articulado que facilita o transporte em estradas e rodovias

Depois de algum tempo sem testar produtos da marca Stara, para esta edição da revista Cultivar Máquinas tivemos a oportunidade de conhecer a campo o trabalho do distribuidor gravitacional de produtos sólidos, modelo Bruttus 12000. Esse equipamento faz parte de uma linha de distribuidores que existe desde 2005, porém, em 2021 foi realizado o lançamento do modelo atualizado do Bruttus versão autotransportável, sobre o qual explicaremos em detalhes neste texto. Assim, para acompanharmos o Bruttus 12000 em trabalho de campo, nos deslocamos até uma propriedade na localidade de Vila Pedro Paiva, no município de Santo Augusto, região Norte do estado do Rio Grande do Sul.

Fomos acompanhados na missão de conhecer detalhadamente as características da máquina e seu funcionamento durante a aplicação de calcário por uma equipe técnica da Stara.

Sem dúvida, o Bruttus 12000 foi pensado para todo o mercado brasileiro e qualquer região do País, principalmente para aquele produtor que busca a melhoria do processo de distribuição de produtos sólidos, visando uma aplicação mais uniforme e a excelência nos processos de calagem, fertilização e semeadura, através de controle e minimização dos fatores ambientais que influenciam nas operações tradicionais, principalmente aquelas que utilizam distribuidores a lanço. Consequentemente, a ideia é compensar a perda em largura de deposição, através do ganho no controle dos efeitos do vento sobre a aplicação, principalmente quando utilizados produtos leves, como pós e sementes.

PROJETO E CONSTITUIÇÃO

O novo distribuidor gravitacional de produtos sólidos da Stara, Bruttus 12000, é composto por dois reservatórios, constituídos de chapas de aço carbono, e apresenta o opcional de redutores de vazão em aço inox, para aplicação de fertilizantes granulados e outros produtos. Cada reservatório contém três esteiras de borracha corrugada, responsáveis pela aplicação e distribuição do produto, proporcionando maior precisão durante a distribuição.

Com capacidade total de 12.000kg ou 7,50m³, seu sistema de distribuição por gravidade proporciona uma faixa de aplicação de 6,70m e altura de trabalho de 1,25m, minimizando as perdas pela ação do vento e otimizando a deposição de produtos sobre o solo. Visto que a altura de trabalho corresponde à distância vertical do fundo das esteiras ao nível do solo, apresenta linhas de correntes verticais que auxiliam no direcionamento do produto para o espaço compreendido entre duas lonas defletoras.

Com a altura de deposição de 1,25m e com o produto passando entre duas cortinas defletoras, a ação do vento praticametne não interfere na deposição

Dividido em duas seções independentes, ou seja, dois reservatórios individuais, o distribuidor apresenta sistemas de controle e acionamento individuais, um para cada reservatório, viabilizando e proporcionando o desligamento de seções. Consequentemente, reduz o transpasse durante as aplicações e gera economia de insumos. Durante a operação, para evitar a sobreposição de faixas de aplicação e excesso de produto, o sistema desligará a seção toda vez que identificar a completa passagem do reservatório sobre o local que já sofreu aplicação.

Caracterizado como um distribuidor autotransportável, o Bruttus 12000 apresenta chassi central articulado e pistão hidráulico central que permite a troca da posição de transporte para a posição de trabalho através de um simples comando no Topper 5500. A largura total que é de 7,37m (faixa de deposição de 6,70m) com a articulação se reduz para 3,18m, facilitando o deslocamento e o autotransporte do equipamento. A legislação brasileira obriga que os equipamentos tenham no máximo 3,20m de largura física, caso contrário, deverão ser transportados por caminhão tipo prancha.

Para facilitar a movimentação, os rodados duplos de cada reservatório se articulam em ângulo de 90º. Com o equipamento aberto em posição de trabalho, as rodas são colocadas no sentido do deslocamento. Os rodados duplos de cada lado foram estrategicamente colocados em posição defasada, um ligeiramente à frente do outro, para proporcionar o funcionamento de um balancim, fazendo o trabalho de rodado em tandem e adaptando-os às irregularidades do terreno.

Com um pistão central, o distribuidor passa da posição de trabalho para a posição de transporte em apenas alguns segundos

Visualmente, os rodados não são aparentes porque não sobressaem da projeção do chassi, ficando embutidos na estrutura e posicionados abaixo dos reservatórios. Na versão anterior ao Bruttus 12000 eram dois rodados atrás e dois na frente, diferente da versão nova autotransportável. A nova posição dos rodados facilitou o abastecimento dos reservatórios, pois possibilita a máxima aproximação da pá carregadora, ou do trator com concha frontal, ao equipamento.

No fechamento e abertura do chassi, uma trava automática faz o bloqueio do mesmo para garantir a segurança durante o transporte e na operação. Na posição de trabalho, o operador, para ter certeza de que a abertura foi completa e o chassi encontra-se travado, observa o surgimento de uma haste com marcação em vermelho entre os dois reservatórios e próximo ao pistão hidráulico principal. Mecanismo bastante simples, útil e de fácil visualização. Vale destacar que a troca de posições (transporte e trabalho) deve ser realizada com a máquina vazia e em terrenos planos e firmes.

Por conta disso, o carregamento do Bruttus 12000 deve ser realizado com ele já na posição de trabalho e com as grades protetoras superiores dos reservatórios fechadas. Pois as grades superiores servem principalmente para impedir que seja colocado material estranho ou entorroado dentro dos depósitos. Essas se abrem por meio de acionamento hidráulico, através do simples acionamento de um comando no monitor Topper 5500, facilitando a limpeza e agilizando a operação.

Detalhe das lonas defletoras instaladas em toda a extensão da esteira distribuidora

A fim de evitar a formação de galerias, bolsões de ar e compactação do produto, os reservatórios apresentam mexedores internos, com um eixo composto por pequenas hastes, que, por estar ligado ao sistema de transmissão do equipamento, estão em constante movimento e garantem a disposição uniforme de produto sobre as esteiras.

Além disso, os reservatórios do Bruttus 12000 apresentam sistema de raspador posicionado junto ao sistema de tensor (esticador da esteira) e na interface entre a esteira e a parede do reservatório, sendo encarregado pela manutenção da limpeza do rolo e da esteira. Também o projeto contemplou um sistema basculante para facilitar a limpeza e a manutenção das esteiras, além de abas laterais e frontais, que evitam a perda de produto durante o abastecimento.

DOSADOR

O dosador do Bruttus 12000 é constituído pelas esteiras de borracha corrugada e dois rolos no seu interior, além de seus complementos. Dentro de cada esteira há dois raspadores dos rolos, responsável pela sua limpeza e da esteira. Ao total a máquina possui seis esteiras, sendo que em cada seção há três esteiras ao fundo do depósito.

O Bruttus 12000 aplica em taxas fixas e taxas variáveis, dependendo da necessidade da aplicação

Segundo as especificações da máquina é possível aplicar produtos em pó, como calcário e gesso, mas também pode ser útil para a aplicação de fertilizantes granulados e sementes. No caso de vazões menores, tem um opcional que é o redutor de vazão, fabricado em aço inox, que será colocado no fundo dos reservatórios e, por meio de separadores, fará a diminuição da quantidade de produto depositado sobre as esteiras, possibilitando a aplicação por gravidade de sementes e fertilizantes.

Para regular a vazão, um sistema de abertura e de fechamento por alavanca está disponível na parte dianteira do distribuidor com possibilidade de posicionamento entre zero (fechado) e 15 (totalmente aberto). Além disso, a velocidade de giro das esteiras é outra forma de alterar a vazão de produto ou taxa de aplicação.

No Bruttus 12000 não há acionamento por árvore cardânica e sim por motores hidráulicos, que exigem um fluxo de óleo na VCR de vazão contínua de, no mínimo, 35 litros por minuto. O acionamento hidráulico se dá por uma válvula de controle remoto de fluxo contínuo, existente na maioria dos tratores atuais. A velocidade de giro dos motores que acionam a esteira é controlada por apenas uma válvula PWM (do inglês, Pulse Width Modulation) que comanda os dois motores, além de uma válvula de ventagem individual para cada motor acionando ou desligando a seção.

Este sistema funciona com um microcontrolador que gera sinais analógicos, codificando-os digitalmente. Um módulo, denominado POD Universal, recebe sinal do monitor Topper 5500, através de rede CAN e envia sinais para a PWM, que controla as seis esteiras. Com o sistema adotado há uma compensação das variações de velocidade de deslocamento. Ao lado do POD Universal localiza-se o dispositivo utilizado na calibração do equipamento.

Para facilitar a movimentação, os rodados duplos de cada reservatório se articulam em ângulo de 90 graus

A distribuição pode ser realizada segundo dois modos de aplicação: taxa fixa ou taxa variável. A aplicação por taxa fixa ocorre quando se trabalha com uma vazão e dosagem fixa, que é informada pelo operador e não é alterada, ainda que se mude a velocidade de deslocamento. Já a aplicação por taxa variável é realizada de acordo com mapas de distribuição, arquivos em formato shapefile. Isto é, a taxa aplicada será variável, segundo as recomendações do mapa, e a dosagem aplicada é alterada automaticamente após breve intervalo de tempo toda vez que houver transição no mapa.

Por meio de sinais analógicos são enviados comandos para a válvula PWM acionar os motores das esteiras para o funcionamento do dosador em taxa variável e para os sensores de rotação.

MONITOR CONTROLADOR TOPPER 5500

O controlador Topper 5500 é responsável pelo gerenciamento e controle do Bruttus 12000. Através da função “Siga-me”, um assistente de configuração, permite que o operador, de forma fácil e objetiva, calibre e configure a máquina. O controlador Topper 5500 apresenta duas versões. O Topper 5500 SL, versão básica do controlador, é indicado para operações que não precisam de precisão na repetição do rastro, pois essa versão não permite o uso de sistema de correção de sinal. Entretanto, o opcional Topper 5500 VT, versão completa do controlador, permite a conexão com a internet por meio de um cartão SIM (3G ou 4G) ou através de rede Wi-Fi, e apresenta um receptor GNSS (sistema global de navegação por satélite) apto para a utilização de correção de sinal por bases estacionárias e RTK.

Todo o controle de direcionamento e das funções do Bruttus 12000 é feito através do monitor controlador Topper 5500

Além disso, a Stara oferece, como opcional, a tecnologia Syncro. Sistema exclusivo da marca que permite a comunicação via rádio e o trabalho sincronizado, em um mesmo talhão, de até quatro Bruttus 12000. Também o sistema de Telemetria Stara proporciona o gerenciamento das informações, em tempo real, das operações realizadas nos talhões da propriedade, além de contar com o envio dos mapas para o Topper 5500 via internet.

TESTES REALIZADOS

Para o teste de campo nos deslocamos até uma área recentemente colhida e que posteriormente receberá aveia branca como cultivo de cobertura e palha para a próxima safra de soja. Como operação antecessora à semeadura, será realizada a aplicação de calcário calcítico em dose variável, de acordo com prescrição baseada em um mapa de aplicação desenvolvido pela assessoria técnica da fazenda.

O mapa de prescrição estava dividido em seis classes, com doses de calcário variando de 500kg/ha a 5.000kg/ha. O sistema de gerenciamento do equipamento faz a interpretação e a alteração da vazão, taxa de aplicação, em função desta prescrição, variando as doses de acordo com o estabelecido pelo mapa para as diferentes áreas.

Partimos para o campo, inicialmente, realizando o abastecimento do distribuidor com calcário utilizando uma pá carregadora. Depois de abastecido, procedemos a calibração do atuador. Para esse procedimento primeiramente se faz a regularização da vazão por três segundos, de forma automática. Posteriormente, se coloca um conjunto de bandejas sob o local de saída do produto e se coleta por certo tempo uma quantidade de produto, pesa e informa ao monitor Topper 5500, que identifica o equipamento e calcula um fator. Com base neste fator se faz uma nova medição de vazão e verifica a coincidência entre o que deveria ser coletado e o que foi realmente medido. Com uma aceitação de variação de até 10% pode-se aceitar o equipamento como calibrado ou pode-se proceder novamente o processo. O sistema PWM se calibra em vazio e depois com o produto. Já na primeira verificação a variação foi de menos de 2%, o que poderia finalizar o processo de calibração, no entanto a equipe fez mais uma repetição do procedimento para treinamento do operador e certeza na medição.

Esse procedimento não é nada complexo e baseado em uma metodologia perfeitamente compreensível. Porém, para facilitar ao usuário disponibilizou-se, por meio do monitor Topper 5500, uma funcionalidade conhecida como “Siga-me”, com a qual o cliente poderá acessar um roteiro, passo a passo da calibração, e fazê-la de forma intuitiva.

Aplicando uma taxa variável entre 500kg/ha e 5.000kg/ha, nos deslocamos por trajetos de aproximadamente 500m de comprimento, em linha reta, cruzando os limites entre pelo menos três áreas do mapa de prescrição e aplicando vazões de 2.500, 3.000 e 4.000 kg/ha, verificando-se pelo monitor as transições entre as diferentes zonas de manejo. Embora o terreno permitisse maior velocidade de deslocamento, percorremos os trajetos com 8km/h e faixa de aplicação de 6,70m de largura.

A largura total do Bruttus 12000 é de 7,37 metros (faixa de deposição de 6,70 metros) e com a articulação se reduz para 3,18 metros, facilitando o deslocamento e o autotransporte do equipamento

Pelo monitor Topper 5500 era possível verificar a taxa de aplicação instantânea, a velocidade de deslocamento e a informação da massa de produto restante no depósito. Ainda que o sistema construtivo não tenha uma balança, o valor remanescente de produto é calculado em função da quantidade de produto inicial, antes do início da operação, pelo desconto da quantidade de produto aplicado.

Visualmente era possível verificar a uniformidade de distribuição na faixa de aplicação e a minimização do efeito do vento pela reduzida altura de saída do produto e o eficiente trabalho dos defletores.

IMPRESSÕES E AVALIAÇÕES

Já no primeiro contato com a máquina nota-se a característica industrial da Stara pela qualidade de acabamento, uniões por solda e pintura. Recentemente, foram feitos investimentos nos processos de pintura, nas diferentes unidades. O resultado é muito apreciável. Também é notável a qualidade dos revestimentos de chicotes elétricos, mangueiras e sinaleiras, impedindo que possam ser atingidos por elementos externos ou desgastados pelos fatores climáticos.

A velocidade de aplicação pode chegar a 15km/h se as condições da lavoura e do produto aplicado permitirem

Durante o teste trabalhamos dentro dos limites recomendados pela fábrica e pelas condições de relevo do terreno. O limite de velocidade recomendado pela área técnica é de 15km/h, no entanto, para a maioria dos casos, a velocidade de 10km/h é a que mais frequentemente será usada, com a qual estima-se que, com a largura de aplicação do equipamento, chegue a números médios de uma capacidade de campo operacional aproximada de seis hectares por hora.

O equipamento, pelas suas características de operação, requer um trator com 150cv de potência mínima no motor e um sistema hidráulico de fluxo contínuo e regulagem de vazão que proporcione uma vazão mínima de 35 litros por minuto, o que é bastante comum dispor-se em um trator desta classe, além de um comando simples para abrir e fechar o equipamento, girar os rodados e movimentar as grades de limpeza.

STARA

A Stara é uma das empresas fabricantes de máquinas agrícolas que mais cresceram nos últimos anos. Nascida a partir de uma pequena empresa familiar, conquistou uma notável participação no mercado, sendo considerada uma das mais importantes empresas fabricantes de máquinas do País.

A sede da empresa fica no município de Não-Me-Toque, no Rio Grande do Sul, no entanto, conta com outras três unidades localizadas nas cidades de Carazinho (RS) e Santa Rosa (RS) e outra na província de Santa Fé, na Argentina. Não-Me-Toque está situada no planalto médio do Rio Grande do Sul, e assim como outros municípios da região que são considerados berços da técnica do plantio direto, recentemente foi designada como a capital nacional da agricultura de precisão.

Nas quatro unidades, a empresa fabrica máquinas de semeadura, distribuidores de insumos, pulverizadores, carretas agrícolas, escarificadores e subsoladores, niveladores de solo, plainas e plataformas de milho, além de construir seus próprios equipamentos de Agricultura de Precisão.

Com esta atuação destacada, principalmente pela qualidade dos seus produtos e a forte inserção na chamada Agricultura Digital, a empresa ganhou projeção e participação no mercado exterior, participando de exposições internacionais e comercializando produtos em vários países do mundo.

LOCAL DO TESTE

O test drive foi realizado no município de Santo Augusto (RS) com o apoio da Stara e do concessionário da região

Para realizar o teste de campo com o Bruttus 12000, uma equipe técnica da Stara nos acompanhou durante todo o trabalho realizado no município de Santo Augusto (RS). Estiveram conosco o demonstrador técnico Ricardo Alan Haubert, o engenheiro agrônomo Rafael Gilberto Schmitt, analista de Marketing de Produto que atua na área de distribuição e é encarregado pelos testes do Bruttus e do Hércules, o supervisor de engenharia de Produto Luciano Bernardi e o engenheiro agrônomo Leonardo Sander, que é analista de Pesquisa e Desenvolvimento da Stara. Por parte da propriedade, nos auxiliando e proporcionando todos os meios para esta avaliação, estavam o senhor Edemilson Rosa, operador de máquinas, e o administrador da fazenda, Paulo Servat.

José Fernando Schlosser
Daniela Herzog,
Laboratório de Agrotecnologia - Nema - UFSM

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Revista Cultivar

 

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