Novas soluções da BASF miram nematoides, doenças e lagartas

Trait contra nematoides, novo fungicida e inseticida avançam no pipeline

21.01.2026 | 07:20 (UTC -3)
Revista Cultivar
Marcelo Batistela
Marcelo Batistela

A BASF anunciou três novidades que serão comercializadas nos próximos anos Brasil. Destaque para uma nova característica (trait) transgênica para soja capaz de controlar os nematoides das lesões e de cisto. Outra novidade consiste em inseticida formulado com a molécula broflanilide para manejo de todas as lagartas-pragas nas culturas de soja, algodão e milho. Por último, o fungicida Pavecto, capaz de controlar mancha-alvo, cercosporiose, septoriose e ferrugem-asiática. Todas as tecnologias devem estar no mercado nos próximos dois a três anos.

O principal destaque envolve a nova característica (trait) denominada NRS (nematode resistance soybean). A tecnologia oferece controle eficaz contra os principais nematoides da cultura. Entre eles, o nematoide-das-lesões-radiculares (Pratylenchus brachyurus) e o nematoide-de-cisto (Heterodera glycines), explica Rafael Vicentini, diretor de marketing de sistema de cultivo soja da BASF.

Esse trait está contido no evento transgênico GMB151, desenvolvido por meio de transformação mediada por Agrobacterium tumefaciens usando o vetor pSZ8832 contendo os cassetes de expressão cry14Ab-1.b e hppdPf-4Pa. Eles expressam as proteínas Cry14Ab-1 e 4-hidroxifenilpiruvato dioxigenase modificada (HPPD-4). A proteína Cry14Ab-1, cristal proteico derivado de Bacillus thuringiensis, confere resistência a nematoides parasitas de plantas. Já a proteína HPPD-4, derivada de Pseudomonas fluorescens, confere tolerância a herbicidas inibidores de HPPD.

Conforme dados da BASF, em 160 testes de campo realizados no país ao longo de sete anos, o trait demonstrou controle superior a 90% do nematoide-das-lesões-radiculares, além de proteção aprimorada contra o nematoide-de-cisto.

A tecnologia deve ser comercializada por meio das marcas de sementes de soja Credenz e SoyTech.

Molécula broflanilide

Para o controle de insetos, a empresa ofertará inseticida formulado com a molécula broflanilide. O produto apresenta modo de ação inédito e amplo espectro contra lagartas de difícil manejo, conta Graciela Mognol, diretora de marketing da BASF.

Graciela Mognol e Rafael Vicentini
Graciela Mognol e Rafael Vicentini

Broflanilide atua como modulador alostérico não competitivo dos canais de cloreto ativados por GABA em receptores resistentes à dieldrina em insetos. Bloqueia irreversivelmente a transmissão nervosa, causando hiperpolarização excessiva, paralisia e morte. Seu modo de ação é único (Grupo 30 IRAC).

Testes de laboratório apontam efeito rápido, com alto nível de controle poucas horas após a exposição, além de efeito residual de 14 a 21 dias. A tecnologia não apresenta resistência cruzada.

Fungicida Pavecto

No manejo de doenças, a BASF prepara o fungicida Pavecto. O produto combina a nova molécula Pavecto (metiltetraprole) com protioconazol. A proposta mira doenças de difícil controle na soja, como ferrugem-asiática, mancha-alvo, cercosporiose e septoriose. Ensaios indicam ganhos de produtividade superiores a três sacas por hectare.

O fungicida pertence ao subgrupo 11A na classificação do FRAC. Ele pertence ao grupo dos inibidores externos da quinona (QoIs), como as estrobilurinas, mas possui uma estrutura química diferente, chamada tetrazolinona. Essa estrutura permite que a molécula iniba a proteína citocromo b, essencial para a respiração mitocondrial dos fungos, mesmo na presença da mutação G143A, que torna fungicidas tradicionais ineficazes. O resultado é um controle eficaz de populações resistentes.

Produtor rural e BASF

A BASF reforçou a decisão de atuar como empresa de soluções integradas para a agricultura. A diretriz parte do agricultor e orienta pesquisa, desenvolvimento e investimentos. A avaliação foi apresentada por Marcelo Batistela, vice-presidente de soluções para agricultura da empresa, ao tratar do novo ciclo de inovação da companhia e dos desafios conhecidos do setor.

Segundo Batistela, a agricultura impõe problemas recorrentes e variáveis a cada safra. O executivo destacou que nenhuma safra repete a anterior. Defendeu proximidade com o produtor para compreender dores atuais e antecipar desafios futuros. A estratégia prioriza o cliente como ponto inicial das decisões e reconhece a atividade agrícola como construída por pessoas.

A companhia decidiu reorganizar sua atuação a partir dessa lógica. O movimento buscou superar a fragmentação tradicional entre genética, biotecnologia, química e digital. A proposta combina tecnologias sob um mesmo guarda-chuva, alinhadas à forma como o agricultor opera no campo. Batistela definiu a transição como a passagem de uma empresa de produtos para uma empresa orientada ao cliente.

No modelo defendido, o valor nasce do potencial produtivo. A base envolve genética, biotecnologia e proteção de cultivos, com uso de soluções químicas e biológicas. A digitalização aparece como ferramenta para apoiar decisões em sistemas cada vez mais complexos. Batistela também apontou limites do produtor diante de clima e câmbio. A resposta passa por inovação, conhecimento e novos modelos de financiamento.

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