Alta nos custos exige cautela do produtor em MT

Imea indica pressão em soja e milho e alerta para planejamento na próxima safra

20.01.2026 | 16:41 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações do Imea

Os custos de produção da soja e do milho em Mato Grosso seguem em trajetória de alta, enquanto o algodão apresenta leve alívio no custeio, mas com aumento no custo total, segundo boletim semanal divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O cenário reforça a necessidade de planejamento técnico e comercial para as próximas safras, em um ambiente marcado por maior oferta global e pressão sobre os preços.

Soja: defensivos elevam custos 

Em janeiro de 2026, o Projeto CPA-MT divulgou o custo de produção da soja da safra 2026/27, com custeio estimado em R$ 4.201,32 por hectare, alta de 0,54% em relação a dezembro de 2025. O avanço foi puxado principalmente pelas despesas com defensivos agrícolas, que subiram 3,04%, alcançando R$ 1.388,63/ha.

O Custo Operacional Efetivo (COE) foi projetado em R$ 5.879,32/ha, acréscimo mensal de 0,36%. Diante desse cenário, o Imea alerta para a importância do acompanhamento do ponto de equilíbrio. Considerando a produtividade média dos últimos três anos, de 60,45 sacas por hectare, o produtor precisará vender a soja a, no mínimo, R$ 97,25/sc para cobrir o COE. Atualmente, o preço médio comercializado da safra 2026/27 está em R$ 104,99/sc, valor 7,95% acima do necessário para cobrir as despesas operacionais.

No campo, a redução das chuvas na última semana permitiu avanço de 4,71 pontos percentuais na colheita da safra 2025/26, que atingiu 6,69% da área, percentual acima da média histórica. Já as exportações de soja por Mato Grosso recuaram 18,16% em dezembro de 2025, mas o volume embarcado foi 9,31 vezes superior ao registrado no mesmo período de 2024. No mercado externo, o Prêmio Santos apresentou valorização semanal de 26,98%, fechando em ¢US$ 80,00/bushel.

No cenário internacional, o USDA elevou em 0,74% a projeção da produção mundial de soja da safra 2025/26, estimada em 425,68 milhões de toneladas, com destaque para o Brasil, cuja produção foi projetada em 178 milhões de toneladas, alta de 1,71%. O aumento da oferta global pressionou as cotações, e o preço da soja em Chicago fechou na média de US$ 10,40/bushel, recuo de 0,76% após a divulgação dos dados.

Milho: oferta global cresce e preços recuam em Chicago

Para o milho, o USDA estimou a produção global da safra 2025/26 em 1,29 bilhão de toneladas, alta de 1,02%, impulsionada principalmente pelos Estados Unidos e pela China. Com a oferta mundial mais robusta, os estoques finais foram projetados em 290,91 milhões de toneladas, aumento de 4,21%, o que resultou em queda semanal de 5,30% no preço do milho na CME Group, que fechou em US$ 4,22/bushel.

Em Mato Grosso, o preço do milho apresentou valorização semanal de 1,15%, com média de R$ 47,83/sc. Já na B3, o cereal recuou 0,15%, fechando a semana em R$ 68,19/sc. O dólar Ptax caiu 0,23%, com média de R$ 5,38/US$.

No campo dos custos, o custeio da safra 2025/26 foi consolidado em R$ 3.319,51/ha, alta de 2,56% em relação ao ciclo anterior, influenciado principalmente pelo aumento das despesas com sementes e fertilizantes. O COE ficou em R$ 4.806,17/ha, enquanto o Custo Operacional Total (COT) foi projetado em R$ 5.394,08/ha. Com produtividade estimada em 116,61 sc/ha, o preço médio comercializado em dezembro de 2025, de R$ 45,95/sc, cobre o COE, mas ainda não é suficiente para cobrir o COT e o custo total, reforçando a importância do planejamento comercial.

Algodão: custos caem, mas custo total sobe

Para o algodão da safra 2026/27, o Imea divulgou a primeira estimativa de custo de produção, com custeio projetado em R$ 10.653,57/ha, redução de 1,13% frente à safra 2025/26, influenciada principalmente pela queda nas despesas com fertilizantes e corretivos. O COE foi estimado em R$ 15.255,21/ha, recuo de 0,59%. No entanto, o custo total (CT) subiu 2,44%, alcançando R$ 18.917,57/ha, pressionado pelo aumento de 21,20% no custo de oportunidade.

Na última semana, a semeadura do algodão da safra 2025/26 avançou 20,96 pontos percentuais, alcançando 29,04% da área projetada. O ritmo, apesar de início mais lento, superou o da safra passada e está 9,70 pontos percentuais à frente do registrado no ciclo 2024/25. A região Sudeste lidera os trabalhos, com 45,84% da área semeada, enquanto a região Oeste segue como a mais atrasada.

No mercado, a paridade de exportação do contrato julho/26 apresentou leve alta de 0,11%, sustentada pela valorização do dólar. O preço da pluma apresentou valorização semanal de 0,20%, cotado a R$ 108,68/@, enquanto o preço do caroço recuou 0,33%, limitando novos negócios.

Diante das incertezas relacionadas a custos, preços e condições de mercado, o Imea reforça que o planejamento antecipado será decisivo para a viabilidade econômica das próximas safras em Mato Grosso.

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