Inverno começa nesta semana no Hemisfério Sul

Estação é marcada por um período menos chuvoso nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e em parte do Norte e Nordeste do Brasil; maiores volumes de chuva se concentram no noroeste da Região Norte, leste do Nordeste e em parte do Sul do País

19.06.2023 | 15:05 (UTC -3)
Inmet
Figura 1: Climatologia de (a) precipitação (chuva) e (b) temperatura média do ar para o trimestre julho, agosto e setembro. Período de referência: 1981-2010. Fonte: Inmet
Figura 1: Climatologia de (a) precipitação (chuva) e (b) temperatura média do ar para o trimestre julho, agosto e setembro. Período de referência: 1981-2010. Fonte: Inmet

O inverno no Hemisfério Sul começa no dia 21 de junho de 2023, às 11h58, e termina no dia 23 de setembro, às 3h50 (horário de Brasília). Climatologicamente, a estação é marcada por um período menos chuvoso nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e em parte do Norte e Nordeste do Brasil. Por outro lado, os maiores volumes de precipitação (chuva) se concentram no noroeste da Região Norte, leste do Nordeste e em parte do Sul do País (figura 1a).

A redução da chuva em grande parte do Brasil nesta época do ano é devido à persistência de massas de ar seco, o que provoca a diminuição da umidade relativa do ar e, consequentemente, favorece a ocorrência de queimadas e incêndios florestais, bem como o aumento de doenças respiratórias.

Além da menor incidência de radiação solar, a estação também se caracteriza pelas incursões de massas de ar frio vindas do sul do continente, provocando queda na temperatura do ar e valores médios inferiores a 22ºC na parte leste das regiões Sul e Sudeste do Brasil (figura 1b).

A diminuição da temperatura pode ocasionar: i) formação de geada nasregiões Sul e Sudeste e no estado do Mato Grosso do Sul; ii) queda de neve nas áreas serranas e planaltos da Região Sul e, iii) episódios de friagem em MatoGrosso, Rondônia, Acre e no sul do Amazonas. Além disso, no inverno, em função das inversões térmicas no período da manhã, é comum a formação de nevoeiros e/ou névoa úmida no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, com redução de visibilidade, especialmente, em estradas e aeroportos.

El Niño

No Oceano Pacífico Equatorial, as médias mensais da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) da área de referência para definição do evento El Niño Oscilação Sul (ENOS), denominada região de Niño 3.4 (entre 170°W-120°W), registraram valores de anomalias de TSM menores que -0,5°C desde agosto de 2020 até janeiro de 2023, indicando um longo período sob atuação do fenômeno La Niña.

Em março deste ano, foi confirmado o fim do fenômeno La Niña após três anos de duração, indicando o início das condições de neutralidade. Porém, entre abril e maio, foi possível notar um rápido aquecimento das águas do Pacífico Equatorial, se estendendo desde a costa oeste da América do Sul até a parte central da bacia do Pacífico Equatorial. Além disso, as condições de acoplamento entre o oceano e a atmosfera se intensificaram nas últimas semanas, confirmando o início do fenômeno El Niño, como declarado pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) neste mês.

Diversos modelos indicam alta probabilidade de persistência do El Niño nos próximos meses. A previsão do modelo da APEC Climate Center (APCC), centro de pesquisa sediado na Coréia do Sul, aponta para uma probabilidade acima de 90% de permanência das condições do El Niño no inverno/2023, com chance de se prolongar até a primavera/2023. Além disso, o modelo também indica que o fenômeno poderá variar de intensidade, sendo de moderada a forte (figura 2).

Figura 2: Previsão probabilística de ENOS do APCC. Fonte: APEC Climate Center
Figura 2: Previsão probabilística de ENOS do APCC. Fonte: APEC Climate Center

Para conferir o Prognóstico climático para julho, agosto e setembro/2023 nas regiões do Brasil, acesse aqui.

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