Excesso de chuva desafia plantio da safra 2026/27 no RS
Copaaergs prevê precipitações acima da média entre outubro e dezembro e alerta para redução das janelas de manejo
Um relatório semanal da Hedgepoint Global Markets sobre o mercado de cacau mostra que os futuros da commodity fecharam a semana passada cotados a US$ 5.327 por tonelada em Nova York e £ 3.934 por tonelada em Londres, após um período de consolidação seguido por um movimento de correção iniciado na sessão de quinta-feira. Sem mudanças significativas nos fundamentos do mercado, a dinâmica recente parece ter sido influenciada principalmente por fatores técnicos.
Os movimentos no interesse em aberto acompanharam parte da correção, mas as variações observadas foram relativamente limitadas e não apontam para uma mudança clara no posicionamento dos participantes. Além disso, a migração de posições do contrato de setembro para o de dezembro pode estar influenciando os números de posição aberta, o que recomenda cautela na interpretação dos dados.
Em paralelo, os preços das commodities recuaram de forma generalizada em 17 de setembro, depois de o Federal Reserve adotar um tom mais duro do que o esperado pelo mercado. A perspectiva de juros mais altos fortaleceu o dólar, reduziu o apetite por risco e favoreceu movimentos de realização de lucros em diversos mercados.
“A recente queda dos preços do cacau pode refletir uma combinação de ajustes técnicos, reposicionamento dos agentes diante do vencimento dos contratos e o ambiente macroeconômico”, afirma Carolina França, analista de inteligência de mercado na Hedgepoint Global Markets.
O clima continua sendo um dos principais pontos de monitoramento para o balanço global das amêndoas, especialmente na África Ocidental, principal região produtora, diante dos potenciais impactos do El Niño sobre a produção. A preocupação do mercado com as chuvas abaixo da média na região diminuiu parcialmente na última semana. Gana e Nigéria já registraram precipitações mais favoráveis, enquanto a Costa do Marfim, apesar de ainda apresentar acumulados inferiores à média, deve receber chuvas acima do normal nos próximos dias.
Os modelos climáticos apontam para precipitações acima da média nas principais regiões produtoras ao longo dos próximos 14 dias, cenário que tende a beneficiar a cultura. Ainda assim, os volumes previstos para algumas localidades são considerados elevados e podem dificultar o processo de polinização, além de comprometer parte do florescimento das árvores.
Apesar da melhora recente nas perspectivas de precipitação para a África Ocidental, as atenções do mercado continuam voltadas para os potenciais efeitos do El Niño sobre a próxima temporada. Como discutido em análises anteriores da Hedgepoint, a avaliação das safras passadas sob influência do fenômeno não revela uma relação direta e consistente entre o volume ou a distribuição das chuvas e os efeitos do El Niño. No caso do El Niño com impacto previsto para 2026/27, o foco do mercado está no florescimento que dará origem à safra intermediária 2026/27, cujo desenvolvimento se inicia em setembro.
“O padrão mais evidente diz respeito às temperaturas durante o principal período de florescimento, que normalmente atinge seu pico entre abril e junho. Um bom volume de chuvas nas próximas semanas é importante tanto para sustentar o florescimento quanto para favorecer o desenvolvimento dos frutos que serão colhidos na parte final da safra principal”, explica Carolina.
O movimento de correção também ocorreu em meio a relatos de mercado que apontam forte ritmo das exportações de cacau pelo Equador em agosto. O desempenho reforça a relevância do país na oferta global de amêndoas e está em linha com as indicações de intensificação das atividades de colheita e comercialização, à medida que produtores buscam reduzir sua exposição às incertezas associadas aos potenciais impactos do El Niño nos próximos meses.
“As exportações do Equador em agosto estão em linha com nossas estimativas, de embarques de aproximadamente 55,4 mil toneladas no último mês”, afirma Carolina.
Além do monitoramento das condições climáticas e do ritmo de exportações dos principais produtores, os estoques certificados seguem como um importante indicador para o mercado em relação à oferta de curto prazo. Nos Estados Unidos, os volumes permanecem em patamares elevados, enquanto na Europa os estoques retornaram para níveis próximos da média histórica após a recuperação observada nos últimos meses. Vale ressaltar que, com a proximidade do período de entregas físicas, os ajustes relacionados ao vencimento dos contratos podem provocar oscilações nos volumes certificados, como a queda de 21,5% observada nos estoques europeus.
De forma geral, o mercado de cacau continua altamente sensível a mudanças nas expectativas de oferta e demanda. Diante das incertezas relacionadas ao clima na África Ocidental, à evolução do El Niño, ao comportamento das exportações e à dinâmica dos estoques, é provável que a volatilidade permaneça elevada nas próximas semanas, com os preços respondendo rapidamente a novas informações sobre qualquer um desses fatores.
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