Mercado Agrícola - 22.set.2026
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A primavera de 2026 deve ser marcada por chuvas frequentes e, em alguns períodos, intensas no Sul do Brasil. A previsão é do Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Estado do Rio Grande do Sul (Copaaergs), que aponta forte influência do El Niño sobre as condições climáticas entre outubro e dezembro. Os maiores acumulados são esperados no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, com possibilidade de volumes até 200 milímetros acima da média histórica do trimestre.
O prognóstico consta no Boletim 79 do Copaaergs, coordenado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). A primavera começou oficialmente na terça-feira (22/9), às 21h05, e termina em 21 de dezembro, às 18h50.
Para o Rio Grande do Sul, a previsão indica temperaturas próximas da média durante o trimestre. Na região Sul do Estado, entretanto, as temperaturas podem apresentar anomalias negativas de até 0,5°C.
O El Niño deverá atingir intensidade muito forte durante a primavera. Historicamente, o fenômeno está associado a volumes de chuva acima da média no Rio Grande do Sul, principalmente durante os meses de outubro e novembro, quando sua influência sobre a precipitação costuma ser mais evidente.
Os efeitos podem continuar no verão, embora de maneira mais irregular. O padrão atmosférico esperado está relacionado ao fortalecimento do jato subtropical e dos jatos de baixos níveis, que favorecem o transporte de calor e umidade da região amazônica em direção aos subtrópicos.
Ao longo do trimestre, episódios de chuva devem ocorrer com maior frequência em todo o Rio Grande do Sul, com destaque para as regiões Norte e Oeste. Também há possibilidade de tempestades, rajadas de vento forte e queda de granizo, associadas à atuação de áreas de instabilidade, frentes frias, sistemas de baixa pressão e ciclones extratropicais.
Em algumas situações, sistemas frontais podem apresentar deslocamento lento ou permanecer semiestacionários entre Argentina, Uruguai, Paraguai e Sul do Brasil. A configuração pode favorecer períodos prolongados de chuva e acumulados elevados.
A disponibilidade de água, em princípio, tende a favorecer o desenvolvimento das culturas de verão. A combinação de chuvas frequentes com temperaturas próximas ou acima da média também pode beneficiar as pastagens, desde que haja condições adequadas de nutrição para estimular o rebrote e a formação de massa verde.
Por outro lado, o excesso de chuva pode reduzir as janelas disponíveis para operações agrícolas e dificultar o acesso de máquinas às áreas de cultivo. A menor disponibilidade de radiação ao longo do período também pode representar um desafio para o estabelecimento das lavouras da safra 2026/27.
Para soja e milho de primeira safra, o excesso de umidade e as dificuldades de manejo podem prejudicar a uniformidade da emergência e reduzir o estande de plantas, com possíveis reflexos sobre o potencial produtivo.
No arroz irrigado, a situação tende a exigir atenção principalmente em áreas com deficiência de drenagem. Solos com menor capacidade de escoamento, associados a elevados volumes de chuva, podem permanecer excessivamente úmidos e dificultar a emergência e o estabelecimento inicial das plantas.
Diante do cenário previsto, o Copaaergs recomenda manter o solo permanentemente coberto, evitando períodos de exposição. A proteção pode ser feita por meio de culturas destinadas à produção de grãos, plantas de serviço ou cobertura, espécies forrageiras ou combinações de espécies.
A medida busca reduzir riscos de erosão e perdas de solo e nutrientes, além de contribuir para o aproveitamento da água disponível.
O conselho também recomenda aproveitar o período para aumentar a capacidade de armazenamento de água no solo e realizar a reserva hídrica. Embora o cenário indique chuvas acima da média durante a influência mais intensa do El Niño, a distribuição da precipitação pode apresentar elevada variabilidade no tempo e no espaço.
Além disso, a influência do fenômeno tende a ser menor durante o verão, justamente quando a demanda evaporativa aumenta. Por isso, segundo o boletim, o planejamento da disponibilidade hídrica deve considerar não apenas os volumes previstos de chuva, mas também a capacidade de armazenamento de água no solo.
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