Mercado Agrícola - 22.set.2026
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O avanço da resistência de plantas daninhas exige monitoramento das lavouras, diagnóstico das populações e integração de diferentes ferramentas de manejo nos sistemas de soja e algodão. Pesquisadores reunidos no 15º Congresso Brasileiro do Algodão destacaram caruru e capim-pé-de-galinha entre os principais desafios. O grupo também analisou novas biotecnologias de tolerância a herbicidas e a necessidade de preservar sua eficiência ao longo das safras.
O professor Anderson Luis Cavenaghi, do Univag, apresentou dados sobre o caruru resistente. Segundo o pesquisador, a elevada produção de sementes favorece a disseminação da planta daninha. Um único indivíduo pode produzir aproximadamente 100 mil sementes. Essa característica aumenta a importância do controle antes da multiplicação dentro das áreas agrícolas.
Cavenaghi também apresentou resultados de um projeto iniciado em 2012. O trabalho já avaliou mais de 18 mil amostras. As análises identificaram diferentes perfis de resistência, inclusive aos herbicidas inibidores da ALS e ao glifosato. O projeto também registrou casos de resistência envolvendo mais de um mecanismo de ação.
Os resultados indicam respostas distintas entre populações de caruru. Por esse motivo, o pesquisador defendeu o diagnóstico de cada área antes da definição do programa de manejo. A identificação de falhas de controle permite reconhecer possíveis alterações na sensibilidade aos herbicidas. O acompanhamento também ajuda a reduzir a multiplicação e a disseminação de populações resistentes.
O capim-pé-de-galinha recebeu atenção semelhante durante o encontro. Fernando Storniolo Adegas, pesquisador da Embrapa Soja, lembrou a presença da espécie entre as plantas daninhas importantes para a agricultura brasileira desde levantamentos realizados na década de 1970.
Segundo Adegas, as populações encontradas no Brasil apresentam diversidade genética, diferenças de ciclo e variação na produção de sementes. Esses fatores podem alterar a resposta aos métodos de controle. Algumas populações apresentam ciclo anual. Outras podem desenvolver características de perenidade.
A espécie também demonstra capacidade de adaptação a diferentes ambientes. O capim-pé-de-galinha ocupa diferentes tipos de solo e pode encontrar condições favoráveis em áreas compactadas e com maior entrada de luz. Características da superfície foliar também podem interferir na absorção dos herbicidas.
Esse conjunto de fatores aumenta a importância do controle em estágios iniciais de desenvolvimento. Adegas recomendou a identificação da população presente na lavoura e a confirmação de eventuais casos de resistência. Após esse diagnóstico, o produtor pode selecionar os herbicidas e as demais ferramentas disponíveis para cada situação.
O planejamento também deve considerar diferentes etapas do sistema produtivo. As alternativas podem abranger desde a semeadura até a segunda safra ou as culturas de inverno. Essa abordagem amplia as oportunidades de intervenção e reduz a dependência de uma única medida de controle.
As biotecnologias de tolerância a herbicidas também entraram no debate. Edson Ricardo de Andrade Junior, pesquisador do Instituto Mato-grossense do Algodão, apresentou a evolução das ferramentas disponíveis para a cotonicultura desde a edição anterior do congresso.
Nesse período, duas biotecnologias chegaram ao mercado: Bollgard 3 XtendFlex, da Bayer, e Seletio TwinLink Plus, da BASF. As plataformas acumulam duas safras de utilização em campo e ampliam as possibilidades de manejo. Dados apresentados sobre aplicações em Mato Grosso mostraram mudanças no uso dessas tecnologias nos ciclos recentes.
Segundo Andrade Junior, as novas ferramentas proporcionaram avanços no controle de plantas daninhas importantes para o algodão, entre elas caruru e capim-pé-de-galinha, em comparação com as possibilidades disponíveis anteriormente. Outras biotecnologias permanecem em desenvolvimento e poderão ampliar o conjunto de opções nas próximas safras.
Os pesquisadores ressaltaram, porém, a necessidade de inserir essas tecnologias em programas mais amplos de manejo. A estratégia inclui diferentes mecanismos de ação, práticas culturais, monitoramento das áreas e controle das plantas em estágios iniciais.
O diagnóstico ocupa posição central nesse processo. A ocorrência de resistência não implica perda de eficiência de todas as ferramentas disponíveis. O manejo depende da identificação das populações presentes, dos mecanismos de resistência envolvidos e das alternativas ainda eficazes em cada área.
A combinação de monitoramento, diagnóstico e manejo integrado busca reduzir a expansão das populações resistentes e preservar a vida útil das tecnologias utilizadas nos sistemas de soja e algodão.
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