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A Eirene Industrial S/A apresentou, durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão, em Belo Horizonte (MG), o SaveFarm Cotton, sistema desenvolvido especificamente para a cultura do algodão e que utiliza inteligência artificial (IA) para orientar a pulverização das lavouras. Segundo a empresa, a tecnologia permite identificar alvos em tempo real e direcionar a aplicação de reguladores, fungicidas, inseticidas e herbicidas de acordo com as condições encontradas no campo.
A solução combina algoritmos de aprendizado de máquina, visão computacional, hardware embarcado e uma interface desenvolvida para as necessidades da cotonicultura. De acordo com a Eirene, a tecnologia foi projetada para aumentar a precisão das aplicações e reduzir o volume de produtos utilizado durante a operação.
“Estamos falando de uma cultura que apresenta um alto valor de produção e que demanda tecnologias capazes de reduzir os custos e evitar o desperdício, mantendo a qualidade do produto. Por isso, desenvolvemos uma solução específica para as lavouras de algodão, tornando a pulverização mais assertiva em diferentes estágios da plantação”, explica Eduardo Marckmann, CEO da Eirene Industrial.
Segundo a empresa, o SaveFarm Cotton trabalha com espaçamento entre bicos de 22,5 cm e 25 cm. A configuração, de acordo com a Eirene, permite ampliar a capacidade de identificação dos alvos e direcionar a aplicação de forma mais precisa.
O desenvolvimento da plataforma teve como base milhões de imagens coletadas em diferentes regiões produtoras, abrangendo diferentes estágios fenológicos do algodoeiro, condições de luminosidade, tipos de solo, cultivares e situações operacionais.
A partir desse banco de dados, modelos proprietários de aprendizado de máquina foram treinados para interpretar as condições encontradas durante a operação. Os algoritmos são voltados à identificação de estruturas vegetativas do algodoeiro, à diferenciação entre a cultura e plantas daninhas e ao reconhecimento de padrões relacionados ao desenvolvimento da lavoura.
A tecnologia também recebeu atualizações de hardware e uma nova arquitetura operacional. Conforme a Eirene, o sistema embarcado foi desenvolvido para suportar a capacidade computacional exigida pelos algoritmos específicos para o algodão, com o objetivo de reduzir o intervalo entre a identificação do alvo e o acionamento da aplicação.
A interface também foi redesenhada para a cultura. O operador pode acompanhar em tempo real os alvos identificados pela inteligência artificial e visualizar as aplicações durante o trabalho, além de gerenciar as estratégias de manejo adotadas na safra.
“Na cultura do algodão, pequenas diferenças dentro da lavoura podem alterar a necessidade de aplicação de defensivos. A nossa ferramenta transforma essa leitura em comandos para o pulverizador em frações de segundos e com precisão milimétrica, direcionando o produto aos pontos identificados”, afirma Marckmann.
Outro aspecto destacado pela empresa é o processamento embarcado dos dados. As imagens capturadas pelas câmeras instaladas nas barras do pulverizador são analisadas pelo sistema Cortex.AI, sem necessidade de conexão com a internet ou comunicação externa. A arquitetura permite que a identificação dos alvos e os comandos de aplicação ocorram durante a operação, inclusive em áreas sem cobertura de rede.
A Eirene afirma que, em aplicações seletivas realizadas com o SaveFarm em outras culturas, a tecnologia proporcionou redução de até 95% no uso de fungicidas, inseticidas e herbicidas.
O lançamento ocorre em um cenário de atenção aos custos de produção da cotonicultura. De acordo com estimativas da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), a produção brasileira de algodão em pluma deve alcançar 4,14 milhões de toneladas na safra 2025/2026, queda de 2,5% em relação à temporada anterior.
Segundo a Eirene, o sistema pode ser instalado em pulverizadores de diferentes fabricantes e está disponível para produtores de todas as regiões brasileiras e para países da América Latina.
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