Excesso de chuva desafia plantio da safra 2026/27 no RS
Copaaergs prevê precipitações acima da média entre outubro e dezembro e alerta para redução das janelas de manejo
A elevada umidade ampliou a pressão de doenças nas culturas de inverno no Rio Grande do Sul, com maior atenção para trigo, aveia-branca e cevada. No trigo, a Emater/RS registra giberela e doenças foliares em áreas nas fases de florescimento e enchimento de grãos. As condições exigiram aplicações de fungicidas. No milho, já implantado em 68% da área projetada, o manejo inclui monitoramento de cigarrinha-do-milho e outras pragas iniciais.
O trigo apresenta 54% das lavouras em enchimento de grãos, 23% em floração, 13% em maturação e 9% em desenvolvimento vegetativo. A colheita alcança 1%. A Emater/RS projeta 814.220 hectares e produtividade média de 2.701 quilogramas por hectare. A umidade elevada favoreceu giberela e doenças foliares nas áreas reprodutivas.
A situação fitossanitária varia entre regiões. Em Frederico Westphalen, técnicos observaram incidência expressiva de giberela. Em Ijuí, a incidência de doenças varia conforme manejo, nível tecnológico e rotação de culturas. Em Santa Rosa, a combinação entre umidade elevada, dificuldade para realizar aplicações no momento adequado e menor eficiência de alguns tratamentos provocou problemas fitossanitários. Em Erechim, os produtores intensificaram os tratamentos. Em Soledade, as operações fitossanitárias chegaram à fase final.
Além das doenças, o trigo sofreu efeitos de eventos meteorológicos. As geadas de 7 e 8 de setembro causaram danos moderados no Planalto Médio, sobretudo em lavouras em florescimento. Chuvas e ventos registrados em 21 de setembro provocaram acamamento e processos erosivos em pontos do Estado.
A aveia-branca também apresenta variação sanitária entre lavouras. A cultura concentra 51% da área em enchimento de grãos e 26% em maturação. Outros 11% permanecem em floração, 5% em desenvolvimento vegetativo e 7% já passaram pela colheita. A Emater/RS estima 387.697 hectares e produtividade média de 2.322 quilogramas por hectare.
Doenças fúngicas ocorrem com intensidade variável na aveia-branca. Em Soledade, algumas lavouras apresentam boa sanidade, enquanto outras registram alta incidência. Chuvas intensas também causaram acamamento pontual. Em Ijuí, as equipes acompanham lavouras com potencial para produção de grãos e manejam áreas de menor desempenho para implantação das culturas sucessoras.
A canola apresenta ciclo mais avançado. A cultura soma 63% da área em enchimento de grãos, 29% em maturação, 5% em floração e 3% colhidos. O estado fitossanitário permanece satisfatório no conjunto das regiões, e os tratamentos terminaram nas áreas em fase final de ciclo. A área cultivada alcança estimativa de 353.397 hectares, com produtividade média projetada de 1.619 quilogramas por hectare.
Os principais riscos para a canola, neste momento, relacionam-se às condições ambientais e ao estabelecimento das lavouras. Excesso de umidade, baixa radiação solar, geadas e estande reduzido podem reduzir o rendimento em algumas regiões. Em São Gabriel, as perdas estimadas chegam a 16% frente à expectativa inicial. Em Lavras do Sul, alcançam 8%. Em áreas em maturação, os produtores também acompanham o risco de deiscência natural das síliquas após períodos de chuva.
A carinata concentra 77% da área em enchimento de grãos, 15% em maturação e 7% em floração. A Emater/RS estima 2.365 hectares cultivados. Regiões com maior umidade e menor radiação solar apresentam impactos no desenvolvimento das plantas. Nas demais áreas, a cultura mantém evolução satisfatória.
Na cevada, as doenças foliares nas folhas inferiores representam o principal problema fitossanitário. A cultura apresenta 43% das lavouras em enchimento de grãos, 23% em floração, 27% em desenvolvimento vegetativo e 7% em maturação. Em Ijuí, houve aumento das doenças foliares. Em Soledade, produtores finalizam as operações fitossanitárias e mantêm aplicações de fungicidas nas áreas de semeadura mais tardia. A estimativa estadual indica 20.320 hectares e produtividade média de 3.020 quilogramas por hectare.
Entre as culturas de verão, o milho alcançou 68% da área projetada. As lavouras permanecem nas fases de germinação, emergência e desenvolvimento vegetativo inicial. A Emater/RS projeta 896.401 hectares e produtividade de 7.711 quilogramas por hectare. O manejo concentra adubação nitrogenada em cobertura, controle de plantas daninhas e monitoramento de pragas.
A cigarrinha-do-milho recebe atenção nas áreas implantadas. Em Santa Rosa, técnicos registraram cigarrinhas na maior parte das lavouras, além de percevejo-barriga-verde e lagarta-rosca. Em Ijuí, o acompanhamento da cigarrinha também integra os tratos culturais. As geadas de 7 de setembro provocaram danos localizados, mas parte das plantas apresentou recuperação. Chuvas intensas e ventos em 21 de setembro também causaram danos pontuais e erosão.
O milho destinado à silagem alcança aproximadamente 45% da área prevista. A projeção soma 369.389 hectares, com produtividade de 38.392 quilogramas por hectare.
No arroz, a implantação da safra permanece em fase inicial. As chuvas volumosas condicionam o ritmo da semeadura e exigem drenagem em áreas com excesso de água. O manejo inclui dessecação, herbicidas pré-emergentes e controle de plantas daninhas no começo do ciclo. A área projetada pelo Instituto Rio Grandense do Arroz alcança 861.779 hectares. A produtividade inicial estimada pela Emater/RS chega a 8.741 quilogramas por hectare.
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