RS Safra 2025/26: chuvas afetam ritmo das culturas de inverno

Trigo e demais culturas apresentam desenvolvimento variável, com atenção ao aumento da umidade e da pressão de doenças

21.08.2026 | 14:21 (UTC -3)
Adriane Bertoglio Rodrigues
Foto: Deise Froelich
Foto: Deise Froelich

As lavouras de trigo apresentam desenvolvimento regular no Rio Grande do Sul, parcialmente prejudicado pelo excesso de precipitações, pela persistência de nebulosidade e pela baixa disponibilidade de radiação solar. Apesar das limitações meteorológicas, o potencial produtivo permanece, em geral, satisfatório.  

Conforme o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS nesta sexta-feira (21/8), essas condições reduziram a taxa de crescimento e retardaram a progressão fenológica em parte das lavouras. Como consequência, observam-se plantas de menor porte, coloração verde-pálida e, nos ambientes mais úmidos, amarelecimento das folhas inferiores. Também se observa a formação de colmos mais delgados, levando ao menor acúmulo de biomassa.  

Em termos fenológicos, predominam lavouras em desenvolvimento vegetativo, que representam 82% da área. As parcelas implantadas mais precocemente avançam para a floração, com 14%, e para o enchimento de grãos, com 4%.  

O prolongado período de molhamento foliar e a elevada umidade têm aumentado a pressão de doenças – especialmente oídio, manchas foliares e ferrugens. Nas áreas em floração, a elevada umidade do solo vem restringindo o trânsito de máquinas e reduzindo as janelas para a aplicação de fungicidas.  

A área projetada para a Safra 2026 é de 814.220 hectares, e a produtividade média, de 2.701 quilos por hectare. 

Canola 

As lavouras de canola apresentam estabelecimento e desenvolvimento adequados. Predominam as fases de florescimento, formação de síliquas e enchimento de grãos. A estrutura reprodutiva demonstra, em geral, elevada emissão floral e bom potencial de formação de síliquas. Porém, em algumas áreas, é observada redução no desenvolvimento dessas estruturas e no número de sementes por síliqua.  

O excesso de precipitações, a persistência de elevada umidade e a baixa luminosidade também interferiram no desempenho das parcelas mais tardias e aumentaram a preocupação com a polinização e a condição física do solo.  

Em termos fitossanitários, foram identificados focos localizados de traça-das-crucíferas, com danos às síliquas, além da necessidade de monitoramento para as doenças canela-preta e mofo-branco. Apesar de as condições meteorológicas terem imposto restrições ao acesso às lavouras e à realização de tratamentos, o quadro sanitário está, em geral, favorável, e o potencial produtivo permanece positivo.  

Carinata 

Os cultivos de carinata apresentam evolução fenológica concentrada nos estádios reprodutivos, acompanhando o padrão observado para outras brássicas de inverno. A maior parte das áreas se encontra em florescimento ou enchimento de grãos, com desenvolvimento considerado satisfatório e sem registro de problemas fitossanitários expressivos nas áreas.  

A condição meteorológica de elevada umidade exigiu atenção dos produtores à evolução das estruturas reprodutivas. Porém, até o momento, não alterou de forma significativa o potencial produtivo.  

Aveia-branca 

As lavouras de aveia-branca apresentam desenvolvimento variável entre as regiões do Estado, mas ainda predomina o estágio final da fase vegetativa. Como resultado da elevada umidade no ambiente e das temperaturas amenas, observou-se o aumento da incidência de doenças, especialmente ferrugens, manchas foliares e giberela, exigindo maior monitoramento e controle.  

Embora algumas áreas mantenham bom desenvolvimento e sanidade, há registros de queda no potencial produtivo devido à maior incidência de doenças e à elevada umidade em alguns cultivos. 

Cevada 

As lavouras de cevada apresentam padrão satisfatório. Entretanto, houve redução no ritmo de desenvolvimento devido à baixa luminosidade e à recorrência de chuvas. Observa-se amarelecimento das folhas basais em parte das áreas, mesmo sem elevada incidência de doenças até o momento. 

Há preocupação dos produtores com a evolução da cultura para os estádios reprodutivos sob elevada umidade, pois se eleva o risco de doenças fúngicas, especialmente de giberela, cuja infecção ocorre durante o florescimento. A recorrência das precipitações tem reduzido as janelas para a realização dos tratamentos preventivos, que precisam ser efetuados antes da infecção pelo patógeno.  

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