PR Safra 2025/26: olericultura movimenta R$ 5,7 bilhões

Batata, tomate e mandioca in natura estão entre os principais destaques do segmento

20.08.2026 | 15:50 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações do Deral

A olericultura paranaense movimentou cerca de R$ 5,7 bilhões em Valor Bruto da Produção (VBP), o equivalente a 2,7% dos R$ 216 bilhões gerados pela agropecuária do Paraná. Em uma área de 115,2 mil hectares, foram colhidas 3,1 milhões de toneladas de hortaliças.

Batata, tomate e mandioca in natura estão entre os principais destaques do segmento. Juntas, essas culturas responderam por 44,7% da área cultivada, 51,9% do volume produzido e 40% do VBP da olericultura estadual.

Os dados constam no Boletim Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (20/8) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

Curitiba lidera a produção

O principal polo da olericultura no Paraná é o Núcleo Regional (NR) de Curitiba. Segundo o engenheiro agrônomo do Deral Paulo de Souza Andrade, a região cultivou 42,6 mil hectares, colheu 997,9 mil toneladas e gerou R$ 1,95 bilhão em VBP.

Os números correspondem a 37% da área estadual destinada às hortaliças, 32,6% do volume colhido e 34,3% do VBP do setor. A diversidade produtiva é uma das características da região, que reúne 50 espécies cultivadas.

Couve-flor, brócolis, mandioca in natura, batata e alface se destacam entre as principais atividades. Essas culturas responderam por 49,3% da área, 47% do volume produzido e 45,8% do VBP da olericultura no núcleo regional.

Batata impulsiona Guarapuava

A batata, cultivada em duas safras, é a principal atividade da olericultura na região de Guarapuava. O Núcleo Regional produziu 308,4 mil toneladas do tubérculo em uma área de 8 mil hectares, com VBP de R$ 240,1 milhões.

A cultura representou 69,1% da área destinada à olericultura na região, 70,6% do volume colhido e 54,9% da renda bruta regional do segmento.

Ao todo, 39 espécies de hortaliças são exploradas no NR de Guarapuava. A produção alcançou 436,8 mil toneladas em 11,5 mil hectares e gerou R$ 437,4 milhões em VBP. Com esses resultados, a região ocupa a segunda posição no Estado em importância econômica para a olericultura, respondendo por 7,7% do VBP estadual do setor, 14,3% da produção e 10% da área cultivada.

Ponta Grossa ocupa terceira posição

O Núcleo Regional de Ponta Grossa é o terceiro mais importante da olericultura paranaense, com VBP de R$ 385,1 milhões e participação de 6,8% no valor bruto estadual do segmento. Na região, são cultivadas 40 espécies.

O tomate e a batata, ambos cultivados em duas safras, estão entre os principais motores da atividade. O tomate ocupou 775 hectares e alcançou produção de 60,2 mil toneladas, com VBP de R$ 188,6 milhões.

Já a batata foi cultivada em 4,2 mil hectares, com produção de 125,6 mil toneladas e renda bruta de R$ 94,3 milhões.

Juntas, as duas culturas responderam por 61,2% da área destinada à olericultura, 74,8% do volume colhido e 73,5% do VBP regional.

Jacarezinho e Apucarana também se destacam

Com 41 espécies cultivadas, o Núcleo Regional de Jacarezinho ocupa a quarta posição na olericultura estadual e responde por 6,5% do VBP do segmento no Paraná. Pimentão, tomate, cultivado em duas safras, e pepino foram as principais atividades da região. Juntas, essas culturas responderam por 55,1% dos R$ 368,9 milhões de VBP regional.

A produção total do núcleo alcançou 138,9 mil toneladas em 5,2 mil hectares. As três principais culturas ocuparam 1,1 mil hectares, o equivalente a 20,7% da área regional, e produziram 75,5 mil toneladas, ou 55,1% do total colhido.

No Núcleo Regional de Apucarana, a olericultura ocupou 4,6 mil hectares, resultando em produção de 186,4 mil toneladas e VBP de R$ 367 milhões. A região responde por 6,5% das rendas brutas estaduais do setor e reúne 32 espécies cultivadas.

A cenoura e as duas safras de tomate foram responsáveis por 63,6% do VBP regional, 58,1% do volume produzido e 42,7% da área cultivada. A cenoura, isoladamente, respondeu por mais de um terço da renda bruta regional, com 1,6 mil hectares cultivados, produção de 68,8 mil toneladas e VBP de R$ 111,1 milhões.

Com condições climáticas oscilantes, a colheita da segunda safra de milho 2025/26 no Paraná avançou 13 pontos percentuais em relação à semana anterior. Nesta semana, 73% dos mais de 2,9 milhões de hectares plantados já haviam sido colhidos, ante 60% registrados na semana anterior.

O mercado do cereal também apresentou alta nos preços. Segundo o analista do Deral Edmar Wardensk Gervasio, a saca de 60 quilos recebida pelo produtor encerrou a semana cotada a R$ 56,79, valor 7,8% superior ao preço médio de julho. Na comparação com a média registrada em agosto de 2025, os preços atuais estão 11% mais elevados.

Parte da valorização no mercado doméstico é explicada pela alta das cotações internacionais. Na Bolsa de Chicago, o milho registrou valorização de aproximadamente 22% na comparação entre a cotação desta semana e a observada no mesmo período de agosto de 2025.

No mesmo intervalo, porém, o dólar apresentou queda de 4%, limitando uma valorização ainda maior dos preços no mercado interno.

Por outro lado, a oferta doméstica do cereal permanece elevada, uma vez que o Paraná está em plena colheita da segunda safra. O aumento da disponibilidade tende a pressionar as cotações, especialmente porque a maior parte do milho produzido no Estado é destinada ao mercado doméstico.

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