Excesso de chuva desafia plantio da safra 2026/27 no RS
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A produção de trigo no Paraná deve ficar em 2,13 milhões de toneladas na safra 2026, segundo a atualização do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. O volume representa uma redução de aproximadamente 10% em relação às 2,37 milhões de toneladas projetadas inicialmente, em razão principalmente das condições climáticas registradas ao longo de agosto e setembro.
A produtividade, que era estimada em cerca de 54 sacas por hectare, foi revisada para 49 sacas por hectare. Segundo o coordenador da Divisão de Conjuntura Agropecuária do Deral, Carlos Hugo Winckler Godinho, as temperaturas acima da média e o excesso de chuvas contribuíram para a redução da expectativa.
A área cultivada permanece estimada em 727 mil hectares. O Paraná é atualmente o segundo maior produtor de trigo do Brasil e já concluiu quase metade da colheita.
Mesmo com o avanço da colheita, as cotações permanecem em níveis superiores aos registrados na entressafra, influenciadas também pela valorização dos preços internacionais. Para os produtores, a alta contribui para compensar parte das perdas provocadas pela menor produtividade. Para a indústria, porém, o cenário representa aumento nos custos de aquisição da matéria-prima.
A menor disponibilidade de trigo no Paraná, especialmente de cereal com qualidade adequada para a moagem, deve levar os moinhos do estado a buscar fornecedores em outras regiões.
De acordo com o Deral, o Rio Grande do Sul aparece como principal alternativa dentro do mercado nacional, já que a produção gaúcha deve apresentar oferta superior à demanda. Com o esgotamento dessa disponibilidade, Paraguai e Argentina também podem ampliar sua participação no abastecimento da indústria paranaense.
O impacto é relevante para o setor de moagem. Em 2025, os moinhos do Paraná responderam por 30% da produção nacional de farinhas, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo).
O levantamento realizado pelo Deral a partir do avanço da colheita também é utilizado como uma das principais referências para a atualização das estimativas de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No entanto, segundo o departamento, os dados paranaenses não devem provocar mudanças significativas na atual projeção nacional, que já considera uma produtividade semelhante à estimada pelo estado.
A produção brasileira de trigo está estimada pela Conab em 5,7 milhões de toneladas, volume 27% inferior ao registrado na safra anterior. Eventuais alterações na estimativa nacional dependerão principalmente do desempenho de outros estados produtores, com destaque para o Rio Grande do Sul, que lidera a produção brasileira.
Para a safra de verão, o Deral revisou a expectativa de produção de soja do Paraná para 22,59 milhões de toneladas em 2026/27. A área estimada é de 5,74 milhões de hectares.
O plantio já alcançou 15% da área prevista. De acordo com o analista de mercado do Deral, Edmar Wardensk Gervasio, todas as lavouras já implantadas apresentam boas condições.
O cenário é favorecido pelo clima e pela disponibilidade de umidade no solo, fatores que têm contribuído para o avanço das atividades de campo.
No milho de primeira safra 2026/27, a área projetada é de 371 mil hectares, aumento de 1,5% em relação à safra anterior. A produção esperada é de 4,07 milhões de toneladas.
O plantio alcançou 56% da área prevista. Das lavouras implantadas, 94% apresentam boas condições, enquanto 6% estão classificadas em condição mediana, conforme o levantamento do Deral.
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