Mercado de bioinsumos deve crescer até 10% em 2026

Projeção da Anpii Bio aponta avanço em volume, mesmo com pressão sobre preços e compras mais cautelosas

24.09.2026 | 08:26 (UTC -3)
Letícia Rodrigues

Mesmo diante de um cenário de maior cautela nas compras e pressão sobre os preços, o mercado brasileiro de bioinsumos deve encerrar 2026 com crescimento de 5% a 7% em valor de vendas e de cerca de 10% em volume, na comparação com 2025, segundo projeção da Anpii Bio (Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos).

No primeiro semestre de 2026, o mercado cresceu 7% em volume em relação ao mesmo período de 2025. Em valor de vendas, porém, não houve crescimento, principalmente em razão do atraso nas compras e maior pressão de preços nos insumos agrícolas.

A desaceleração foi mais evidente no segundo trimestre, quando se intensificaram os problemas relacionados a preços e suprimento de fertilizantes e aumentaram as incertezas sobre os preços futuros das principais commodities agrícolas. Com isso, produtores retardaram decisões de compra e passaram a concentrá-las mais próximas do início do plantio da safra de verão.

“O crescimento em volume mostra que a adoção dos bioinsumos continua avançando, mesmo em um ambiente mais desafiador. Por outro lado, a diferença entre volume e valor evidencia a pressão sobre os preços médios, uma dinâmica que a indústria já vem acompanhando nos últimos anos. A expectativa é de recuperação do ritmo de compras no segundo semestre, sustentando um fechamento positivo para 2026”, afirma Larissa Bonotto (na foto), diretora de operações da Anpii Bio.

Os dados integram a Plataforma de Inteligência de Mercado da Anpii Bio e foram apresentados pela 5P2R Marketing de Precisão às indústrias associadas à entidade no fim de agosto. A plataforma reúne uma série histórica iniciada em 2009 e atualmente conta com dados de 30 empresas, permitindo acompanhar a evolução do mercado e as principais mudanças na atuação da indústria.

Complexidade e valor agregado 

Além do avanço da adoção, os dados mostram uma transformação no perfil das tecnologias oferecidas ao mercado. Entre os biodefensivos, cresce a participação de produtos com mais de uma classe de uso, como nematicidas-fungicidas e acaricidas-inseticidas biológicos. Nos inoculantes, também avançam formulações que combinam mais de uma espécie de microrganismo.

Essas categorias representaram 22% do valor das vendas no primeiro trimestre de 2026, ante 16% em 2025, indicando uma oferta mais diversificada e de maior valor agregado, em contraste com um mercado anteriormente mais concentrado nos produtos tradicionais, contendo apenas Bradyrhizobium e Azospirillum.

“Essa mudança no mix é um dos sinais de amadurecimento do mercado. As empresas estão ampliando seus portfólios e incorporando tecnologias com diferentes funcionalidades e combinações de microrganismos. Também observamos uma diversificação na atuação das indústrias, que passaram a estar presentes em mais de um segmento, acompanhando a demanda por soluções cada vez mais integradas ao manejo agrícola”, explica Anderson Nora Ribeiro (na foto), sócio-fundador da 5P2R Marketing de Precisão, consultoria responsável pela Plataforma de Inteligência de Mercado da Anpii Bio.

A diversificação aparece na própria composição da indústria acompanhada pela plataforma: das 30 empresas analisadas em 2026, metade já atuam tanto com inoculantes quanto com defensivos biológicos, enquanto as demais mantêm atuação exclusiva em um dos dois segmentos. Como referência, no ano de 2022, esse percentual de empresas atuando com as duas categorias de produtos era de apenas 26%.

Nova etapa regulatória 

O desempenho do mercado ocorre paralelamente a uma mudança importante no ambiente regulatório, com a Lei dos Bioinsumos (Lei nº 15.070/2024) avançando para a etapa final de regulamentação. A expectativa do setor é de que o decreto seja publicado nas próximas semanas, abrindo caminho para a discussão das portarias e de outros atos infralegais que darão aplicação prática ao novo marco.

Para a Anpii Bio, a conclusão dessa etapa é importante para dar maior previsibilidade ao ambiente regulatório e acompanhar a evolução de uma indústria que vem ampliando escala, portfólio e investimentos em novas tecnologias.

“A indústria chega a essa nova etapa regulatória com um mercado que já avançou em adoção, escala e diversidade tecnológica. A regulamentação poderá contribuir para dar mais segurança e previsibilidade aos investimentos e ao desenvolvimento de novas soluções. O próximo desafio será transformar esse marco em regras aplicáveis, equilibradas e compatíveis com as características dos produtos biológicos”, pontua a diretora de operações da Anpii Bio.

A expectativa da entidade é que a regulamentação preserve os avanços construídos ao longo do processo de elaboração da Lei e do decreto, conciliando segurança, inovação, proporcionalidade e viabilidade operacional para a indústria, sem perder de vista as necessidades do produtor e as particularidades das diferentes tecnologias biológicas.

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