Formulação com citral e derivado reduz Rhizoctonia solani

Estudo aponta ação sinérgica com maior eficiência antifúngica e baixa citotoxicidade

22.02.2026 | 16:03 (UTC -3)
Revista Cultivar

Uma combinação de citral com derivado aciltioureico reduziu o crescimento micelial e a formação de escleródios de Rhizoctonia solani, fungo de solo que causa perdas em culturas como arroz, milho e soja. Estudo de pesquisadores chineses identificou a formulação CE4 como a mais eficiente entre 22 derivados testados, com concentração efetiva (EC50) de 10,97 mg/L, valor inferior ao do citral isolado, que alcançou 34,75 mg/L.

Pesquisadores combinaram citral, composto orgânico natural que pertence à família dos terpenos, ao derivado e4 na proporção molar de 25%. A mistura apresentou razão de sinergismo (SR) de 2,23. O resultado indicou efeito superior ao esperado pela soma das substâncias isoladas.

Em placas de cultivo, a CE4 reduziu o diâmetro das colônias em 61,5%. O citral isolado reduziu 48,8%. O e4 isolado reduziu 32,9%. Em meio líquido, a CE4 diminuiu a massa seca do micélio em 79,9%. O citral reduziu 43,7%. O e4 reduziu 56,6%.

A mistura também limitou a formação de escleródios, estruturas que garantem sobrevivência e persistência do patógeno no solo. A CE4 reduziu a massa seca dos escleródios em 77,3%. O citral reduziu 52,8%. O e4 reduziu 54,4%.

Microscopia eletrônica

Análises em microscopia eletrônica mostraram danos estruturais mais intensos nas hifas tratadas com CE4. O tratamento elevou a condutividade elétrica relativa das células, sinal de aumento da permeabilidade da membrana.

A CE4 também reduziu o teor de ergosterol no micélio, componente essencial da membrana fúngica. O citral e o e4 isolados não provocaram alteração significativa nesse parâmetro.

O estudo registrou aumento de espécies reativas de oxigênio e alterações nas enzimas antioxidantes. A mistura diminuiu as atividades das enzimas SDH e MDH e reduziu os níveis de ATP. O resultado indica comprometimento do metabolismo energético do fungo.

Testes de citotoxicidade em três linhagens celulares de mamíferos apontaram taxas de sobrevivência superiores a 90% para os tratamentos. A combinação CE4 não elevou a toxicidade em relação ao citral isolado na concentração eficaz contra o fungo.

Os autores indicam que a estratégia pode ampliar a eficiência de compostos de origem vegetal no manejo de doenças causadas por Rhizoctonia solani. O trabalho sugere base experimental para o desenvolvimento de formulações antifúngicas de menor dose e maior estabilidade.

Mais informações em doi.org/10.1016/j.pestbp.2026.107027

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