Gene amplia tolerância do ácaro-rajado ao bifenazato

Silenciamento por RNAi eleva mortalidade de Tetranychus urticae e indica novo alvo molecular para manejo da resistência

21.02.2026 | 15:18 (UTC -3)
Revista Cultivar

A exposição subletal ao bifenazato induz a expressão de genes da família catepsina L em Tetranychus urticae. O gene TuCTS-L2 apresenta a maior superexpressão e amplia a tolerância do ácaro ao acaricida. O silenciamento desse gene por RNAi reduz a sobrevivência e acelera a mortalidade sob exposição ao produto. Os resultados apontam TuCTS-L2 como alvo potencial para estratégias de manejo da tolerância.

Os pesquisadores determinaram as concentrações letais LC10 e LC30 após 48 horas de exposição. Os valores alcançaram 0,481 mg/L e 2,292 mg/L, respectivamente. Essas doses orientaram os ensaios de estresse subletal.

O sequenciamento de transcriptoma identificou cinco genes da família catepsina L: TuCTS-L1, TuCTS-L2, TuCTS-L3, TuCTS-L4 e TuCTS-L5. Todos apresentaram superexpressão após exposição ao bifenazato. A expressão atingiu pico em 24 horas e depois caiu. TuCTS-L2 registrou o maior nível de expressão entre os cinco genes.

Análise diferencial

A análise diferencial apontou 3.247 genes modulados na LC10 e 1.441 genes na LC30, após 48 horas. As vias enriquecidas incluíram ribossomo, metabolismo de carbono e proteassoma.

Os autores clonaram o gene TuCTS-L2. O gene possui ORF de 975 pb e codifica 324 aminoácidos. A proteína apresenta domínio conservado da família C1 de peptidases cisteínicas e quatro sítios ativos. A análise filogenética indicou alta homologia com catepsina L de Panonychus citri.

O silenciamento por RNAi reduziu a expressão de TuCTS-L2 em 78,7%. O tratamento elevou a mortalidade mesmo sem exposição ao acaricida. Sob LC10 e LC30, os ácaros silenciados apresentaram queda acentuada na sobrevivência.

Na LC30, o grupo com TuCTS-L2 silenciado registrou 7,17% de sobrevivência em 72 horas. O tempo para atingir 50% de mortalidade (LT₅₀) caiu para 25,83 horas no grupo silenciado sob LC30. No grupo controle, o LT₅₀ alcançou 69,93 horas na mesma concentração.

Análise dos resultados

Os resultados indicam que TuCTS-L2 participa da resposta fisiológica ao estresse químico. A redução da expressão compromete a tolerância ao bifenazato. O gene integra o mecanismo adaptativo do ácaro sob exposição subletal.

Os autores sugerem que a interferência em genes da família catepsina L pode integrar estratégias de controle com base molecular. O alvo pode ampliar a eficiência do bifenazato e retardar a evolução da tolerância em campo.

Mais informações em doi.org/10.1016/j.pestbp.2026.107021

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