Chloris virgata tem resistência confirmada em Córdoba

Ensaios do INTA Manfredi identificaram biotipos resistentes a glifosato e a haloxifop-R-metil

19.05.2026 | 15:40 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar, a partir de informações do INTA
Foto: INTA
Foto: INTA

Ensaios de dose-resposta conduzidos pelo Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), em Manfredi, confirmaram a presença de dois biotipos de capim-pena (Chloris virgata) com perfis distintos de resistência no centro da província de Córdoba, na Argentina. Um biotipo, coletado em Costa Sacate, apresentou resistência ao glifosato. Outro, coletado em Colonia Cocha, apresentou resistência ao haloxifop-R-metil. A confirmação atualiza alerta divulgado em 2024, quando havia suspeita de resistência múltipla em um único biotipo da espécie.

A informação tem impacto direto no manejo da planta daninha em áreas agrícolas. Chloris virgata pertence ao grupo das clorídeas. O gênero tinha histórico de tolerância ao glifosato, com respostas variáveis ao herbicida. A confirmação de resistência muda o enquadramento do problema em parte da região produtiva argentina.

O trabalho técnico foi conduzido pelo engenheiro agrônomo Diego Ustarroz, pesquisador do INTA. A equipe avaliou sementes coletadas em áreas com falhas de controle em Colonia Cocha e Costa Sacate. Também usou material de lotes da própria estação experimental de Manfredi como referência suscetível.

Ensaios em vasos

Os ensaios ocorreram em vasos. As plantas receberam tratamentos no estádio de duas a quatro folhas. Os pesquisadores aplicaram doses crescentes de glifosato, haloxifop-R-metil e cletodim. Aos 20 dias após a aplicação, a equipe mediu a sobrevivência das plantas e a biomassa seca em relação à testemunha sem herbicida. Os índices de resistência resultaram da comparação entre as doses capazes de causar 50% de mortalidade ou 50% de redução de biomassa no biotipo resistente e no suscetível.

O biotipo Costa Sacate apresentou resistência ao glifosato. Na dose de bula, equivalente a 756 gramas de equivalente ácido por hectare, 60% das plantas sobreviveram. O índice de resistência atingiu 4 para sobrevivência e 2,97 para biomassa. O estudo classificou esses valores como moderados, mas registrou baixa supressão de crescimento em ensaios de campo com plantas no início do perfilhamento e boa umidade no solo.

Esse biotipo manteve suscetibilidade ao haloxifop-R-metil e ao cletodim. Segundo informações do INTA, esses herbicidas podem controlar o material de Costa Sacate. A informação reforça a necessidade de conhecer o perfil do biotipo presente em cada área antes da escolha do pós-emergente.

O biotipo Colonia Cocha apresentou resistência ao haloxifop R-metil. Os índices de resistência chegaram a 65 para sobrevivência e 48,3 para biomassa. O estudo registrou sobrevivência de parte das plantas até com 16 vezes a dose de bula, equivalente a 864 gramas de ingrediente ativo por hectare.

Esse biotipo não foi considerado resistente ao glifosato, pois o controle na dose de bula resultou total nas condições do ensaio. Mesmo assim, o material mostrou menor suscetibilidade em comparação ao biotipo Manfredi. O INTA também relatou controle parcial e rebrote em ensaios com plantas em perfilhamento.

O cletodim controlou todos os biotipos na avaliação de dose de bula, mas o controle do biotipo Colonia Cocha não chegou ao total aos 20 dias após a aplicação. Para esse material, os pesquisadores recomendam a mistura de glifosato com cletodim.

Chloris virgata

Chloris virgata tem ciclo anual de verão e perfilha. A planta pode superar um metro de altura, produzir mais de 40 mil sementes por planta e gerar até 600 gramas de matéria seca por metro quadrado em condições favoráveis. As sementes se dispersam por vento e água. A emergência ocorre em fluxos escalonados, desde o fim do inverno até o verão, o que reduz a eficácia de intervenções únicas.

Levantamentos da Rede de Manejo de Pragas da Aapresid indicam avanço do grupo Chloris sp. / Leptochloa sp. na Argentina. Em 2025, o grupo apareceu em 185 departamentos e em mais de 11 milhões de hectares agrícolas. Córdoba, Santa Fe e Santiago del Estero concentraram as maiores áreas afetadas. Em lotes com alta infestação, as perdas de rendimento em cultivos de verão podem superar 80%.

O manejo indicado pelo INTA combina herbicidas pós-emergentes com residuais aplicados em pré-emergência. São citados piroxasulfone, sulfometuron + clorimuron e diclosulam como opções com alta eficácia registrada para controle preemergente da espécie. O uso de haloxifop permanece como alternativa apenas em áreas com biotipos sem resistência ao produto, como o material de Costa Sacate.

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