SC registra alta circulação do vírus do raiado fino no milho

Monitoramento da Epagri mostra aumento da infectividade da cigarrinha-do-milho ao longo da safra 2025/26

18.05.2026 | 15:34 (UTC -3)
Karin Moraes, edição Revista Cultivar

O Programa Monitora Milho Santa Catarina divulgou nesta segunda-feira (18/5) o último informe da safra 2025/26, apontando alta circulação do vírus do raiado fino do milho (MRFV) nas lavouras catarinenses. O levantamento, conduzido ao longo de 40 semanas em mais de 50 áreas de cultivo no estado, acompanhou a dinâmica populacional da cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) e a presença de patógenos associados aos enfezamentos da cultura.

Segundo os dados da Epagri, o MRFV foi o patógeno mais frequente durante a safra, identificado em 41,35% das amostras analisadas. A pesquisadora da Epagri e responsável pelo programa, Maria Cristina Canale, explica que, apesar de os danos provocados pelo vírus normalmente serem mais localizados e menos severos que os causados pelas bactérias associadas aos enfezamentos, a elevada recorrência preocupa.

“O vírus do raiado fino manteve alta prevalência durante praticamente todo o ciclo produtivo, chegando próximo de 80% entre as semanas 31 e 35. Isso mostra que, ao final da safra, a maioria das cigarrinhas estava infectada”, destaca.

O vírus do mosaico estriado (MSMV) apareceu em segundo lugar entre os patógenos detectados, presente em 17,9% das amostras. Na sequência estão a bactéria do espiroplasma do enfezamento-pálido (CSS), com 10,84%, e o fitoplasma do enfezamento-vermelho (MBSP), com 5,97%.

De acordo com o monitoramento, o enfezamento-pálido apresentou maior infectividade no início da safra, entre as semanas um e dez, quando alcançou cerca de 25% das amostras. Após esse período, os índices se estabilizaram. Já o vírus do mosaico estriado apresentou comportamento mais irregular, com crescimento da infecção na fase final da safra.

O fitoplasma do enfezamento-vermelho, por sua vez, manteve baixa incidência ao longo de praticamente todo o ciclo, raramente ultrapassando 20% de infectividade.

População da cigarrinha cresceu no fim da safra

O relatório também identificou mudanças expressivas na população da cigarrinha-do-milho ao longo da safra 2025/26 em Santa Catarina. Entre as semanas um e 15, os níveis do inseto permaneceram próximos de zero. A partir da semana 16, no entanto, houve aumento gradual da população, intensificado conforme o avanço dos estádios das lavouras.

Entre as semanas 28 e 40 foram registrados os maiores picos populacionais, com destaque para a semana 33, quando a média superou 100 cigarrinhas por armadilha.

Outro momento considerado importante ocorreu na semana 20, coincidindo com o início da semeadura da safrinha em parte das regiões produtoras do estado. Após a semana 25, o aumento populacional tornou-se mais expressivo, evidenciando grandes diferenças de infestação entre propriedades.

As regiões Oeste, Extremo-Oeste e Planalto Norte concentraram os cenários mais críticos da safra. Em boa parte das armadilhas instaladas nessas áreas, foram registrados mais de 30 insetos por armadilha, considerado o limite de risco para os produtores. O levantamento final apontou média estadual de 50 cigarrinhas por armadilha no encerramento da safra.

Manejo na entressafra é recomendado

A pesquisadora reforça que a cigarrinha-do-milho e os patógenos associados podem sobreviver durante a entressafra em plantas voluntárias de milho, conhecidas como “tigueras”, que funcionam como ponte verde para a próxima temporada. Por isso, a recomendação é intensificar o manejo dessas plantas entre 30 e 60 dias antes da semeadura da safra 2026/27, reduzindo a pressão inicial da praga nas lavouras.

O controle pode ser realizado por métodos mecânicos ou químicos, além da adoção de práticas como sincronização do plantio, utilização de híbridos com resistência genética e uso de sementes tratadas com inseticidas.

Programa monitorou mais de 1,3 mil armadilhas

Ao longo das 40 semanas de acompanhamento, o Programa Monitora Milho SC publicou 36 informes técnicos, analisando 1.394 armadilhas e 1.642 amostras laboratoriais por meio de testes de PCR para detecção de quatro patógenos do milho. O trabalho foi conduzido pela Epagri em parceria com a Cidasc e a Udesc, com análises laboratoriais realizadas no Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar da Epagri, em Chapecó, e apoio da Fapesc.

Segundo Maria Cristina Canale, as informações geradas pelo monitoramento são fundamentais para orientar estratégias regionais de manejo integrado e reduzir os impactos dos enfezamentos nas próximas safras. “O setor produtivo precisará conviver cada vez mais com esse problema, adotando ações integradas e regionalizadas para reduzir os prejuízos causados pela cigarrinha-do-milho”, conclui.

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