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O mercado agropecuário catarinense segue marcado por forte volatilidade de preços, pressão climática e cautela dos produtores no planejamento da próxima safra. O cenário é detalhado no Boletim Agropecuário de maio, divulgado pela Epagri/Cepa, que aponta redução da área de trigo, firmeza no mercado do feijão e oscilações importantes nas cadeias de arroz, milho, soja, hortaliças e frutas.
O trigo é uma das culturas que mais preocupa o setor. Apesar da recuperação recente nos preços, a expectativa é de forte retração da área cultivada em Santa Catarina. Em abril, a saca de 60 quilos teve valorização de quase 2%, encerrando o mês em R$ 62,45, mas ainda acumula queda de 19,46% em 12 meses. A combinação entre custos elevados de produção, maior dificuldade no acesso ao crédito e riscos climáticos associados ao El Niño desestimula investimentos. Levantamentos preliminares indicam redução de até 30% da área nas regiões Extremo Oeste, Oeste e Meio-Oeste do estado.
No arroz, o mercado reagiu em abril, com alta superior a 9% em Santa Catarina e de 6,5% no Rio Grande do Sul. Mesmo assim, o movimento perdeu força em maio, com estabilização e leves recuos nos preços. A média parcial catarinense ficou em R$ 57,35 por saca de 50 quilos. Segundo o boletim, a valorização foi pontual e motivada pela baixa liquidez do mercado, já que produtores seguem retraídos diante de preços considerados insuficientes para cobrir os custos de produção. No comércio exterior, as exportações mostram recuperação em 2026, com crescimento de quase 111% no valor exportado entre janeiro e abril. Em Santa Catarina, a colheita está praticamente concluída, com produção estimada em 1,26 milhão de toneladas.
O milho também enfrenta pressão no mercado. Em abril, o preço médio ao produtor caiu quase 2%, fechando em R$ 58,65 por saca. O avanço da colheita da safra de verão, as boas perspectivas para a segunda safra nacional e a expectativa de elevada oferta em 2026 pressionam as cotações. O clima em maio é considerado decisivo para o desempenho da segunda safra no Brasil e nos Estados Unidos. Ainda assim, a forte demanda para etanol, rações e exportações de DDGS ajuda a sustentar o mercado. Em Santa Catarina, a produção das últimas duas safras, estimada em cerca de 2,6 milhões de toneladas, contribui para reduzir o déficit estadual do cereal.
A soja também registrou desvalorização em abril. O preço médio ao produtor caiu 4% em Santa Catarina, encerrando o mês em R$ 116,90 por saca. O recuo é influenciado pela safra recorde brasileira, estimada em 178 milhões de toneladas pela Conab, além do aumento da oferta mundial. O relatório mais recente do USDA elevou a projeção global de produção para 441,5 milhões de toneladas. Em Santa Catarina, a cultura apresentou retração em área, produtividade e produção. A safra estadual deve somar 2,89 milhões de toneladas, com possibilidade de ultrapassar 3 milhões de toneladas considerando a segunda safra.
Na fruticultura, o mercado da banana apresentou comportamentos distintos entre variedades. A banana-caturra recuou 20% entre março e abril, pressionada pela maior oferta estimulada pelas altas temperaturas desde o verão. Já a banana-prata teve leve valorização de 2,4%, sustentada pela menor disponibilidade da fruta. A produção estadual total deve crescer 0,24% na safra 2025/26, impulsionada pelo aumento de área cultivada.
O alho catarinense segue enfrentando dificuldades de rentabilidade. Apesar do avanço na comercialização, os preços recuaram em abril devido ao excesso de oferta interna e às importações. O valor pago ao produtor caiu 11%, para R$ 6,75 por quilo, permanecendo abaixo do custo de produção. O setor também acompanha com atenção os possíveis impactos do El Niño sobre o plantio previsto para junho e julho.
Em sentido oposto, a cebola catarinense ganhou espaço no mercado durante a entressafra nacional. A forte demanda elevou o preço médio ao produtor em 23%, para R$ 2,06 por quilo. O produto armazenado mantém boa qualidade, embora haja registros pontuais de perdas por doenças e deterioração da casca.
O feijão permanece como um dos destaques positivos do mercado agrícola catarinense em termos de preços. Em abril, o feijão-carioca valorizou 9,23%, com média de R$ 259,29 por saca de 60 quilos, enquanto o feijão-preto subiu 2,18%. A alta é reflexo da menor oferta nacional, causada pela redução de área plantada e problemas climáticos em importantes regiões produtoras.
De acordo com o analista da Epagri/Cepa, João Rogério Alves, a tendência é de manutenção dos preços elevados diante da restrição de oferta. “A instabilidade das cotações também afeta a tomada de decisão no campo e reduz a intenção de plantio, criando, mesmo com o cultivo em três safras ao longo do ano, janelas de escassez para os feijões carioca e preto”, afirmou.
Em Santa Catarina, a cultura sofreu forte impacto climático nas duas safras. Na primeira safra, a área plantada caiu 24%, enquanto a produção deve recuar 26,6%. Já na segunda safra, a retração da área supera 40%, reflexo do elevado risco climático e da cautela dos produtores. O excesso de chuvas no fim de abril também gera preocupação em importantes regiões produtoras, como Chapecó, Xanxerê e Curitibanos, devido ao risco de atrasos na colheita e perdas de qualidade.
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