RS Safra 2026/27: chuvas desafiam início do ciclo

Excesso de umidade afeta a semeadura do milho e restringe operações em culturas de inverno

28.08.2026 | 14:35 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações da Emater/RS

A semeadura da primeira safra de milho do ciclo 2026/27 está em fase inicial no Rio Grande do Sul. De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS, o ritmo dos trabalhos tem sido condicionado pela elevada umidade dos solos e pela ocorrência de chuvas, que limitam o acesso do maquinário e, em algumas localidades, prejudicam as condições de plantabilidade.

As áreas já implantadas avançam para os estádios iniciais de emergência e desenvolvimento vegetativo, favorecidas pelas temperaturas mais elevadas registradas no início do período. Nas regiões onde houve maior abertura da janela operacional indicada pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), especialmente no noroeste do Estado, a semeadura avançou de forma mais expressiva.

Em localidades mais frias ou com maior persistência de umidade, a implantação ainda ocorre de maneira pontual. Os produtores intensificaram os preparativos de pré-plantio, e a expectativa é de aceleração da semeadura à medida que aumentem os períodos de baixa precipitação.

Nas primeiras áreas emergidas, foram observados insetos sugadores, especialmente cigarrinhas e percevejos. Em parte das lavouras, houve necessidade de intervenções de controle.

A área destinada ao cultivo de milho no Rio Grande do Sul na safra 2026/27 ainda está em levantamento pela Emater/RS. As projeções iniciais indicam tendência de aumento da área cultivada.

Culturas de inverno — ciclo 2025/26

Trigo

As lavouras de trigo apresentam desenvolvimento dentro da normalidade, embora a baixa luminosidade e as chuvas frequentes tenham limitado o ritmo de crescimento e a realização de operações de manejo nas diferentes regiões produtoras.

O estádio fenológico predominante é o desenvolvimento vegetativo, que concentra 61% da área. As parcelas mais adiantadas estão em floração (28%), enchimento de grãos (10%) e maturação (1%).

Nas áreas em floração, a combinação de elevada umidade relativa, nebulosidade e precipitações aumentou o risco de doenças da espiga, especialmente giberela, exigindo monitoramento para possível ocorrência de infecção floral. Também foram observados sintomas de doenças foliares e oídio, sobretudo em cultivos com maior disponibilidade de nitrogênio.

O excesso de umidade do solo tem restringido a entrada de máquinas e retardado aplicações de nitrogênio e produtos fitossanitários. As geadas de intensidade variável registradas no período ainda não permitem dimensionar de forma consolidada eventuais danos, considerando a predominância de áreas em estádios vegetativos.

Apesar das restrições impostas pelas condições ambientais, as lavouras apresentam, de modo geral, condições satisfatórias, com o potencial produtivo ainda preservado.

A Emater/RS projeta área de 814.220 hectares de trigo para a safra 2026, com produtividade média estimada em 2.701 kg/ha.

Canola

A canola está predominantemente em estádios reprodutivos, com 62% da área em floração e 28% em enchimento de grãos. As áreas mais tardias, que correspondem a 8%, ainda estão em desenvolvimento vegetativo, enquanto 2% encontram-se em maturação.

O desempenho das lavouras é, em geral, satisfatório, e o potencial produtivo nas principais regiões produtoras permanece adequado.

A disponibilidade de umidade tem sustentado o desenvolvimento das plantas, embora o excesso de precipitações e a baixa luminosidade tenham provocado restrições pontuais, principalmente à entrada de máquinas e à manutenção do ritmo de manejo. Nas áreas em floração, o ambiente úmido exige acompanhamento fitossanitário. Já as lavouras em formação e enchimento de síliquas apresentam evolução adequada.

Segundo a Emater/RS, ainda não foi possível realizar um levantamento dos eventuais impactos das geadas sobre as áreas cultivadas. A área de canola está estimada em 353.397 hectares, com produtividade média de 1.619 kg/ha.

Carinata

As lavouras de carinata encontram-se principalmente em estádios reprodutivos, com 63% da área em floração plena e 27% em enchimento de grãos. Os estádios vegetativo e de maturação correspondem, respectivamente, a 9% e 1% da área cultivada.

O desenvolvimento é considerado satisfatório, com evolução adequada das estruturas reprodutivas. A melhora da luminosidade durante o período favoreceu a atividade dos polinizadores nas áreas em florescimento e contribuiu para o avanço do enchimento dos grãos nas lavouras mais adiantadas.

Aveia-branca

As lavouras de aveia-branca estão distribuídas entre os estádios de desenvolvimento vegetativo (30%), floração (35%), enchimento de grãos (33%) e maturação (2%). Algumas áreas pontuais já foram colhidas, mas ainda sem expressão estatística.

A sanidade dos cultivos é considerada adequada, embora as temperaturas e a recorrência de chuvas tenham influenciado a evolução do ciclo. Nas áreas onde o manejo fitossanitário foi realizado com maior intensidade, observa-se melhor condição sanitária, enquanto a incidência de doenças permanece pontual.

A proximidade do final do ciclo em algumas lavouras também evidencia diferenças relacionadas à época de implantação, inclusive em áreas semeadas antes do período preferencial indicado pelo Zarc.

A área estimada de plantio é de 387.697 hectares, com produtividade média estadual projetada em 2.322 kg/ha.

Cevada

A cevada apresenta distribuição fenológica concentrada no desenvolvimento vegetativo, que corresponde a 78% da área estadual. Outros 16% estão em floração e 6% em enchimento de grãos.

O excesso de umidade e a persistência de condições climáticas pouco favoráveis têm reduzido o ritmo de desenvolvimento das plantas, com ocorrência de amarelecimento na base.

A elevada umidade do solo também restringe as operações mecanizadas neste início da fase reprodutiva, aumentando a sensibilidade das lavouras à umidade e ao risco de doenças de espiga, especialmente giberela.

A área estimada de cultivo é de 20.320 hectares, com produtividade média de 3.020 kg/ha.

Olerícolas

O excesso de umidade do solo nas últimas semanas tem imposto desafios aos produtores de hortaliças em algumas regiões do Estado. Em Bagé, o apodrecimento das plantas já compromete o cumprimento de contratos com escolas, além do abastecimento de mercados e feiras.

Pequenas áreas de mandioca que ainda não foram colhidas estão praticamente perdidas. Também foram registradas perdas em áreas de repolho, alface e rúcula, principalmente em razão da umidade elevada e da baixa radiação solar.

Em Hulha Negra, o granizo provocou danos em estufas de produção de hortaliças, afetando diretamente cultivos de cebola, repolho, alface e beterraba.

A Emater/RS também destaca o aumento da pressão de plantas invasoras e recomenda maior atenção dos produtores, com reforço nas estratégias de controle.

Frutícolas

A colheita de variedades tardias de citros está em andamento na região administrativa da Emater/RS de Ijuí. Após resultados satisfatórios nos cultivos precoces, a expectativa para a produção permanece positiva.

O preço recebido pelo produtor, entretanto, segue reduzido: R$ 0,50/kg para a indústria e entre R$ 2,50 e R$ 2,87/kg para o mercado in natura.

Na cultura do morango, os dias quentes e ensolarados favoreceram o desenvolvimento das plantas e a maturação dos frutos. A colheita avança com boa qualidade e preços estáveis.

Na viticultura, as brotações das videiras devem começar nos próximos dias, uma vez que as gemas já apresentam inchamento. As cultivares precoces já se encontram em frutificação. Os produtores seguem com os trabalhos de poda, amarração e limpeza dos parreirais.

A cultura do pêssego está na fase de raleio dos frutos e recebe tratamentos fitossanitários. Já o transplantio de melão e melancia ocorre em ritmo lento devido às dificuldades enfrentadas pelos produtores no preparo das áreas.

Previsão do tempo

A próxima semana será marcada pelo retorno das chuvas ao Rio Grande do Sul. Entre 27 e 31 de agosto, o avanço de uma frente fria provocará instabilidade em diferentes regiões. Nos dias 27 e 28, as precipitações ficarão mais concentradas na metade sul e no litoral. Entre 29 e 31, a chuva avançará para a Metade Norte e o Litoral, enquanto as temperaturas estarão em elevação.

Nos dias 1º e 2 de setembro, a atuação de uma área de alta pressão deverá trazer maior estabilidade ao Estado, com declínio das temperaturas e previsão de chuva apenas em pontos isolados. Os acumulados previstos para a semana variam entre 0 e 150 mm, com possibilidade de volumes superiores de forma pontual.

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