RS Safra 2025/26: chuvas atrasam colheita da soja

Umidade elevada reduz qualidade dos grãos e amplia perdas em áreas do estado

16.04.2026 | 16:32 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações da Emater/RS

A colheita da soja no Rio Grande do Sul avançou de forma irregular e atingiu 50% da área cultivada, segundo a Emater/RS. As operações ficaram concentradas em curtas janelas de tempo seco, enquanto a recorrência de chuvas manteve elevada a umidade do solo e das plantas, dificultando a entrada de máquinas e interrompendo os trabalhos no campo.

Ainda predominam lavouras em maturação (36%), enquanto 14% seguem em enchimento de grãos e floração, refletindo a diversidade de épocas de plantio. Em áreas mais representativas, há registros de perda gradual de qualidade, com presença de grãos verdes, retenção foliar e aumento de impurezas, associados à umidade no momento da colheita.

A produtividade apresenta grande variabilidade entre regiões e até dentro de um mesmo município, em função da irregularidade das chuvas ao longo do ciclo. Em áreas com melhor distribuição hídrica e manejo mais tecnificado, os rendimentos são considerados adequados. Já nas áreas mais afetadas, as perdas são expressivas, com registros de produtividade abaixo do custo de produção. A estimativa média estadual é de 2.871 kg/ha em uma área de 6,62 milhões de hectares.

No milho, a colheita chegou a 86% da área, com avanço condicionado pelas chuvas e pela priorização de culturas mais sensíveis. Apesar da variabilidade, predominam grãos de boa qualidade nas áreas já colhidas, embora haja perdas pontuais devido ao atraso e à umidade elevada. A produtividade média é estimada em 7.424 kg/ha, em 803 mil hectares.

Para o feijão, a colheita da primeira safra está concluída, mas com impactos negativos nos Campos de Cima da Serra, onde condições climáticas adversas reduziram os rendimentos, com registros próximos de 1.200 kg/ha. A média estadual é estimada em 1.781 kg/ha. Já a segunda safra apresenta bom desenvolvimento, favorecida pela umidade e temperaturas elevadas, com expectativa de desempenho satisfatório.

Entre as olerícolas, as condições climáticas variáveis impactaram o ritmo de plantio e colheita em algumas regiões, mas, de modo geral, a qualidade dos produtos é considerada boa. Em áreas como Bagé e Erechim, as temperaturas mais amenas favoreceram as folhosas, enquanto em regiões como Pelotas, a irregularidade das chuvas dificultou o preparo do solo. Os preços da maioria das hortaliças seguem estáveis, com elevação pontual para tomate e pimentão.

Nas pastagens, o período marca uma transição no sistema forrageiro, com perda gradual de qualidade das áreas de verão e avanço na implantação das espécies de inverno. Apesar da oferta de volumoso ainda presente em diversas regiões, o valor nutricional está em queda. As chuvas recentes têm favorecido a germinação e o estabelecimento inicial das pastagens hibernais, influenciando o planejamento alimentar dos rebanhos no curto prazo.

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