Recuperação judicial no agro bate recorde em 2024

Setor registrou 1.272 pedidos ao longo do ano, mais que o dobro de 2023

01.04.2025 | 15:03 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações de Viviane Garcia

O número de pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro bateu recorde em 2024, segundo dados da Serasa Experian. Ao longo do ano, o setor registrou 1.272 solicitações, mais que o dobro do total de 2023, que foi de 534. O levantamento inclui produtores rurais atuando como pessoa física e jurídica, além de empresas relacionadas ao agro.

O crescimento dos pedidos reflete desafios enfrentados pelos produtores, como juros elevados, alta nos custos de insumos agrícolas e impactos das adversidades climáticas. “Os produtores mais alavancados sentiram fortemente os efeitos da inflação e da desvalorização cambial, o que comprometeu a capacidade de pagamento de dívidas”, explica Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian.

Aumento também no último trimestre

A análise trimestral também mostrou alta. No quarto trimestre de 2024, foram registrados 320 pedidos de recuperação judicial no setor, frente a 254 no terceiro trimestre. O aumento reforça a estimativa de que houve represamento de solicitações no período anterior.

“Apesar da alta expressiva, é importante contextualizar que, entre 2023 e 2024, cerca de 1,4 milhão de produtores tomaram crédito rural. O volume de pedidos de recuperação ainda representa uma fração pequena desse total”, pondera Pimenta.

Produtores pessoa física lideram pedidos

Entre os 1.272 pedidos de recuperação judicial no agro em 2024, 566 foram de produtores atuando como pessoa física, um salto expressivo em relação aos 127 registrados em 2023. Apenas entre o terceiro e o quarto trimestre do ano passado, a alta foi de 32,1%.

Já os produtores que atuam como pessoa jurídica somaram 409 pedidos, contra 162 em 2023. O segmento empresarial do setor agropecuário também registrou aumento, totalizando 297 solicitações ao longo do ano, contra 245 no período anterior.

Os estados com maior volume de pedidos foram Mato Grosso e Goiás, tanto entre produtores individuais quanto entre empresas. No recorte por setor, o cultivo de soja liderou as solicitações, seguido pela criação de bovinos e pelo cultivo de cereais.

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