Reciclagem de embalagens avança no meio rural

Programa itinerante atende produtores do RS e de Santa Catarina

13.05.2026 | 08:38 (UTC -3)
SindiTabaco

O Dia Mundial da Reciclagem, celebrado em 17 de maio, foi instituído pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) com o propósito de conscientizar a sociedade sobre a importância de reduzir, reutilizar e reciclar resíduos. Mais do que uma data simbólica, é um convite à adoção de práticas sustentáveis que contribuem para a preservação do meio ambiente e a redução do impacto do lixo.

Na produção de tabaco, essa conscientização se traduz em uma ação concreta: o Programa de Recebimento de Embalagens de Agrotóxico (Prea), que realiza um trabalho contínuo e estruturado junto aos produtores para garantir o correto destino dos recipientes vazios. Roteiros itinerantes percorrem 1.800 pontos em 394 municípios, beneficiando 111 mil produtores rurais. 

Neste mês de maio, as equipes de recebimento estão percorrendo a região Centro/Serra do Rio Grande do Sul, em roteiro que vai até 27. Após, haverá roteiro por 41 municípios da região Litoral de Santa Catarina, no período de 8 a 30 de junho. A ação do setor é uma das mais abrangentes e eficientes iniciativas de logística reversa no meio rural. 

Conforme a coordenadora do Programa, Fernanda Viana Bender, por meio de orientação e um cronograma organizado de recebimento, as embalagens plásticas rígidas passam por um processo que assegura sua reciclagem integral e 100% dos recipientes recolhidos são transformados em novos produtos, especialmente insumos utilizados na construção civil e na fabricação de novas embalagens de defensivos agrícolas.

Para que esse ciclo funcione de forma eficiente, os produtores desempenham um papel fundamental. Antes da devolução, é necessário realizar a chamada tríplice lavagem, procedimento que consiste em enxaguar a embalagem três vezes com água limpa e direcionar o conteúdo ao pulverizador. Em seguida, os recipientes devem ser perfurados e armazenados em sacos apropriados, sendo entregues limpos, secos e separados de suas tampas. Esse cuidado garante que o material esteja apto para o processo de reciclagem e evita riscos ambientais.

A ação do Programa de Recebimento de Embalagens Vazias de Agrotóxicos acontece desde o ano 2000 - antes mesmo da existência de legislação específica sobre logística reversa no Brasil. Hoje, além de referência, o programa também contribui para o cumprimento do Decreto nº 4.074/2002, que determina a devolução das embalagens pelos usuários no prazo de até um ano após a compra.

Promovido pelo Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) em parceria com a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), o programa se destaca por seu modelo itinerante de coleta. Esse formato itinerante é um dos grandes diferenciais da ação, pois permite que os produtores realizem a entrega sem a necessidade de longos deslocamentos.

Ao entregar os recipientes limpos e secos, eles recebem comprovantes de devolução, que são documentos fundamentais para a prestação de contas junto aos órgãos de fiscalização ambiental.

Demanda e destino

Desde sua criação, em outubro de 2000, o programa já recolheu mais de 21 milhões de embalagens, encaminhadas ao InpEV (Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias), responsável pelo Sistema Campo Limpo. O sistema assegura a destinação ambientalmente correta dos materiais, pois enquanto a totalidade das embalagens rígidas é reciclada, apenas uma pequena fração não reciclável segue para incineração controlada.

Segundo relatório do inpEV, o Brasil conta com cerca de 4.000 pontos de coleta de embalagens vazias de defensivos agrícolas e cerca de 50% do total nacional está vinculado ao programa do setor do tabaco.

A demanda por defensivos na cultura do tabaco é de 1,01 quilo de ingrediente ativo por hectare, uma das menores entre os produtos agrícolas. Isso porque nas últimas décadas, com inovação e investimentos, houve redução significativa na demanda de pesticidas, como mostram pesquisas da Esalq/USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo) com dados do Sindveg (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal).

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