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O mercado agrícola inicia a semana com atenção ao relatório de oferta e demanda do USDA, ao avanço do plantio nos Estados Unidos, às exportações brasileiras e aos efeitos do clima sobre lavouras no Brasil. O cenário internacional também pesa nas cotações. A falta de acordo entre Estados Unidos e Irã mantém pressão sobre o petróleo. A possibilidade de restrição no Estreito de Hormuz sustenta o óleo e traz apoio às commodities agrícolas.
Na soja, o USDA trouxe números considerados positivos pelo mercado. A primeira estimativa para a safra global 2026/27 ficou em 441,5 milhões de toneladas. O consumo ficou praticamente no mesmo patamar. Para os Estados Unidos, o órgão projetou 120,7 milhões de toneladas. O número veio abaixo de expectativas próximas de 125 milhões de toneladas. A safra anterior somou 116 milhões de toneladas, enquanto a anterior alcançou 119,1 milhões de toneladas.
O plantio norte-americano de soja alcançou 49% da área. No mesmo período do ano passado, o índice chegava a 45%. A média histórica fica em 36%. Illinois tinha 57% da área plantada, ante média de 47%. Iowa chegava a 60%, contra média de 48%. A soja germinada somava 20%, acima da média de 12%.
O USDA estimou a safra brasileira 2026/27 de soja em 186 milhões de toneladas, contra 180 milhões na temporada atual. Para a Argentina, a projeção ficou em 50 milhões de toneladas, frente a 48 milhões neste ciclo. A China manteve papel central na sustentação da demanda. O USDA projetou importações chinesas de 114 milhões de toneladas, acima das 112 milhões da safra atual e das 108 milhões do ciclo anterior.
No Brasil, a colheita de soja alcançou 98%. A produção deve confirmar volume próximo de 180 milhões de toneladas, ante 171,5 milhões no ano anterior. Cerca de 62% da safra atual já teve negociação, contra 66% no mesmo período do ano passado e média também de 66%. Ainda restam cerca de 68,4 milhões de toneladas nas mãos dos produtores. Na safra nova, as vendas chegaram a 15%, abaixo dos 20% do ano passado e da média de 22%.
As exportações brasileiras seguem em ritmo recorde. Na primeira semana de maio, os embarques de soja somaram 4,281 milhões de toneladas. No acumulado do ano, chegaram a 44,5 milhões de toneladas, contra 41 milhões no mesmo período do ano passado. O farelo também bateu recorde no acumulado, com 9,1 milhões de toneladas embarcadas, ante 8,1 milhões no ano anterior. O complexo soja somou 54,5 milhões de toneladas em soja, farelo e óleo, frente a 49,7 milhões no mesmo intervalo de 2025.
No milho, o plantio norte-americano chegou a 57% da área, contra 38% na semana anterior, 59% no ano passado e média de 52%. Iowa alcançou 72% de plantio, mesmo patamar do ano anterior e acima da média de 63%. O milho germinado somou 23%, contra média de 19%. O clima no Meio-Oeste dos Estados Unidos mostra normalização, com alta nas temperaturas e redução do risco de geadas e neve.
O USDA projetou a safra global 2026/27 de milho em 1,295 bilhão de toneladas. O consumo previsto alcança 1,314 bilhão de toneladas. O quadro indica uso dos estoques mundiais. A safra dos Estados Unidos foi estimada em 406,3 milhões de toneladas, contra 432,3 milhões na temporada anterior. A queda de cerca de 26 milhões de toneladas reduz o potencial exportador norte-americano e abre espaço para outros fornecedores.
Para o Brasil, o USDA projetou safra de milho de 139 milhões de toneladas, contra 135 milhões neste ano. A Argentina aparece com 55 milhões de toneladas, frente a 59 milhões na temporada atual. O México segue como maior importador mundial, com previsão de 27 milhões de toneladas importadas e consumo de 52,8 milhões. A China aparece com importação estimada em 6 milhões de toneladas, produção de 307 milhões e consumo de 325 milhões.
No Brasil, geadas atingiram áreas do Paraná, inclusive na região de Campo Mourão, no centro do estado, além de partes do oeste e sudoeste. Lavouras de milho sofreram danos. A estiagem também reduz o potencial da safrinha em Minas Gerais, Goiás e parte da região central do país. Algumas áreas acumulam mais de 40 dias sem chuva. O milho em formação de espiga perde potencial produtivo, com risco de grãos mais leves.
O sorgo também entra no radar. A safra norte-americana tinha 25% da área plantada, ante média histórica de 24%. O USDA estimou área plantada e colhida de 2,1 milhões de hectares nos Estados Unidos. A produção foi projetada em 9,3 milhões de toneladas. As exportações norte-americanas devem cair de 5,7 milhões para 5,2 milhões de toneladas, o que pode abrir espaço para o sorgo brasileiro no mercado externo.
No trigo, o USDA reduziu a produção mundial para 819 milhões de toneladas. O consumo previsto ficou em 823,2 milhões. O relatório indica consumo superior à produção. O Canadá deve colher 35 milhões de toneladas e exportar 28 milhões. Na safra anterior, produziu quase 40 milhões e exportou 30 milhões. Os Estados Unidos aparecem com produção projetada de 42,5 milhões de toneladas, contra 54 milhões no ano anterior.
A Rússia teve safra estimada em 86 milhões de toneladas, abaixo das 90,3 milhões do ciclo passado. O trigo norte-americano também preocupa pela qualidade. Apenas 28% da área apresentava condição boa ou excelente, contra 54% no ano anterior. O cenário reduz a oferta exportável e sustenta as cotações internacionais. No Brasil, a área de trigo pode cair. A Conab projeta 2,2 milhões de hectares, ante 2,5 milhões no ano passado.
No arroz, a colheita brasileira se aproxima do fim. A safra deve ficar perto de 11 milhões de toneladas, abaixo das 12,8 milhões do ano passado. No quadro global, o USDA apontou produção de 537,8 milhões de toneladas de arroz beneficiado e consumo de 541,4 milhões. O consumo acima da produção favorece o mercado internacional e abre espaço para exportações brasileiras.
As exportações brasileiras de arroz avançam. Na primeira semana de maio, os embarques de arroz em casca pelo Rio Grande do Sul somaram 26 mil toneladas. No acumulado desde janeiro, chegaram a 361,3 mil toneladas, ante 140 mil no mesmo período do ano passado. O arroz beneficiado somou 380,6 mil toneladas, contra 170 mil no ano anterior. Na base casca, o volume total exportado alcançou 946,8 mil toneladas, próximo de 1 milhão de toneladas.
No feijão, o clima reduziu a oferta. Geadas atingiram lavouras no centro e sudoeste do Paraná. A segunda safra enfrenta perdas importantes, ainda sem dimensionamento. O Paraná ocupa posição relevante na produção nacional. O feijão carioca nobre já registra indicações de R$ 430 a R$ 440. O carioca comercial trabalha em faixas mínimas de R$ 375 a R$ 380, com comentários de R$ 400. O feijão preto avançou para R$ 185 a R$ 210.
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