Quitosana mostra potencial contra giberela em trigo

Estudo da UFV avaliou oligossacarídeo de quitosana no manejo de Fusarium graminearum e deoxynivalenol

05.06.2026 | 09:22 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar
Foto: Douglas Lau
Foto: Douglas Lau

Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa avaliaram o uso de oligossacarídeo de quitosana como alternativa para reduzir Fusarium graminearum e a contaminação por deoxynivalenol em trigo. O produto reduziu o crescimento do fungo e a germinação de conídios em ensaios in vitro. Também diminuiu a incidência do patógeno em sementes. Em casa de vegetação e no campo, o desempenho variou conforme dose, época de aplicação e ensaio. Os resultados indicam potencial para uso no manejo integrado da giberela, mas não sustentam o uso isolado como substituto consistente aos fungicidas.

O estudo testou oligossacarídeo de quitosana em condições controladas, tratamento de sementes, casa de vegetação e campo. Os pesquisadores compararam o produto com fungicidas usados como referência. Tebuconazol entrou nos ensaios de crescimento micelial, tratamento de sementes e aplicações em plantas. Piraclostrobina entrou no ensaio de germinação de macroconídios.

Testes in vitro

Nos testes in vitro, o oligossacarídeo de quitosana reduziu o crescimento micelial de Fusarium graminearum com aumento da concentração. A concentração efetiva para reduzir cinquenta por cento do crescimento micelial chegou a 7.155,9 miligramas por litro. Para tebuconazol, o valor estimado ficou em 0,11 miligrama por litro. Na germinação de macroconídios, o oligossacarídeo de quitosana apresentou concentração efetiva de 519,31 miligramas por litro. A piraclostrobina apresentou valor estimado de 0,0002 miligrama por litro.

Os dados apontam efeito direto do oligossacarídeo de quitosana sobre o patógeno. Esse efeito ocorreu em doses superiores às necessárias para os fungicidas usados como comparação. O aumento da concentração do produto também reduziu o pH das soluções e elevou a condutividade elétrica.

Tratamento de sementes

No tratamento de sementes, o oligossacarídeo de quitosana reduziu a incidência de Fusarium graminearum. O mesmo ocorreu com tebuconazol. As sementes inoculadas e não desinfestadas do controle apresentaram a maior incidência do patógeno. Esse tratamento também apresentou a maior redução na germinação. O resultado mostrou associação direta entre presença do fungo nas sementes e queda no potencial germinativo.

A incidência do patógeno nas sementes tratadas com tebuconazol variou de zero a 2,5 por cento nas sementes desinfestadas e não desinfestadas, conforme as combinações avaliadas. Nas sementes tratadas com oligossacarídeo de quitosana, a incidência variou de três a 8,5 por cento. A germinação nas sementes tratadas com tebuconazol variou de 65 a 80 por cento. Nas sementes tratadas com oligossacarídeo de quitosana, variou de 62 a 85 por cento.

Casa de vegetação

Em casa de vegetação, os pesquisadores testaram doses de 500, 1.000, 2.000 e 3.000 miligramas por litro de oligossacarídeo de quitosana. As aplicações ocorreram cinco dias antes da inoculação. Os valores de área abaixo da curva de progresso da doença não diferiram do controle sem tratamento. O tebuconazol reduziu a doença nos dois ensaios e apresentou melhor desempenho.

Mesmo sem diferença estatística para severidade em algumas comparações, certos tratamentos com oligossacarídeo de quitosana reduziram a doença e o DON em relação ao controle sem tratamento. No primeiro ensaio, a dose de 1.000 miligramas por litro reduziu a área abaixo da curva de progresso da doença em 36,6 por cento e o DON em 47,6 por cento. No segundo ensaio, a dose de 500 miligramas por litro reduziu a doença em 20,6 por cento e o DON em 42,4 por cento. O tebuconazol reduziu o acúmulo de DON de 78,6 a 91,4 por cento.

Épocas de aplicação

O estudo também avaliou épocas de aplicação. O oligossacarídeo de quitosana entrou na dose de 2.000 miligramas por litro. As pulverizações ocorreram cinco e dois dias antes da inoculação, no dia da inoculação, dois e cinco dias depois. Os resultados variaram entre os ensaios. Em geral, fungicida e oligossacarídeo de quitosana tiveram melhor desempenho no primeiro ensaio. Apenas o fungicida reduziu a área abaixo da curva de progresso da doença em relação ao controle sem tratamento.

Nos grãos colhidos em casa de vegetação, o DON apareceu em todas as amostras inoculadas. O controle sem inoculação não apresentou DON. Alguns tratamentos com oligossacarídeo de quitosana reduziram a micotoxina. A aplicação cinco dias antes da inoculação reduziu o DON em 33,1 por cento no primeiro ensaio. No segundo ensaio, a aplicação no dia da inoculação reduziu o DON em 42,3 por cento. A aplicação dois dias depois reduziu o DON em 13,6 por cento.

Ensaios de campo

Nos ensaios de campo, a variação dos dados impediu a detecção de diferenças significativas entre tratamentos. Houve pequena redução de severidade em espigas inoculadas e tratadas com oligossacarídeo de quitosana ou tebuconazol. As maiores reduções ocorreram com fungicida, com variação de 8,37 a 100 por cento, conforme a época de aplicação. Entre as plantas tratadas com oligossacarídeo de quitosana, a maior redução ocorreu na aplicação cinco dias antes da inoculação, com 31,03 por cento. A aplicação no dia da inoculação reduziu a severidade em 19,41 por cento.

O trabalho não encontrou efeito bioestimulante consistente. O oligossacarídeo de quitosana e o fungicida não aumentaram a altura das plantas. O produto também não reduziu de forma significativa a porcentagem de grãos danificados por Fusarium em comparação ao controle sem tratamento. O tebuconazol reduziu esses grãos nos ensaios com plantas inoculadas, exceto no campo.

O estudo foi realizado por Gabriel Ferreira Paiva, Lara Lorrayne Silvestre de Andrade, José Maria da Silva, Renato Arruda dos Santos, Emerson Medeiros Del Ponte e Franklin Jackson Machado.

Outras informações em doi.org/10.1007/s40858-026-00801-z

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