Sementes piratas causam prejuízo de R$ 10 bi ao ano no Brasil
Uso de materiais ilegais reduz a produtividade e gera perdas para o mercado de sementes
Os preços dos fertilizantes recuaram na maior parte dos nutrientes em agosto, enquanto grãos, cereais e açúcar registraram valorização. A combinação melhorou as relações de troca para o produtor rural e estimulou a comercialização de insumos. O movimento ganhou força nos nitrogenados, com queda da ureia de US$ 482,50 por tonelada no início do mês para US$ 422 por tonelada no fim do período. O sulfato de amônio caiu de US$ 262,50 para US$ 220 por tonelada. As informações são da Consultoria Agro Itaú BBA.
Conforme os analistas, a melhora como relevante após um período desfavorável iniciado antes da guerra no Oriente Médio. A recuperação dos preços de algumas commodities ampliou o efeito da redução dos fertilizantes. No milho, a valorização no mercado brasileiro e a correção da ureia devolveram parte do poder de compra ao produtor, embora o MAP permaneça em patamar elevado e siga como principal limitador de uma recuperação mais consistente. A comercialização de fertilizantes para a safrinha ganhou tração durante o inverno.
As importações brasileiras de ureia acompanharam essa retomada. O país desembarcou 601 mil toneladas em julho, maior volume mensal de 2026 até então. Entre janeiro e julho, as compras externas somaram 2,3 milhões de toneladas. O resultado ainda representa queda de 24,7% ante igual período de 2025.
O cenário dos fosfatados apresenta maior restrição. O fosfato monoamônico, ou MAP, recuou para US$ 855 por tonelada, enquanto o superfosfato simples, ou SSP, chegou a US$ 245 por tonelada. Mesmo com a redução, a relação de troca do MAP permanece desfavorável. O produtor ainda precisa comprometer maior volume de produto agrícola na aquisição desse fertilizante.
A queda dos fosfatados decorreu mais do enfraquecimento da demanda brasileira do que de uma melhora estrutural da oferta. Na comparação por ponto de pentóxido de fósforo, o SSP mantém maior competitividade. O MAP apresenta o maior custo. Esse contraste amplia a vantagem relativa observada nos nitrogenados. Parte dos produtores segue postergando compras para o plantio da safrinha, o que limita uma reação mais consistente dos preços no curto prazo.
O enxofre adiciona pressão aos custos dos fosfatados. As importações brasileiras do insumo atingiram 29 mil toneladas em julho, menor volume dos últimos 36 meses. O preço médio chegou a US$ 1.067 por tonelada FOB, mais do dobro do nível registrado em janeiro. O enxofre é peça central da produção nacional de fertilizantes fosfatados. A alta do insumo reduz o espaço para novas quedas de preços.
No potássio, o cloreto de potássio, ou KCl, mantém relação de troca mais favorável e demanda parcela relativamente menor da receita do produtor na comparação com a média histórica. O produto rondou US$ 385 por tonelada CFR Brasil em agosto e não acompanhou a volatilidade observada nos demais nutrientes. As importações cresceram 2,4% entre janeiro e julho na comparação anual. O Itaú BBA associa esse desempenho a uma oferta mais equilibrada.
A soja também ganhou poder de compra após a recuperação recente das cotações. O movimento melhorou as relações frente aos fertilizantes. Porém, a soja para março de 2027 permanece negociada abaixo dos níveis do mercado disponível. O MAP continua entre os principais pontos de pressão para o produtor.
No algodão, a alta dos preços, a redução dos estoques globais e o ritmo das exportações brasileiras favoreceram as relações de troca. Ureia e KCl apresentam situação mais confortável. A relação com o MAP também melhorou e já está em nível mais favorável do que o observado em 2025.
O café mantém uma das relações de troca mais favoráveis frente aos fertilizantes. Os preços reagiram durante a colheita diante das preocupações com disponibilidade imediata e qualidade dos grãos. O movimento ocorreu mesmo com perspectiva de safra recorde.
A recuperação do açúcar melhorou parcialmente a relação de troca com ureia e KCl, mas a cautela permanece necessária. O Itaú BBA ancora a alta da commodity em fundamentos próprios do mercado, como a menor produção no Centro-Sul e a cota indiana de importação. Fatores macroeconômicos e a reversão da posição líquida dos fundos de vendida para comprada amplificam o movimento.
No trigo, as tensões no Mar Negro e a expectativa de menor oferta global sustentaram a recuperação das cotações. A melhora apareceu principalmente nas relações com KCl e ureia. O MAP ainda mantém condição desfavorável.
O arroz apresentou avanço após forte valorização dos preços. A redução dos excedentes domésticos, os estoques menores e a perspectiva de menor produção em 2026/27 favoreceram o poder de compra. O MAP, porém, continua caro em termos relativos.
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