Plantio direto eleva estoques de carbono e nitrogênio no solo

Pesquisa conduzida durante 32 anos no Paraguai aponta ganhos de até 30% em carbono e 36% em nitrogênio na camada superficial

04.11.2026 | 08:42 (UTC -3)
Revista Cultivar
doi 10.1016/j.csag.2026.100141
doi 10.1016/j.csag.2026.100141

Sistemas de plantio direto mantiveram estoques de carbono pelo menos 30% superiores aos do preparo convencional na camada de zero a 10 centímetros do solo. O estoque de nitrogênio foi até 36% superior. Os resultados integram um experimento conduzido durante 32 anos no Paraguai, com diferentes sistemas de cultivo e rotações agrícolas.

A pesquisa ocorreu na estação experimental Capitán Miranda, do Instituto Paraguaio de Tecnologia Agrária (IPTA), no departamento de Itapúa. Os cientistas avaliaram cinco sistemas de manejo, incluindo preparo convencional, preparo reduzido e três modalidades de plantio direto.

Os tratamentos utilizaram sucessões de trigo (Triticum aestivum) e soja (Glycine max), além de rotações diversificadas com milho (Zea mays), aveia-preta (Avena strigosa) e ervilhaca (Vicia villosa).

Estoques variaram

Na camada de zero a 30 centímetros, os estoques de carbono variaram de 36,7 a 44,8 toneladas por hectare. O sistema de plantio direto com rotação de aveia-preta, soja e trigo apresentou estoque pelo menos 22% superior ao do preparo convencional.

Os estoques de nitrogênio variaram de 4,33 a 5,04 toneladas por hectare. O melhor resultado ocorreu no sistema com maior diversificação de culturas, com estoque 17% superior ao do preparo convencional.

Diversificação e armazenamento

A diversificação também favoreceu o armazenamento de carbono e nitrogênio na matéria orgânica associada aos minerais. Na camada superficial, o sistema mais diversificado apresentou estoques 23% superiores de carbono e 25% superiores de nitrogênio nessa fração, em relação ao preparo convencional.

Os pesquisadores identificaram associações positivas entre matéria orgânica e indicadores de qualidade do solo, incluindo disponibilidade de fósforo, estabilidade dos agregados e atividade da enzima beta-glucosidase.

Apesar dos benefícios, a diversificação não proporcionou aumentos consistentes nos estoques totais de carbono entre os sistemas de plantio direto. Os resultados indicam a importância do manejo da fertilidade e do fornecimento de resíduos vegetais para ampliar o armazenamento de carbono no solo. Ao longo dos 32 anos, a área não recebeu calagem nem gessagem, e o pH permaneceu abaixo de 5,5 em todos os sistemas. Por isso, os cientistas avaliam que os ganhos de carbono e nitrogênio observados tendem a ser conservadores em comparação ao que os mesmos sistemas poderiam alcançar com a correção da acidez do solo (doi 10.1016/j.csag.2026.100141).

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