Estudo americano indica menor custo de produção de soja no Brasil
Pesquisa aponta menor custo total no país, apesar dos maiores gastos com fertilizantes e defensivos agrícolas
A Mosaic registrou prejuízo líquido de US$ 72 milhões no terceiro trimestre de 2026, contra lucro de US$ 411 milhões no mesmo período do ano anterior. A receita líquida alcançou US$ 3,1 bilhões, abaixo dos US$ 3,5 bilhões de 2025. O resultado operacional ficou negativo em US$ 97 milhões, ante lucro de US$ 340 milhões um ano antes. A companhia divulgou os números nesta terça-feira (3/11).
O EBITDA ajustado somou US$ 324 milhões, redução de 59,8% sobre os US$ 806 milhões registrados no terceiro trimestre de 2025. A empresa atribuiu o desempenho à diminuição dos volumes comercializados em seus três segmentos e ao aumento dos custos de matérias-primas nas operações de fosfatados e da Mosaic Fertilizantes. Os preços mais elevados dos fertilizantes fosfatados compensaram parte dessas pressões.
O resultado incluiu US$ 53 milhões em efeitos extraordinários negativos antes dos impostos. Entre eles, ajustes em provisões ambientais, despesas com fechamento de instalações e custos de reestruturação. Ganhos relacionados à participação na Ma’aden e às variações cambiais compensaram parte desses efeitos.
Segundo Bruce Bodine (na foto), presidente e CEO da Mosaic, a companhia avançou na adequação da produção de fosfatados à disponibilidade de enxofre a preços competitivos, reduziu custos e fortaleceu sua posição financeira.
A Mosaic Fertilizantes, responsável pelas operações brasileiras, registrou receita líquida de US$ 1,254 bilhão no terceiro trimestre, queda de 21,2% em relação aos US$ 1,592 bilhão contabilizados um ano antes.
O segmento apresentou prejuízo operacional de US$ 21 milhões, revertendo o lucro de US$ 96 milhões do terceiro trimestre de 2025. O EBITDA ajustado recuou de US$ 241 milhões para US$ 41 milhões, redução de aproximadamente 83%.
O volume comercializado caiu de 2,8 milhões para 1,9 milhão de toneladas. A retração de 32,1% decorreu principalmente da redução da produção própria da empresa no país e das restrições de acesso ao crédito pelos clientes.
O preço médio de venda dos produtos acabados aumentou de US$ 518 para US$ 625 por tonelada. Entretanto, a menor utilização da capacidade industrial elevou os custos unitários de produção.
O custo de conversão dos fosfatados passou de US$ 99 para US$ 147 por tonelada. A companhia atribuiu o aumento à menor absorção dos custos fixos e à continuidade das operações de fosfato bicálcico destinado à alimentação animal em Cajati.
As despesas relacionadas à capacidade ociosa, paradas industriais e custos fixos não absorvidos alcançaram US$ 70 milhões, contra US$ 27 milhões no terceiro trimestre de 2025.
Apesar da redução dos volumes, a Mosaic Fertilizantes registrou melhora sazonal das margens de distribuição, que retornaram a níveis normais. A redução dos estoques da Mosaic Fertilizantes também liberou capital de giro.
Para o quarto trimestre, a companhia prevê EBITDA ajustado inferior ao registrado entre julho e setembro. A projeção considera os efeitos da redução da produção e a sazonalidade do mercado.
O segmento de fosfatados apresentou prejuízo operacional de US$ 194 milhões, ante lucro de US$ 102 milhões no terceiro trimestre de 2025. O EBITDA ajustado caiu de US$ 280 milhões para US$ 49 milhões.
As vendas totalizaram 1,4 milhão de toneladas, abaixo das 1,6 milhão de toneladas comercializadas um ano antes. A Mosaic reduziu a produção diante da disponibilidade limitada de enxofre a preços economicamente viáveis.
O preço médio do fosfato diamônico (DAP) alcançou US$ 838 por tonelada, contra US$ 714 no período equivalente de 2025.
O enxofre teve custo médio realizado de US$ 715 por tonelada longa no terceiro trimestre. Para os últimos três meses do ano, a empresa fechou contrato de fornecimento a US$ 615 por tonelada longa. A redução deverá beneficiar inicialmente o fluxo de caixa, com efeitos mais relevantes sobre os resultados contábeis no primeiro trimestre de 2027.
No segmento de potássio, o lucro operacional atingiu US$ 189 milhões, contra US$ 229 milhões no ano anterior. As vendas recuaram de 2,3 milhões para 2,1 milhões de toneladas.
A companhia revisou sua expectativa de produção anual de potássio para 8,6 milhões de toneladas. Condições geológicas desfavoráveis na mina de Esterhazy, no Canadá, reduziram os teores do minério extraído.
A Mosaic identifica sinais de recuperação da demanda brasileira por fertilizantes fosfatados. Segundo a companhia, os estoques nacionais desses produtos caminham para o menor nível dos últimos oito anos.
A melhora das relações de troca de soja e milho por fertilizantes também favorece as perspectivas de consumo. Para a empresa, o cenário abre caminho para a retomada, no curto prazo, da demanda reprimida por importações, diante da necessidade de reposição de nutrientes no solo.
No mercado internacional, a Mosaic aponta restrições na oferta de fosfatados devido aos custos do enxofre e às limitações de produção. As exportações chinesas de DAP e MAP foram mínimas no terceiro trimestre, e a companhia não espera embarques relevantes até a primavera do Hemisfério Norte.
A companhia também projeta novo recorde de demanda global de potássio em 2026, apoiado nas condições de aquisição do nutriente pelos agricultores.
A Mosaic prevê investimentos de US$ 1,2 bilhão em 2026 e pretende reduzir os desembolsos para menos de US$ 1 bilhão em 2027.
No Brasil, a companhia mantém o processo de venda da unidade de Araxá (MG), dentro da revisão estratégica de seu portfólio de ativos. As vendas de terrenos realizadas desde o início do ano somaram US$ 67 milhões.
O fluxo de caixa operacional consolidado alcançou US$ 284 milhões no terceiro trimestre, acima dos US$ 229 milhões registrados um ano antes. A redução dos estoques de produtos acabados contribuiu para o resultado.
Na área de soluções biológicas, a Mosaic Biosciences projeta receita anual de US$ 135 milhões, aproximadamente o dobro do resultado de 2025. A plataforma lançou seis produtos nos primeiros nove meses do ano, incluindo Mbio Floresce, Refirma Cybellion e BioBlend no Brasil.
Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura