El Niño registra anomalia recorde de temperatura em outubro

Aquecimento no Pacífico chegou a 2,47 °C acima da média na região Niño 3.4, segundo dados de monitoramento

03.11.2026 | 16:32 (UTC -3)
Inmet, edição Revista Cultivar
Anomalia Média de Temperatura da Superfície do mar (outubro/2026); fonte: Inmet
Anomalia Média de Temperatura da Superfície do mar (outubro/2026); fonte: Inmet

O El Niño de 2026 registrou em outubro a maior anomalia de temperatura da superfície do mar (TSM) já observada para esse mês na região Niño 3.4, afirma o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O desvio positivo chegou a 2,47 °C em relação à média histórica, caracterizando um episódio muito forte do fenômeno.

Na região Niño 3, que também exerce influência sobre os padrões climáticos da América do Sul, a anomalia mensal alcançou 3,56 °C.

O aquecimento também avançou nas medições semanais. Na última semana de outubro, a região Niño 3.4 registrou anomalia de 2,5 °C. Segundo o meteorologista Leydson Dantas, a comparação entre os indicadores mensais e semanais exige cautela, pois eles consideram períodos de referência diferentes.

Até então, o maior valor mensal de outubro havia sido registrado durante o El Niño de 1982, quando a anomalia chegou a 2,07 °C. Aquele episódio foi um dos mais intensos já observados e se estendeu até o primeiro semestre de 1983.

Recordes em outras regiões do Pacífico

Os dados semanais, cuja série histórica começa em 1981, também apontam valores extremos em outras áreas de monitoramento do Pacífico Equatorial.

Na região Niño 1+2, próxima às costas do Peru e do Equador, a anomalia chegou a 4,6 °C na última semana de outubro, igualando o recorde registrado em junho de 1983.

Já na região Niño 3, o desvio positivo alcançou 3,7 °C, superando o recorde anterior de 3,6 °C, observado em dezembro de 1982.

As regiões Niño são utilizadas no monitoramento do fenômeno El Niño–Oscilação Sul (ENOS), que inclui episódios de El Niño, La Niña e períodos de neutralidade. A região Niño 3.4 é uma das principais referências para caracterizar esses eventos, enquanto a Niño 3 também é relevante para avaliar suas relações com a variabilidade climática na América do Sul.

Possíveis impactos no clima brasileiro

O El Niño de 2026 começou a se configurar em junho e apresentou aquecimento acelerado nos meses seguintes. Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o episódio tem potencial para figurar entre os mais intensos já registrados.

O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial, que altera a circulação atmosférica e modifica os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.

No Brasil, os efeitos variam conforme a intensidade do episódio, a época do ano e as condições atmosféricas regionais. Por isso, o monitoramento das temperaturas do oceano e da evolução do fenômeno é importante para avaliar possíveis impactos sobre o clima nas próximas semanas.

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