Plantio da soja avança e reduz risco para segunda safra

Recuperação do calendário diminui possibilidade de atrasos no milho e no algodão, aponta Itaú BBA

30.10.2026 | 16:55 (UTC -3)
Revista Cultivar, a partir de informações do Itaú BBA

A semeadura da soja da safra 2026/27 ganhou ritmo na segunda metade de outubro, com o retorno das precipitações em importantes regiões produtoras do país. O avanço aproximou o plantio nacional de 50% da área prevista e colocou o calendário à frente do registrado nas últimas cinco safras. Apesar da recuperação, a irregularidade das chuvas e a redução da umidade do solo em partes do Centro-Oeste mantêm o clima como principal ponto de atenção.

De acordo com o Radar Agro da consultoria Itaú BBA, a retomada das operações ocorreu principalmente após a chegada de chuvas ao Brasil Central. A disponibilidade de umidade permitiu acelerar a semeadura em áreas que aguardavam condições adequadas para o início dos trabalhos.

Em Mato Grosso, o plantio começou em ritmo mais lento, mas ganhou velocidade com o retorno das precipitações. A recuperação favorece não apenas a implantação da soja, mas também o planejamento da segunda safra, já que parte significativa das áreas recebe milho ou algodão na sequência.

No Paraná, a disponibilidade de umidade sustentou um avanço mais contínuo nas primeiras semanas. Entretanto, o excesso de chuvas mais recentemente reduziu o ritmo das operações. Em Mato Grosso do Sul e Goiás, a evolução também é consistente, embora a continuidade das precipitações seja importante para manter a umidade superficial e favorecer a emergência uniforme das plantas.

No Matopiba, a consolidação das chuvas ainda condiciona o avanço dos trabalhos. Bahia, Tocantins e Maranhão iniciaram a semeadura com a chegada das precipitações, mas a irregularidade hídrica mantém diferenças entre as regiões e pode provocar interrupções. Em Minas Gerais e São Paulo, o plantio segue trajetória próxima ao padrão sazonal. No Rio Grande do Sul, a semeadura permanece em fase inicial, dentro da janela mais tardia do estado.

Ritmo do plantio influencia a segunda safra

O avanço da soja em outubro também reduz o risco de atrasos na implantação das culturas de segunda safra. Em estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, a semeadura mais antecipada favorece a liberação das áreas a partir de janeiro, ampliando o período disponível para o plantio de milho e algodão.

Segundo a análise do Itaú BBA, na safra 2026/27, a recuperação observada na segunda metade de outubro diminuiu a probabilidade de um atraso generalizado da segunda safra. Em Mato Grosso, a área de soja equivalente à projeção de milho e algodão de segunda safra foi implantada dentro da janela considerada ideal. O resultado é mais favorável que o observado em 2015/16 e ligeiramente melhor que em 2023/24, outros ciclos marcados pela influência do El Niño.

O calendário tem importância especial nas regiões em que a sucessão de culturas representa parcela expressiva da estratégia produtiva. Quanto mais tarde ocorre o plantio da soja, maior tende a ser a concentração da colheita em janeiro e fevereiro, reduzindo o intervalo disponível para a implantação do milho e do algodão.

Em Goiás e Mato Grosso do Sul, a recuperação da semeadura também diminui o risco de deslocamento da segunda safra para períodos mais tardios. Nessas regiões, o atraso pode ampliar a exposição das lavouras de milho à redução sazonal das chuvas, especialmente em anos de El Niño, geralmente associado ao encerramento mais antecipado das precipitações em partes do Cerrado.

Umidade do solo exige atenção

Apesar da melhora no calendário, as condições hídricas ainda representam um fator de preocupação. Após as boas chuvas registradas no fim de setembro e no início de outubro, a frequência e a intensidade das precipitações diminuíram em partes do Centro-Oeste. As temperaturas elevadas também aceleraram a perda de umidade do solo.

Em Mato Grosso, foram registrados relatos pontuais de necessidade de replantio, mas em extensão limitada e sem comprometimento, até o momento, do potencial produtivo estadual. A manutenção desse cenário depende, em parte, da confirmação das chuvas previstas pelos modelos meteorológicos.

Para o período de 29 de outubro a 12 de novembro, as projeções indicam aumento da abrangência e dos volumes de precipitação. A expectativa é de melhora nas condições para continuidade do plantio e recomposição da umidade no Centro-Oeste, embora a distribuição das chuvas ainda possa apresentar irregularidades no Norte do país.

No horizonte de novembro a fevereiro, os modelos apontam maior propensão a volumes de chuva acima da média na região Sul e precipitações mais irregulares em áreas do Centro-Norte. Esse contraste pode influenciar o desenvolvimento das lavouras e o ritmo de liberação das áreas para a segunda safra.

O Itaú BBA avalia que o cenário ainda sustenta a perspectiva de uma nova boa safra de soja no Brasil. Entretanto, a confirmação das precipitações previstas para o início de novembro será importante para consolidar a emergência das lavouras, reduzir a necessidade de replantio e preservar o potencial produtivo.

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