FMC registra prejuízo de US$ 2,07 bilhões no terceiro trimestre

Resultado reflete ajustes comerciais de US$ 672 milhões, queda nas vendas e enfraquecimento da demanda por defensivos agrícolas

29.10.2026 | 17:54 (UTC -3)
Revista Cultivar

A FMC Corporation registrou prejuízo líquido de US$ 2,07 bilhões no terceiro trimestre de 2026, ante perdas de US$ 569 milhões no mesmo período de 2025. A receita recuou 80%, de US$ 542 milhões para US$ 106 milhões. A queda da receita refletiu ajustes comerciais e a redução nos volumes vendidos. O prejuízo decorreu principalmente de ajustes contábeis sem efeito caixa, ligados a ativos fiscais diferidos e a ativos intangíveis, além das medidas comerciais. A companhia divulgou os resultados nesta quinta-feira (29/10).

As medidas comerciais provocaram impacto negativo de US$ 639 milhões na receita e de US$ 672 milhões no EBITDA ajustado. O indicador passou de US$ 236 milhões positivos, no terceiro trimestre de 2025, para US$ 559 milhões negativos em 2026.

Sem os efeitos dessas medidas e desconsiderando as operações na Índia, a receita alcançou US$ 745 milhões, queda de 22% na comparação anual. O volume vendido diminuiu 21%, enquanto os preços recuaram 2%. A variação cambial contribuiu positivamente com 1%.

O EBITDA ajustado, excluídos os efeitos das ações comerciais, atingiu US$ 113 milhões. A redução refletiu menores vendas e impactos cambiais, parcialmente compensados por custos mais baixos.

O prejuízo por ação atingiu US$ 15,54, ante US$ 4,52 negativos no terceiro trimestre de 2025. Na avaliação ajustada, a companhia registrou perda de US$ 4,41 por ação, contra lucro de US$ 0,89 um ano antes.

Ajustes comerciais atingem as Américas

A FMC anunciou em 15 de outubro duas medidas para reduzir o valor dos estoques mantidos pelos distribuidores e melhorar o escoamento dos produtos até os agricultores.

A primeira envolve alterações no modelo de preços e descontos comerciais na América do Norte. A iniciativa responde por aproximadamente US$ 500 milhões do impacto sobre o EBITDA ajustado.

O novo modelo busca diminuir a diferença entre os preços brutos e líquidos dos defensivos agrícolas. A companhia pretende reduzir a volatilidade dos pagamentos de descontos e simplificar as condições comerciais.

A segunda medida envolve ajustes de aproximadamente US$ 175 milhões nos preços de produtos já armazenados por distribuidores no Brasil, Argentina, Estados Unidos e Canadá.

Esses produtos apresentavam valores superiores aos praticados atualmente no mercado. A FMC pretende facilitar sua comercialização e estimular novos pedidos. Os ajustes não alteram os preços atuais de venda da fabricante, mas reduzirão recebimentos futuros.

A implementação das mudanças continua em andamento. A empresa prevê concluir a transição ao longo dos próximos três trimestres.

América Latina recua 21%

A América Latina apresentou receita de US$ 368 milhões, desconsiderados os ajustes comerciais. O resultado representou redução de 21% em relação ao terceiro trimestre de 2025. Sem o efeito cambial, a retração alcançou 23%.

A FMC atribuiu parte do desempenho à demanda brasileira inferior às expectativas. A incerteza associada aos possíveis efeitos do El Niño ampliou a cautela nas compras. A companhia também registrou pressão sobre os preços de produtos de marca.

Em contrapartida, novas formulações à base de Rynaxypyr apresentaram crescimento nas vendas.

Na América do Norte, a receita, antes dos ajustes comerciais, somou US$ 164 milhões, queda de 33%. Os volumes diminuíram em todas as classes de produtos. Distribuidores mantiveram estoques reduzidos ao final da temporada agrícola.

Na Ásia, excluída a Índia, o faturamento atingiu US$ 91 milhões, redução de 8%. O crescimento das vendas de Isoflex na Austrália contribuiu para o desempenho regional.

Na Europa, Oriente Médio e África, a receita recuou 22%, para US$ 121 milhões. A FMC relacionou a queda dos volumes principalmente à perda planejada de registros de produtos.

Companhia reduz projeções para 2026

A FMC revisou suas estimativas para o quarto trimestre e para o conjunto de 2026.

Para os últimos três meses do ano, a empresa projeta receita entre US$ 1,04 bilhão e US$ 1,14 bilhão, excluídas as operações indianas. O ponto médio representa estabilidade em relação ao mesmo período de 2025.

O EBITDA ajustado deverá alcançar entre US$ 210 milhões e US$ 230 milhões, queda de 22% no ponto médio. O lucro ajustado por ação deverá variar entre US$ 0,56 e US$ 0,70.

A fabricante espera ampliar os volumes com vendas diretas aos produtores brasileiros, crescimento de novos produtos e preços mais competitivos. O avanço deve compensar a queda de preços, estimada em um dígito alto em termos percentuais.

Para 2026, a previsão de receita, excluída a Índia, varia entre US$ 2,75 bilhões e US$ 2,85 bilhões, retração de 28% no ponto médio. A estimativa para o EBITDA ajustado indica resultado negativo entre US$ 124 milhões e US$ 104 milhões.

A companhia também prevê fluxo de caixa livre negativo entre US$ 350 milhões e US$ 150 milhões. A projeção contempla aproximadamente US$ 180 milhões em despesas de reestruturação.

Novos ingredientes ativos

A estratégia operacional inclui ganho de competitividade do portfólio principal, com redução de custos industriais e ajuste da estrutura de custos na Ásia após a venda da operação na Índia, além da expansão das vendas de novos ingredientes ativos.

A companhia projeta faturamento entre US$ 300 milhões e US$ 400 milhões com novos ingredientes ativos em 2026. Também pretende ampliar acordos comerciais de licenciamento e vendas diretas aos agricultores brasileiros.

Outra prioridade envolve a estratégia para o período posterior ao vencimento das patentes de Rynaxypyr. A FMC pretende reduzir os custos de fabricação, ampliar volumes com preços mais competitivos e desenvolver misturas e formulações para enfrentar problemas de resistência a inseticidas.

A fabricante também busca gerar aproximadamente US$ 1 bilhão para amortização de dívidas. Entre as iniciativas figuram a venda da operação comercial na Índia, o licenciamento de ingredientes ativos, operações de venda e arrendamento (leaseback) de imóveis e outras vendas de ativos, além do investimento do Tessenderlo Group.

As avaliações preliminares apontam EBITDA ajustado entre aproximadamente US$ 650 milhões e US$ 730 milhões em 2027. Para 2028, a companhia trabalha com intervalo de US$ 760 milhões a US$ 840 milhões.

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