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O sensoriamento remoto realizado pela EarthDaily, empresa de monitoramento agrícola com uso de dados de satélite, mostra volumes expressivos de chuva para o Sul, enquanto os acumulados deverão permanecer menores no restante do país nos próximos dias. Além disso, tanto o modelo europeu ECMWF quanto o americano GFS projetam temperaturas acima da média em grande parte do território nacional, com anomalias entre 3°C e 7°C acima da normalidade. O cenário reforça o contraste climático entre as regiões produtoras e indica forte indício da atuação do fenômeno climático El Niño.
“O tempo mais seco pode beneficiar a maturação da cana-de-açúcar, a concentração de açúcares e a colheita, mas aumenta o risco de estresse hídrico e de limitações à rebrota das áreas recém-colhidas. Já a recuperação da baixa umidade do solo registrada dependerá do comportamento das chuvas em setembro e poderá influenciar o calendário para o início da semeadura da soja 2026/27”, comenta Felippe Reis, analista de culturas da EarthDaily.
Entre 1º e 15 de agosto, a umidade do solo permaneceu acima da média em boa parte das regiões produtoras de trigo do Sul, garantindo boa disponibilidade hídrica para o desenvolvimento da cultura. As chuvas recentes e a manutenção dos solos úmidos, entretanto, aumentam a atenção para a ocorrência de doenças, especialmente nas lavouras em estágios mais avançados.
No Rio Grande do Sul, o excesso de precipitação também representa um risco para o potencial produtivo do trigo. Nas últimas semanas, o índice de vegetação (NDVI) apresentou forte queda no estado, movimento que parece pouco consistente com as condições hídricas observadas e pode estar relacionado à interferência de nuvens nas imagens. Os elevados volumes de precipitação registrados em julho e agosto reforçam essa hipótese.
“Apesar disso, o excesso de chuva permanece como um risco agronômico. Em 2023, ano sob influência do El Niño, os elevados acumulados registrados entre setembro e novembro prejudicaram o desenvolvimento e o potencial produtivo das lavouras de trigo. A persistência de um padrão mais úmido nos próximos meses, portanto, será um importante ponto de atenção para o ciclo atual”, explica Felippe Reis, analista de cultura da EarthDaily.
Sob influência do El Niño, aumenta a atenção para a possibilidade de chuvas mais frequentes no Sul, condição que pode elevar a pressão de doenças, reduzir a radiação solar e, posteriormente, prejudicar a qualidade dos grãos e as operações de colheita.
Na zona canavieira, a expectativa é de precipitação diária inferior a 1 milímetro, volume insuficiente para limitar a colheita da cana-de-açúcar.
O ECMWF também indica temperaturas acima da média em grande parte da região canavieira do Centro-Sul. Os modelos convergem para uma forte elevação das temperaturas na última semana de agosto, embora o GFS projete um cenário de calor mais intenso, com máximas próximas de 40°C.
No curto prazo, o tempo quente e seco pode favorecer a maturação da cana e a concentração de açúcares, além de facilitar as operações de colheita. Por outro lado, a persistência de calor intenso pode acelerar a perda de umidade do solo e aumentar o estresse hídrico, inclusive nas áreas recém-colhidas, limitando a rebrota das soqueiras caso o período quente e seco se prolongue.
Algumas regiões de Mato Grosso e Goiás registraram umidade do solo abaixo da média no início de agosto. Com temperaturas elevadas previstas para a segunda metade do mês, o retorno das chuvas será determinante para a recuperação da umidade do solo e para o início da semeadura da soja 2026/27.
Em 16 de agosto, a umidade ainda se encontrava próxima ou acima da média em boa parte do Sul. Para 31 de agosto, entretanto, o ECMWF indica avanço do déficit hídrico principalmente pelo Centro-Oeste e por partes do Sudeste.
Para a soja 2026/27, a redução da umidade em Mato Grosso, Goiás e áreas de Mato Grosso do Sul ainda é compatível com o período seco. A condição, porém, passa a exigir monitoramento caso o retorno das chuvas atrase em setembro.
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