Origem materna influencia microbiota de abelhas

Estudo com Bombus terrestris identifica diferenças bacterianas nas larvas e convergência da microbiota na fase adulta

30.10.2026 | 14:05 (UTC -3)
Revista Cultivar
Foto: Metin Gulesci / Leaf Tobacco - Bugwood
Foto: Metin Gulesci / Leaf Tobacco - Bugwood

A origem materna está associada a diferenças na composição da microbiota intestinal de machos de Bombus terrestris durante o desenvolvimento larval. Entretanto, essas diferenças diminuem após a emergência dos adultos. Aos sete dias de idade, machos produzidos por rainhas e operárias apresentam comunidades bacterianas de estrutura semelhante, embora a diversidade permaneça maior nos descendentes de rainhas. A descoberta consta de estudo conduzido por pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas.

Os cientistas investigaram a microbiota intestinal dos machos em diferentes estágios de desenvolvimento. O experimento utilizou cinco colônias com rainhas virgens e cinco microcolônias sem rainhas, cada uma com três operárias. A equipe analisou o material por sequenciamento do gene 16S rRNA.

Diversidade bacteriana

Os resultados indicaram diferenças na diversidade bacteriana das larvas conforme a origem materna. Larvas de machos produzidos por rainhas apresentaram maior riqueza e diversidade microbiana. Nas larvas originadas de operárias, o gênero Lactobacillus respondeu por 99,41% da comunidade bacteriana.

Os pesquisadores não detectaram sinais bacterianos consistentes nos ovos e nas pupas. A ausência de detecção, porém, não comprova a inexistência de microrganismos nesses estágios.

Após a emergência dos adultos, a composição intestinal passou por mudanças. Machos com um dia de idade apresentaram predominância dos gêneros Gilliamella, Snodgrassella e Candidatus Schmidhempelia. Aos sete dias, os dois primeiros consolidaram a dominância, enquanto Candidatus Schmidhempelia perdeu espaço.

Gêneros bacterianos compartilhados

A pesquisa também identificou oito gêneros bacterianos compartilhados entre rainhas, operárias e seus descendentes machos. Essa sobreposição sugere uma possível contribuição materna para a colonização intestinal, mas não comprova transmissão vertical.

Segundo os pesquisadores, os resultados indicam associação entre desenvolvimento do hospedeiro e formação da microbiota adulta. Por se tratar de um estudo observacional, os autores ressaltam que não é possível separar o efeito da origem materna do ambiente social em que os machos foram criados. O estudo fornece informações para futuras investigações sobre saúde e conservação de polinizadores (doi 10.3390/insects17111126).

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