Nova armadilha com IA monitora pragas em videiras

Equipamento entra em testes por seis meses na Serra Gaúcha

25.03.2026 | 15:25 (UTC -3)
Elstor Hanzen

Técnicos do Departamento de Defesa Vegetal da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul (DDV/Seapi-RS) finalizaram, na terça-feira (24/3), a instalação do primeiro equipamento de monitoramento automático de pragas em parreirais de uva em Bento Gonçalves. O novo sistema passará por uma fase de testes com duração de seis meses. A iniciativa representa a possibilidade de incorporação da tecnologia de inteligência artificial ao sistema de vigilância fitossanitária do estado.

O equipamento se agrega ao sistema de prevenção contra a Lobesia botrana, mariposa que tem a videira como hospedeira. Embora a espécie não esteja presente no Brasil, é classificada como inseto quarentenário com alto potencial de estabelecimento no território nacional. Por esse motivo, são adotadas medidas preventivas rigorosas para evitar sua introdução, entre elas o monitoramento contínuo por meio de armadilhas, que funcionam como sistemas de detecção precoce.

Atualmente, 20 armadilhas convencionais estão instaladas em parreirais de 15 municípios e são inspecionadas quinzenalmente por técnicos da Seapi, em sua maioria engenheiros agrônomos. Esses profissionais são responsáveis pela substituição das placas adesivas e pela análise do material coletado em busca de espécimes suspeitos. Em caso de identificação preliminar, o material é encaminhado para análise em laboratório oficial. A cada 45 dias, também é realizada a troca do feromônio — o atrativo sexual contido nas armadilhas —, cuja função é liberar um odor que atrai os insetos e facilita sua captura.

Dados no aplicativo em tempo real

“Com a instalação da nova armadilha, esse processo passa a ser amplamente automatizado. O servidor da Secretaria precisará apenas substituir o feromônio a cada 45 dias, período em que sua capacidade de atração se mantém ativa. O novo equipamento utiliza o mesmo sistema adesivo e o mesmo atrativo do convencional, mas incorpora tecnologia de inteligência artificial para a captura de imagens e a identificação da espécie, com os dados disponibilizados em tempo real por meio de um aplicativo”, explica a chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal do DDV, Deise Riffel.

A armadilha gera imagens dos insetos capturados, que são analisadas automaticamente pelo sistema, indicando a presença da Lobesia botrana ou de outras espécies suspeitas. O monitoramento passa a ocorrer de forma contínua, e a frequência de geração das imagens pode ser configurada conforme a necessidade técnica. As imagens e os alertas são enviados para um aplicativo instalado no celular, permitindo a verificação pelos técnicos e a atuação em etapa complementar à análise automatizada.

“O novo sistema aprimora significativamente o trabalho, porque permite um monitoramento mais eficiente e ágil”, observa o fiscal agropecuário da Seapi, Marcos Antônio Cambruzzi, que participou da instalação do equipamento e um dos responsáveis pelo monitoramento das armadilhas convencionais.

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