Nitrogênio na soja tardia não eleva produtividade nos EUA

Estudo aponta ausência de resposta agronômica em sistema após milho

23.03.2026 | 07:35 (UTC -3)
Revista Cultivar
Foto: Syngenta
Foto: Syngenta

Aplicação de nitrogênio no plantio não aumenta produtividade nem crescimento de soja semeada muito tarde, após colheita do milho. Resultado surge de ensaios conduzidos entre 2022 e 2024 na Carolina do Sul, nos Estados Unidos. Dados indicam ausência de resposta para altura de plantas, altura do primeiro legume e rendimento de grãos.

O trabalho avaliou cinco doses de nitrogênio via nitrato de amônio: 0, 15, 30, 60 e 90 lb/ac. Aplicação ocorreu entre V1 e V2. Experimentos ocorreram no Edisto Research and Education Center, em solo arenoso, sob irrigação e manejo padrão regional.

Produtividade média

Produtividade média variou de 19,4 a 21,0 bu/ac. Diferenças não alcançaram significância estatística. A dose de 15 lb/ac apresentou maior média, com 21,0 bu/ac. Ganho aproximado de 1 bu/ac frente ao controle. Mesmo assim, análise econômica aponta retorno inconsistente. Estimativa indica ganho parcial de US$ 2,20/ac sob preço de soja de US$ 10/bu e nitrogênio a US$ 0,52/lb.

Altura de plantas também não respondeu ao fertilizante. Valores oscilaram entre 17,5 e 18,9 polegadas. Altura do primeiro legume variou de 4,9 a 5,4 polegadas. Nenhuma diferença estatística entre doses. Resultados reforçam ausência de efeito do nitrogênio mesmo em condição de estresse por semeadura tardia.

Sistema avaliado

Sistema avaliado envolve sucessão milho-soja no mesmo ano agrícola nos Estados Unidos. Produtores colhem milho com alta umidade e implantam soja fora da janela ideal. Condições ambientais limitam crescimento. Fotoperíodo reduzido, ciclo curto e temperaturas mais baixas afetam desenvolvimento. Plantas ficam mais baixas. Colheita perde eficiência.

Produtores testam estratégias para elevar altura. Incluem escolha de cultivares, aumento de população e ajuste de espaçamento. Uso de nitrogênio na semeadura também entrou na prática. Recomendação em estados vizinhos sugere 30 a 50 lb/ac para elevar porte. Dados do estudo não confirmam esse efeito.

A soja atende demanda de nitrogênio via fixação biológica e absorção do solo. Resposta ao fertilizante costuma ocorrer em poucos ambientes. Mesmo nesses casos, retorno econômico tende a baixo. Resultados atuais seguem essa tendência.

Conclusão indica ausência de ganho agronômico com nitrogênio em soja ultra tardia após milho. A prática não gera retorno consistente. Decisão de manejo deve priorizar redução de custo. Pesquisa sugere foco em outros fatores agronômicos para elevar crescimento e eficiência de colheita.

Outras informações em doi.org/10.1002/cft2.70103

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