Nanopartículas de sílica reduzem postura da lagarta-do-cartucho

Efeito residual no solo altera voláteis do milho e diminui a preferência de Spodoptera frugiperda

02.08.2026 | 17:03 (UTC -3)
Schubert Peter, Revista Cultivar

A aplicação foliar de nanopartículas de dióxido de silício gerou um efeito residual no solo capaz de reduzir a postura da lagarta-do-cartucho em plantas de milho cultivadas na geração seguinte. O mecanismo envolveu microrganismos do solo e mudanças na emissão de compostos voláteis pela cultura, conforme estudo de pesquisadores chineses (doi 10.1002/ps.71169).

O milho cultivado em solo condicionado com as nanopartículas recebeu menos ovos de Spodoptera frugiperda em testes de campo e laboratório. Ensaios de escolha também indicaram menor preferência de adultos e larvas pelas plantas. O tratamento não provocou alterações significativas no crescimento inicial nem no acúmulo de silício.

A esterilização do solo eliminou a resposta. A reintrodução da comunidade microbiana restabeleceu o efeito, resultado associado à participação dos microrganismos no processo.

A análise dos voláteis identificou aumento nas emissões de hexanal, (Z)-β-ionona, di-hidroactinidiolida, 6,10,14-trimetil-2-pentadecanona e (3E,7E)-4,8,12-trimetiltrideca-1,3,7,11-tetraeno.

Hexanal, di-hidroactinidiolida e o último composto apresentaram respostas comportamentais dependentes da concentração. Em níveis próximos aos observados nas plantas-controle, atuaram como atrativos. Em concentrações elevadas, registradas no milho cultivado em solo condicionado, passaram a repelir o inseto.

Os resultados indicam um mecanismo de retroalimentação entre nanopartículas, solo e planta. A estratégia pode apoiar o desenvolvimento de métodos voltados à redução da colonização da cultura pela praga.

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