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A aplicação foliar de nanopartículas de dióxido de silício gerou um efeito residual no solo capaz de reduzir a postura da lagarta-do-cartucho em plantas de milho cultivadas na geração seguinte. O mecanismo envolveu microrganismos do solo e mudanças na emissão de compostos voláteis pela cultura, conforme estudo de pesquisadores chineses (doi 10.1002/ps.71169).
O milho cultivado em solo condicionado com as nanopartículas recebeu menos ovos de Spodoptera frugiperda em testes de campo e laboratório. Ensaios de escolha também indicaram menor preferência de adultos e larvas pelas plantas. O tratamento não provocou alterações significativas no crescimento inicial nem no acúmulo de silício.
A esterilização do solo eliminou a resposta. A reintrodução da comunidade microbiana restabeleceu o efeito, resultado associado à participação dos microrganismos no processo.
A análise dos voláteis identificou aumento nas emissões de hexanal, (Z)-β-ionona, di-hidroactinidiolida, 6,10,14-trimetil-2-pentadecanona e (3E,7E)-4,8,12-trimetiltrideca-1,3,7,11-tetraeno.
Hexanal, di-hidroactinidiolida e o último composto apresentaram respostas comportamentais dependentes da concentração. Em níveis próximos aos observados nas plantas-controle, atuaram como atrativos. Em concentrações elevadas, registradas no milho cultivado em solo condicionado, passaram a repelir o inseto.
Os resultados indicam um mecanismo de retroalimentação entre nanopartículas, solo e planta. A estratégia pode apoiar o desenvolvimento de métodos voltados à redução da colonização da cultura pela praga.
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