Agosto terá temperaturas acima da média no Brasil e chuva no RS

Inmet alerta para efeitos do clima sobre colheitas, irrigação e culturas de inverno

31.07.2026 | 17:25 (UTC -3)
Inmet, edição Revista Cultivar

A previsão climática do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica que agosto de 2026 deve ser marcado por chuvas acima da média em áreas das regiões Norte, Centro-Oeste e no Rio Grande do Sul. Em contrapartida, algumas áreas do país podem registrar volumes abaixo da média histórica para o mês.

As temperaturas devem permanecer acima da média em grande parte do Brasil, com destaque para os maiores desvios previstos nas regiões Norte e Centro-Oeste. O cenário pode influenciar o desenvolvimento das culturas agrícolas, a disponibilidade hídrica e o andamento das operações de campo.

Previsão de desvios de (a) precipitação (mm) e (b) temperatura média do ar (°C) do modelo climático do Inmet para o mês de agosto de 2026
Previsão de desvios de (a) precipitação (mm) e (b) temperatura média do ar (°C) do modelo climático do Inmet para o mês de agosto de 2026

Chuva

Para a Região Norte, predominam áreas com acumulados previstos dentro da faixa normal do mês. Também são previstos totais de chuva próximos ou acima da média em parte de Rondônia, centro-oeste do Amazonas e norte do Pará. Por outro lado, são previstos volumes abaixo da média em todo o estado de Roraima, norte do Amazonas e noroeste do Pará.

Em relação à Região Nordeste, é prevista a possibilidade de chuva acima da média apenas em uma estreita faixa do norte do Ceará. Por outro lado, é prevista chuva abaixo ou dentro da faixa normal no leste da região entre o sul da Bahia e Rio Grande do Norte. Nas demais áreas da região, a previsão indica volumes de chuva próximos à climatologia.

Para a Região Centro-Oeste, a previsão indica chuva abaixo da média no centro-norte do Mato Grosso do Sul, enquanto para o sudoeste de Goiás e centro-sul do Mato Grosso do Sul é prevista chuva acima da média. Nas demais áreas da região, a previsão indica totais de chuva próximos à média histórica de agosto, salientado que agosto é um mês tipicamente seco, com médias climatológicas muito baixas.

Para a Região Sudeste, o prognóstico indica predomínio de áreas da região com volumes próximos à média histórica. Algumas áreas, contudo, podem apresentar volumes acima da média.

Em relação à Região Sul, a previsão indica chuva acima da média em praticamente todo o Rio Grande do Sul. De outro modo, para o leste do Paraná e nordeste de Santa Catarina é prevista chuva próximas ou abaixo da média.

Temperatura

A previsão para agosto indica que as temperaturas devem ficar acima da média em grande parte do país, com destaque para os maiores desvios previstos nas regiões do Norte e Centro-Oeste do Brasil.

Na Região Norte, a previsão indica predomínio de temperaturas acima da média climatológica em grande da região, com desvios positivos entre 1,0 °C e 2,0 °C, aproximadamente. Nas regiões do noroeste e leste do Amazonas, sul de Roraima e noroeste do Pará, as temperaturas devem ficar cerca de 1 °C acima da média climatológica. Nas demais áreas da região, são previstos desvios de até 1,5 °C. Destaca-se que o centro e sudeste do Pará podem registrar temperaturas até 2,0 °C acima da média climatológica.

Na Região Nordeste, a previsão indica temperaturas de até 1,5 °C acima da média climatológica em grande parte do Matopiba e na região centro-oeste do Ceará. Nas demais áreas da região, as temperaturas devem permanecer até 1 °C acima da média climatológica do mês.

Na Região Centro-Oeste, o prognóstico indica temperaturas médias de até 2,0 °C acima da climatologia do mês em toda faixa norte e oeste do Mato Grosso, em grande parte de Mato Grosso do Sul e no centro-oeste do Goiás. Nas demais áreas da região, são previstos desvios de até 1,5 °C em relação à média climatológica de agosto.

Na Região Sudeste, a previsão indica temperaturas acima da média em grande parte da região, com desvios de até 1,0 °C. Os menores desvios são previstos para o norte e nordeste de Minas Gerais, oeste do Espírito Santo e oeste de São Paulo, onde as temperaturas devem ficar até 0,4 °C acima da média climatológica do mês.

Na Região Sul, a previsão é de temperaturas até 1,0 °C acima da média climatológica em praticamente toda a região. Exceções ocorrem no leste do Paraná, oeste de Santa Catarina e faixa leste do Rio Grande do Sul, para onde são previstos desvios de até 1,5 °C em relação à média climatológica de agosto.

Possíveis impactos nas culturas agrícolas

Em grande parte da Região Norte, a previsão de volumes de chuva próximos e acima da média, associada a temperaturas mais elevadas, deverá favorecer a manutenção da disponibilidade hídrica, beneficiando o desenvolvimento das lavouras de feijão de terceira safra em campo. Por outro lado, em Rondônia, no centro-oeste e noroeste do Amazonas e norte do Pará, a maior frequência de chuvas poderá dificultar o tráfego de máquinas, elevar a umidade dos grãos e aumentar a incidência de doenças de final de ciclo nas lavouras em fase de colheita.

No sudeste e sudoeste do Pará, no Baixo Amazonas e no Tocantins, a redução das chuvas e temperaturas mais elevadas, cenário comum para esta época do ano, deverá favorecer as operações de colheita do milho de segunda safra e do algodão, contribuindo para a secagem natural dos grãos e a abertura uniforme dos capulhos. Contudo, as lavouras de milho de segunda safra, ainda em fase de enchimento de grãos, permanecerão expostas à elevada demanda evaporativa, agravada pelos baixos níveis de armazenamento de água no solo previstos para essas áreas. Essa condição, poderá acelerar o ciclo das plantas, reduzir o peso final dos grãos e comprometer o potencial produtivo das lavouras mais tardias.

Em Roraima e no norte do Amazonas, a combinação de chuvas abaixo da média e temperaturas acima da média tende a favorecer a evapotranspiração e a demanda hídrica das culturas. Esse cenário exige atenção especial às lavouras de arroz irrigado, cujo período de maior necessidade de água coincide com a estação seca da região, elevando a pressão sobre os sistemas de irrigação e a disponibilidade hídrica dos mananciais.

Na Região Nordeste, a previsão de chuvas próximas à média e temperaturas acima da média em grande parte da região tende a favorecer as operações de colheita das culturas de segunda safra, com destaque para o milho, o algodão e o sorgo, que deverão permanecer nas fases de maturação e colheita ao longo do mês. Nessas áreas, o predomínio de tempo seco contribuirá para a secagem natural dos grãos, a abertura uniforme dos capulhos e a redução de perdas por excesso de umidade.

No agreste e na faixa leste do Nordeste, a previsão de chuvas levemente abaixo da média e temperaturas elevadas aumenta o risco de restrição hídrica, especialmente para o milho de terceira safra em floração e enchimento de grãos em Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. Esse cenário pode reduzir o potencial produtivo das lavouras de sequeiro, elevar a demanda por irrigação na fruticultura dos vales do São Francisco e do Jaguaribe e comprometer as pastagens e a disponibilidade de água para a pecuária extensiva no semiárido.

Na Região Centro-Oeste, a previsão para o mês de agosto indica a continuidade do tempo seco e de temperaturas acima da média em grande parte da região, deve favorecer a colheita do milho e do algodão de segunda safra. Em contrapartida, o feijão, especialmente nas áreas irrigadas de Goiás e Mato Grosso, exigirá maior atenção ao manejo da irrigação devido ao aumento da demanda hídrica. Assim, a adequada definição da lâmina de água e da frequência das irrigações será fundamental para suprir as necessidades hídricas da cultura e minimizar possíveis impactos sobre o desenvolvimento e a produtividade.

Para as pastagens, as condições tendem a ser mais favoráveis no sul de Mato Grosso do Sul, enquanto nas demais áreas a estiagem poderá reduzir a disponibilidade de forragem e aumentar a necessidade de suplementação animal.

Na Região Sudeste, a previsão de chuva próximas à média e temperaturas acima da média deverá aumentar a evapotranspiração e a demanda hídrica das culturas, favorecendo a redução da umidade do solo, especialmente nas áreas de sequeiro. As lavouras de feijão, principalmente em Minas Gerais, exigirão maior atenção devido ao risco de deficiência hídrica durante o desenvolvimento da cultura. Nas áreas irrigadas, especialmente no noroeste mineiro, a maior necessidade de irrigação poderá reduzir os níveis dos reservatórios. Essa condição poderá comprometer a disponibilidade de água para irrigação no final do período seco e reduzir as reservas hídricas necessárias para o estabelecimento da próxima safra de verão.

Para a cafeicultura, as condições previstas tendem a manter o período de repouso fisiológico e a indução floral das plantas, contribuindo para uma florada mais uniforme com o retorno das chuvas da primavera. Além disso, a persistência do tempo seco também favorece a maturação dos frutos e as operações de colheita, especialmente nas áreas com cultivares de maturação mais tardia.

Na cultura da cana-de-açúcar, que se encontra predominantemente em fase de maturação e colheita, o predomínio de tempo seco e as temperaturas acima da média tendem a favorecer as operações de colheita e o acúmulo de sacarose nos colmos, contribuindo para a qualidade tecnológica da matéria-prima. As áreas de pastagens também deverão demandar atenção, uma vez que a combinação de temperaturas acima da média e da baixa disponibilidade hídrica tende a reduzir o crescimento das forrageiras e a disponibilidade de alimento para os rebanhos, especialmente nas áreas de sequeiro. Esse cenário poderá aumentar a necessidade de suplementação alimentar e de manejo mais criterioso da lotação animal ao longo do período seco.

Na Região Sul, a previsão indica chuvas acima da média no Rio Grande do Sul e temperaturas acima da média em toda a região. Esse cenário reduz a frequência e a persistência de incursões de massas de ar frio e seco, diminuindo a probabilidade de ocorrência de geadas amplas, especialmente no estado gaúcho. No Paraná e em Santa Catarina, os acumulados de chuva próximos da média climatológica tendem a favorecer o desenvolvimento das culturas de inverno, além de proporcionar condições mais adequadas para a realização de operações mecanizadas, como adubação de cobertura e manejo fitossanitário. No Rio Grande do Sul, a combinação de maior disponibilidade hídrica e temperaturas elevadas favorece o crescimento das culturas de inverno. Entretanto, essas condições também aumentam o risco de ocorrência e disseminação de doenças fúngicas e manchas foliares. Além disso, a maior umidade do solo poderá dificultar a entrada de máquinas nas lavouras, comprometendo a realização oportuna das práticas de manejo.

As áreas de pastagens também requerem atenção, uma vez que o excesso de umidade pode intensificar o pisoteio pelos animais, favorecendo a compactação e a degradação do solo. Nesse contexto, recomenda-se o ajuste da carga animal e a adoção de sistemas de pastejo, de forma a minimizar os impactos sobre as áreas de pastagem e favorecer sua recuperação.

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