Relare debate desafios para ampliar uso de bioinsumos no Brasil
Especialistas destacam necessidade de adaptar microrganismos às condições locais e avançar em regulamentação
Pesquisadores desenvolveram um nanocomplexo com lufenuron e RNA de fita dupla para ampliar o controle de larvas tardias da traça-das-crucíferas, Plutella xylostella. Em laboratório, a formulação elevou a mortalidade de larvas de quarto ínstar para 83,33% oito dias após a aplicação. O nano-lufenuron usado como controle causou 50% de mortalidade no mesmo período.
A estratégia combina o inseticida lufenuron, o nanocarreador policátion estrela (SPc) e moléculas de dsRNA direcionadas aos genes PxCHS1 e PxCHS2. Esses genes participam da síntese de quitina em tecidos distintos. PxCHS1 apresentou maior expressão no tegumento. PxCHS2 concentrou expressão no intestino médio.
O silenciamento de PxCHS1 reduziu a espessura da cutícula de 4,25 para 2,70 micrômetros e aumentou a toxicidade por contato do nano-lufenuron. O silenciamento de PxCHS2 rompeu a integridade da matriz peritrófica e elevou a toxicidade por ingestão.
Na aplicação conjunta, o complexo LUF/SPc/dsPxCHS1+dsPxCHS2 atuou sobre as duas barreiras. Em larvas de terceiro ínstar, a mortalidade chegou a 91,67% quatro dias após o tratamento, ante 68,33% no controle com nano-lufenuron. Em larvas de quarto ínstar, a emergência de adultos caiu para 15%, ante 53,33% no controle com nano-lufenuron.
O estudo aponta potencial para ampliar a ação de reguladores de crescimento contra lagartas em estádios avançados. Contudo, os pesquisadores destacam desafios para uso em campo, entre eles estabilidade do nanocarreador, desempenho sob condições agrícolas e efeitos residuais sobre o ambiente e organismos não alvo (doi 10.1016/j.pestbp.2026.107310).
Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura