Micronutrientes ganham papel central na produtividade do algodão

Revisão científica aponta boro, ferro, manganês e zinco como chaves para a cultura

20.01.2026 | 06:24 (UTC -3)
Revista Cultivar
Foto: Wenderson Araujo, CNA
Foto: Wenderson Araujo, CNA

A produtividade do algodão demanda mais do que nitrogênio, fósforo e potássio. Revisão científica norte-americana mostra que boro, ferro, manganês e zinco influenciam diretamente o rendimento, a retenção de capulhos e a qualidade da fibra. A negligência desses micronutrientes amplia falhas produtivas mesmo em áreas bem adubadas com macronutrientes.

O estudo reúne avanços fisiológicos, moleculares e agronômicos sobre o papel desses elementos no algodoeiro. Os autores destacam efeitos sobre fotossíntese, integridade da parede celular, sinalização hormonal e tolerância a estresses. Esses processos sustentam o desenvolvimento radicular, a formação reprodutiva e o enchimento dos capulhos.

A deficiência de boro reduz a germinação do pólen e o transporte de carboidratos. O problema aumenta a queda de estruturas reprodutivas e limita o aproveitamento de fósforo e potássio. Níveis adequados favorecem retenção de botões florais, fixação de capulhos e manutenção da atividade fotossintética.

O ferro atua na síntese de clorofila e no transporte de elétrons. A falta do nutriente provoca clorose, reduz fotossíntese e compromete a retenção de capulhos, sobretudo em solos de pH elevado. O manganês participa do fotossistema II e da defesa antioxidante. A deficiência afeta enzimas, acelera a senescência foliar e reduz crescimento. O zinco regula enzimas, hormônios e o desenvolvimento reprodutivo. A carência causa entrenós curtos, folhas menores e capulhos mal formados.

Absorção e equilíbrio

A revisão aponta genes-chave no controle da absorção e do equilíbrio desses micronutrientes. Entre eles, BOR1 para boro, IRT1 para ferro, NRAMP1 para manganês e transportadores da família ZIP para zinco. Esses alvos genéticos abrem caminho para programas de melhoramento com foco em eficiência de uso de nutrientes.

Tecnologias de fenotipagem avançada ganham destaque. Drones com sensores multiespectrais permitem detectar estresse nutricional e diferenças entre genótipos. Técnicas como sequenciamento de RNA em célula única ajudam a mapear redes regulatórias associadas à eficiência nutricional.

Os autores indicam novas frentes de pesquisa. O uso de microRNAs, edição gênica por CRISPR e manejo nutricional de precisão aparece como estratégia para elevar a eficiência de boro, ferro, manganês e zinco. A integração dessas abordagens pode reduzir impactos ambientais e fechar lacunas de produtividade no algodão.

A conclusão reforça a necessidade de rever programas de fertilidade. O equilíbrio entre macro e micronutrientes define o desempenho do algodoeiro em sistemas sustentáveis. O foco exclusivo em N, P e K deixa espaço para perdas evitáveis de rendimento e qualidade.

Outras informações em doi.org/10.3390/ijpb17010007

Compartilhar

Newsletter Cultivar

Receba por e-mail as últimas notícias sobre agricultura

acessar grupo whatsapp