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Pesquisadores da Curtin University identificaram solos agrícolas com capacidade natural de suprimir Sclerotinia sclerotiorum, fungo causador do mofo-branco. A doença provoca perdas em culturas extensivas, como canola e leguminosas. Seu estudo mostrou a ação do microbioma do solo contra a infecção de plantas e contra a germinação de estruturas de sobrevivência do patógeno.
A pesquisa comparou um solo supressivo com um solo próximo favorável à doença. Os cientistas observaram diferenças na estrutura das comunidades microbianas. O solo supressivo apresentou maior presença de organismos de biocontrole, em especial bactérias dos gêneros Bacillus e Streptomyces. Esses microrganismos atuaram como antagonistas do patógeno.
O trabalho avaliou Sclerotinia sclerotiorum em canola, em amostras coletadas perto de Kojonup, na Austrália Ocidental. Os cientistas usaram amostras de uma área de canola com histórico de supressão da doença, de uma área vizinha condutiva à doença e de uma área de vegetação remanescente. As coletas ocorreram em outubro de 2022, em profundidade de zero a dez centímetros.
Nos bioensaios, plântulas de canola cultivadas no solo supressivo apresentaram menor progresso da doença. Dados de metabarcoding por ITS também detectaram maior abundância de Sclerotinia sclerotiorum no solo condutivo do que no solo supressivo. A germinação carpogênica de escleródios caiu para 29,9 por cento no solo supressivo. O solo condutivo registrou 59 por cento. O solo de vegetação remanescente registrou 75,7 por cento.
Os resultados também indicaram a origem biológica da supressão. O tratamento térmico do solo supressivo a oitenta graus Celsius por sessenta minutos reduziu sua capacidade de controle. Já a mistura do solo supressivo com um solo condutivo reduziu infecções em plântulas. A mistura entre dois solos condutivos não repetiu o mesmo efeito.
Segundo Viet-Cuong Han, do Centre for Crop and Disease Management, o estudo mostra o solo como sistema biológico vivo. O pesquisador afirmou que a equipe identificou um solo capaz de impedir a infecção de plantas e de inibir a germinação das estruturas de sobrevivência do fungo.
A análise do microbioma apontou Bacillus como táxon-chave no solo supressivo. O gênero teve 28,1 por cento de abundância relativa nesse solo, contra 20,3 por cento no solo condutivo e 0,4 por cento no solo de vegetação remanescente. O solo supressivo também teve maior abundância de Neobacillus, Nitrososphaera, Candidatus Nitrocosmicus e Geodermatophilus.
Os cientistas também encontraram maior presença de gêneros fúngicos associados a biocontrole no solo supressivo, como Trichoderma, Chaetomium, Humicola e Coniothyrium minitans. No conjunto de bactérias e arqueias, o filo Firmicutes apresentou maior abundância no solo supressivo.
Ensaios de cultivo e antagonismo confirmaram maior número de bactérias com ação de biocontrole. Espécies de Bacillus e Streptomyces reduziram o crescimento do fungo e diminuíram a doença em testes com plantas. O estudo também identificou bactérias de solos da Austrália Ocidental ainda não relatadas contra Sclerotinia sclerotiorum.
As propriedades químicas e físicas também se associaram à supressão. Os dados relacionaram maior pH e menor relação carbono:nitrogênio com maior capacidade de suprimir o patógeno. O solo supressivo também se associou a maior capacidade de retenção de água e maior carbono orgânico total nas análises do estudo.
Para os pesquisadores, os resultados criam base para estratégias de manejo guiadas pelo microbioma. Práticas agronômicas voltadas à saúde do solo, como manutenção da matéria orgânica e redução de distúrbios desnecessários, podem favorecer comunidades microbianas ligadas à supressão natural. O trabalho também aponta o uso futuro de microrganismos do solo como indicadores e ferramentas no manejo do mofo-branco e de outras doenças de solo.
Outras informações em doi.org/10.1016/j.apsoil.2025.106722
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