SC tem o 5º maior agronegócio do Brasil, revela mapa da Facisc

Estudo mostra que o Estado lidera a agroindustrialização no Brasil

28.05.2026 | 17:16 (UTC -3)
Silvia Chioca

Santa Catarina consolidou sua posição entre os estados mais fortes do agronegócio nacional. Os dados inéditos fazem parte do Mapa do Agro Catarinense 2026, lançado pela Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) nesta quinta-feira (28/5), em Florianópolis. O estudo mostra que o estado ocupa atualmente a 5ª posição entre os maiores agronegócios do país, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.

Com produção estimada em R$ 144 bilhões, Santa Catarina representa 6% de todo o agronegócio brasileiro e apresentou crescimento acima da média nacional nos últimos anos.

O levantamento mostra ainda que o agronegócio responde por 35% da economia catarinense, movimenta cerca de 470 mil empresas, emprega 1,6 milhão de pessoas e representa R$ 12 bilhões em arrecadação estadual.

O presidente da Facisc, Elson Otto, destacou que o estudo evidencia a força econômica do estado em comparação com os principais polos produtivos do país. “Santa Catarina disputa espaço com estados muito maiores em território e extensão agrícola. Mesmo assim, o estado aparece entre os líderes nacionais graças à força da agroindústria, da tecnologia, da produtividade e da capacidade empreendedora do produtor catarinense”, afirmou.

Santa Catarina tem a maior agroindustrialização do país

Um dos principais diferenciais catarinenses aparece na composição do agronegócio. O estudo aponta que Santa Catarina possui a maior participação da agroindústria entre os grandes estados produtores brasileiros. Enquanto em estados como Mato Grosso e Goiás a força está concentrada na produção primária, Santa Catarina tem 40% do agro ligado diretamente à indústria.

O diretor de Agronegócio e Ferrovias da Facisc, Lenoir Broch, afirma que esse perfil diferencia o estado no cenário nacional. “Santa Catarina construiu um modelo baseado em agregação de valor. O estado não apenas produz, mas industrializa, exporta, desenvolve tecnologia e gera empregos em toda a cadeia produtiva. Isso torna o agro catarinense mais diversificado e resiliente”, destacou.

O estudo também aponta que Santa Catarina possui a 6ª maior quantidade de trabalhadores do agronegócio brasileiro, com 1,6 milhão de pessoas ocupadas no setor. O crescimento de empregos no agro catarinense foi de 19% na última década, o terceiro maior avanço do país. Quando o resultado é padronizado pela população, Santa Catarina lidera o ranking nacional, com 195 trabalhadores no agronegócio catarinense a cada 1.000 habitantes.

Liderança nacional em produtos estratégicos

O Mapa do Agro mostra que Santa Catarina lidera nacionalmente pelo menos 12 segmentos produtivos. O estado responde por:

  • 50% da produção brasileira de maçã;
  • 23% da produção nacional de carne suína;
  • 86% da produção de ostras, vieiras e mexilhões;
  • 44% das conservas de peixe;
  • 64% do alvejamento e tingimento de fios e tecidos.

Além disso, o estado se diferencia do restante do país por investir em setores não tradicionais no agronegócio, que envolve maiores riscos na produção, mas geram maior valor agregado no produto, com posições de destaque em setores como maracujá, pêssego, ovos de codorna, alevinos,máquinas para alimentos, papel, confecção e têxtil.

Exportações alcançam recorde histórico

No comércio exterior, Santa Catarina aparece como o oitavo maior exportador do agronegócio brasileiro. Quando analisada apenas a agroindústria, o estado figura entre os cinco maiores exportadores do país. O agronegócio catarinense alcançou recorde histórico em 2025, com US$ 8,4 bilhões em exportações. Mesmo com a política do tarifaço aplicada pelos EUA e embargos de proteína animal da China, o estado cresceu suas exportações e atingiu valores históricos para América do Sul e Oriente Médio, bem como voltou a exportar níveis de vendas para continentes como Oceania, Europa e África.

Santa Catarina também ocupa a segunda posição nacional nas importações do setor, com US$ 7,3 bilhões comprados internacionalmente. O estado é importante recebedor de insumos industriais e de fertilizantes não somente para Santa Catarina, mas também para o restante do país, com 13% de participação nacional.

A economista da Facisc, Mariana Guedes, destaca que o desempenho catarinense chama atenção pela capacidade de competir em mercados globais com produtos de maior valor agregado. “O diferencial de Santa Catarina está na diversidade produtiva e na capacidade de industrialização. Todas as regiões do estado se destacam na produção nacional em vários setores, o que amplia a competitividade internacional e faz o estado se beneficiar de diferentes ciclos econômicos, com a capacidade de atender vários mercados ao mesmo tempo, com altas exigências sanitárias e qualidade ímpar.

Tecnologia amplia competitividade

O estudo também revela o avanço tecnológico do agronegócio catarinense. Santa Catarina possui 85 startups agtechs e ocupa a sétima posição nacional no segmento.

Quando analisadas apenas as empresas que comercializam softwares para o agro, o estado sobe para a quarta posição nacional, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco. Isso mostra que o ecossistema catarinense de startups voltadas para o agro são especializadas em solucionar problemas reais dos produtores com tecnologias escaláveis.

Outro diferencial é que as startups estão distribuídas em todas as regiões catarinenses, devido à alta diversidade produtiva do estado, com destaque para Florianópolis, Lages, Chapecó, Concórdia e Joinville.

Desafios e necessidade de investimentos

O Mapa do Agro também apresenta alertas para o setor. Eventos climáticos, dificuldades logísticas e elevados custos na produção fizeram Santa Catarina perder posições nacionais no valor pago pelo produtor em culturas como cebola, pêssego, alho, tomate, milho e uva, levantando a importância de se ter medidas de prevenção também para o agronegócio diante da descoberta de novos eventos climáticos adversos. É preciso também começar a pensar em questões de regulação e acessibilidade à insumos biotecnológicos, que utilizam matérias-primas mais baratas e que não dependam de grãos tradicionais, que possuem alta oscilação no mercado internacional.

Mesmo assim, o estudo aponta potencial de crescimento acima da média nacional. Apesar dos desafios na agropecuária e no comércio internacional, o estado teve valor recorde em produção, emprego e comércio internacional em 2024 e 2025, o que confirma a alta diversidade produtiva e a resiliência do agronegócio catarinense.

“Santa Catarina, com sua produção comandada em parte por pequenos produtores rurais, já alcança resultados expressivos e se diferencia do restante do país, mesmo com todas esses desafios. Portanto, o estado tem espaço para crescer ainda mais com investimentos em infraestrutura, inovação, logística e apoio ao pequeno produtor”, afirmou Lenoir Broch.

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