Mercado de bioinsumos movimenta R$ 7 bilhões no Brasil

Setor pode chegar a R$ 10 bilhões até 2030; regulamentação, qualidade e inovação estão entre os temas discutidos na XXII Relare

19.08.2026 | 16:11 (UTC -3)
Lebna Landgraf, edição Revista Cultivar

O mercado brasileiro de bioinsumos movimentou cerca de R$ 7 bilhões em 2025 e pode alcançar aproximadamente R$ 10 bilhões até 2030, crescimento estimado de 46%. Os dados da Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (Anpii Bio) consideram categorias como produtos de biocontrole, bioinoculantes, mobilizadores de nutrientes e biofertilizantes.

O cenário de expansão ocorre em meio a discussões sobre regulamentação, controle de qualidade e desenvolvimento de novas soluções biológicas. Esses temas estão entre os assuntos da XXII Reunião da Rede de Laboratórios para Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologias de Inoculantes Microbianos de Interesse Agrícola (Relare), realizada nesta quarta (19/8) e quinta-feira (20/8), em Curitiba (PR). O encontro reúne cerca de 250 participantes, entre pesquisadores, representantes da indústria, comunidade acadêmica e órgãos de fiscalização.

Criada em 1985, a Relare atua na recomendação de estirpes microbianas e na padronização de métodos de análise de inoculantes no Brasil. Segundo Solon Araújo, primeiro presidente da rede e conselheiro da Anpii Bio, a aprovação da Lei de Bioinsumos coloca o setor diante de uma nova etapa, com necessidade de avanços nos campos técnico e regulatório.

“Nesse cenário, a Relare mantém o papel estratégico como espaço de articulação e trabalho conjunto entre os diferentes segmentos do setor”, afirmou.

Uso de inoculantes

A pesquisadora Mariangela Hungria, da Embrapa, destacou a contribuição da Relare para a consolidação dos inoculantes no país, especialmente na elaboração de protocolos de campo utilizados pelo Ministério da Agricultura em processos de registro.

A fixação biológica de nitrogênio na soja é um dos principais exemplos do uso de microrganismos na agricultura brasileira. Segundo a pesquisadora, cerca de 85% da área cultivada com soja no país utiliza a tecnologia a cada safra.

Mesmo em solos onde as bactérias já estão presentes naturalmente, a aplicação anual de inoculantes pode proporcionar ganhos de produtividade. Na soja, os incrementos médios estimados variam de 8% a 16%, de acordo com Hungria.

A tecnologia também avança em culturas como milho, trigo, arroz, cana-de-açúcar e pastagens. No caso das gramíneas, o uso de inoculantes já supera 40 milhões de doses comercializadas por ano. No milho, os produtos não substituem totalmente os fertilizantes nitrogenados, mas podem aumentar a eficiência de aproveitamento dos nutrientes e, em determinadas condições, permitir redução de até 25% da adubação nitrogenada de cobertura.

Regulamentação e mercado

A programação da Relare inclui discussões sobre regulamentação, metodologias de análise, controle de qualidade, ensaios interlaboratoriais, padronização de bioinsumos, tendências de mercado, proteção intelectual e novos ativos para biocontrole.

Para Amália Borsari, diretora da CropLife Brasil, a regulamentação precisa acompanhar os avanços científicos e estabelecer critérios de análise de risco adequados às diferentes espécies e cepas de microrganismos.

Entre os pontos considerados relevantes para o desenvolvimento do setor estão rastreabilidade, identidade, qualidade, segurança e transparência, além da possibilidade de ampliar a presença de bioinsumos brasileiros em mercados internacionais.

A XXII Relare é promovida pela Embrapa, em parceria com a Anpii Bio e a CropLife Brasil, com apoio do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia MicroAgro e da Fundação Araucária.

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