Mercado Agrícola - 18.ago.2026

Exportações seguem fortes; milho mantém suporte

18.08.2026 | 16:17 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

O mercado agrícola brasileiro mantém exportações fortes em agosto, mas apresenta sinais distintos entre as principais culturas. A soja começa a perder parte do impulso recente em Chicago e nos portos brasileiros. O milho mantém suporte nas posições futuras. O sorgo ganha espaço diante da queda da produção dos Estados Unidos. Trigo, arroz e feijão também mostram perspectivas de valorização, segundo avaliação de mercado reunida no material analisado.

Situação da soja

Na soja, Chicago trabalhou acima de US$ 12 por bushel nos últimos dias. Contratos para meados de 2027 ficaram próximos de US$ 12,50 por bushel. A piora das lavouras norte-americanas sustentou as cotações, mas o efeito do mercado climático tende a perder força com o avanço da cultura para enchimento de grãos e maturação.

Nos Estados Unidos, 96% das lavouras de soja chegaram ao florescimento, ante média histórica de 94%. A formação de vagens alcançou 85%, ante média de 80%. A parcela classificada entre boa e excelente caiu de 62% para 61% em uma semana. No mesmo período do ano passado, o índice alcançava 68%. Chuvas intensas no Meio-Oeste provocaram inundações e encharcamento em áreas importantes. O cenário coloca dúvida sobre a projeção de 123 milhões de toneladas indicada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, embora o mercado já tenha incorporado parte desse risco.

No Brasil, os preços nos portos alcançaram entre R$ 153 e R$ 157 por saca nas posições disponíveis até novembro. A comercialização da safra atual chegou a cerca de 78%, ante 80% no ano passado e também 80% na média. O produtor ainda mantém aproximadamente 39,7 milhões de toneladas sem negociação. Um ano antes, esse volume alcançava 34,3 milhões de toneladas.

A safra nova registra 34% de comercialização, ante 36% no ano passado e média de 37%. O volume negociado soma 63,2 milhões de toneladas. As exportações permanecem firmes. Nas duas primeiras semanas de agosto, os embarques de soja chegaram a aproximadamente 4,7 milhões de toneladas. No acumulado do ano, alcançaram 87,7 milhões de toneladas, ante 82 milhões de toneladas no mesmo intervalo de 2025.

O farelo acumulou 17,3 milhões de toneladas embarcadas, frente a 14,9 milhões de toneladas no ano anterior. O óleo de soja chegou a aproximadamente 1,8 milhão de toneladas, ante 1,2 milhão de toneladas. O conjunto formado por soja, farelo e óleo somou cerca de 106,8 milhões de toneladas, frente a 98,1 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado.

Situação do milho

No milho, os contratos para 2027 conseguiram superar US$ 5 por bushel. A posição julho de 2027 chegou a passar de US$ 5,15 por bushel. No curto prazo, o mercado encontrou suporte próximo de US$ 4,50 por bushel, com tentativas de operar acima de US$ 4,60 por bushel a partir de setembro.

A safra norte-americana de milho alcançou 97% de florescimento, em linha com a média. A formação de espigas chegou a 76%, frente a média de 70%. O enchimento de grãos atingiu 29%, ante 24% na média. A maturação chegou a 4%, contra 3% na referência histórica. A condição boa ou excelente recuou de 61% para 60%. No ano passado, o índice alcançava 71%.

No Brasil, a colheita da segunda safra de milho aproximou-se de 90%. Mato Grosso praticamente concluiu os trabalhos. Mato Grosso do Sul e Goiás chegaram à faixa de 85%, enquanto o Paraná atingiu aproximadamente 80%. O volume colhido já supera 100 milhões de toneladas. O plantio da safra de verão começou no Sul e deve avançar para o Sudeste.

Situação do sorgo

O sorgo apresenta um dos movimentos mais relevantes entre os grãos. Nos Estados Unidos, apenas 28% das lavouras receberam classificação boa ou excelente. Uma semana antes, o índice alcançava 35%. No ano passado, chegava a 63%. A projeção norte-americana aponta produção de 7,5 milhões de toneladas, após 11,1 milhões de toneladas na temporada anterior.

Ao mesmo tempo, a colheita brasileira de sorgo aproxima-se de 90%. A produção nacional já passa da faixa de 7,5 milhões a 8 milhões de toneladas, conforme os dados apresentados no material. Esse cenário amplia o espaço do Brasil no mercado internacional e abre perspectiva para novos embarques pelos portos.

Situação do trigo

No trigo, os contratos de Chicago mantiveram suporte acima de US$ 6,50 por bushel, com negócios recentes entre US$ 6,60 e US$ 6,80 por bushel no vencimento setembro. As posições de 2027 permaneceram próximas de US$ 7 por bushel. Nos Estados Unidos, 96% do trigo de inverno já passou pela colheita, ante média de 94%. No trigo de primavera, o avanço chegou a 41%, frente a 34% na média. A condição boa ou excelente ficou em 52%.

No mercado brasileiro, os moinhos retomam compras de forma gradual. No Rio Grande do Sul, as indicações ficaram próximas de R$ 69,70 por saca. No Paraná, variaram de R$ 72 a R$ 75 por saca. A área plantada alcança cerca de 2 milhões de hectares, contra 2,5 milhões de hectares no ano passado. A avaliação apresentada no material aponta necessidade próxima de 7 milhões de toneladas de importações.

Situação do arroz e feijão

Arroz e feijão também apresentam reação. No Rio Grande do Sul, o arroz recebeu indicações entre R$ 73,74 e R$ 82 por saca. Nos estados centrais, os valores variaram de R$ 95 a R$ 105 por saca. No varejo, pacotes de cinco quilogramas apareceram entre R$ 17 e R$ 36.

No feijão-carioca nobre, após recuo para a faixa de R$ 240 a R$ 250 por saca, as novas referências passaram para R$ 260 a R$ 300. O carioca comercial, antes próximo de R$ 220 a R$ 230, passou a receber indicações entre R$ 240 e R$ 270. O movimento acompanha a redução do pico da colheita e a maior retenção de produto pelos agricultores. A oferta tende a diminuir a partir de setembro, segundo a avaliação apresentada na fonte.

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