Mercado Agrícola - 28.ago.2026

Soja reage em Chicago e melhora ambiente para grãos

28.08.2026 | 07:47 (UTC -3)
Vlamir Brandalizze - @brandalizzeconsulting

O mercado internacional de grãos registrou valorização, com avanço das cotações de soja, milho e trigo. Compras chinesas de soja dos Estados Unidos, perda de qualidade das lavouras norte-americanas e restrições na oferta de trigo deram suporte aos preços. No Brasil, o movimento externo reforçou as cotações nos portos. Arroz e feijão também apresentaram recuperação no mercado interno.

Situação da soja

Na soja, o mercado acompanha a evolução da safra dos Estados Unidos. O último relatório citado aponta 60% das lavouras em condição boa ou excelente. Na semana anterior, o índice alcançava 61%. No mesmo período do ano passado, chegava a 69%.

O desenvolvimento das lavouras norte-americanas também mostra avanço. A maior parte das áreas já entrou na fase de formação de vagens. A maturação alcança perto de 9%, ante média histórica de 6% para o período.

As compras chinesas deram suporte adicional às cotações. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos confirmou aquisição superior a 333 mil toneladas de soja norte-americana pela China. A menor oferta mundial de trigo também contribuiu para o movimento de alta da oleaginosa.

Chicago registrou posições acima de US$ 12,50. O contrato de julho de 2027 aproximou-se de US$ 13. No mercado brasileiro, os preços nos portos ficaram entre R$ 156 e R$ 162.

A comercialização da safra disponível alcança 80%. No ano passado, o índice chegava a 82%, mesmo nível da média mencionada. Os produtores ainda mantêm 36,1 milhões de toneladas sem negociação. Um ano antes, o volume somava 30,9 milhões de toneladas.

A safra nova também avançou nas vendas. A comercialização caminha para 36,5% até o fim de agosto. No ano passado, alcançava 38%. A média chega a 39%. O volume já negociado soma cerca de 67,9 milhões de toneladas, ante 68,6 milhões de toneladas no ciclo anterior.

O plantio brasileiro deve começar em poucas semanas. As projeções citadas apontam crescimento da área na temporada 2026/27. A soja pode superar 50 milhões de hectares no País.

Situação do milho

O milho também ganhou suporte com a piora nas condições das lavouras dos Estados Unidos. O relatório citado aponta 57% das áreas em condição boa ou excelente. O desenvolvimento da cultura segue avançado em algumas fases. A maturação aproxima-se de 10%, enquanto o enchimento de grãos supera 55%. A formação de espigas passa de 90%.

A estimativa mencionada para a produção norte-americana alcança 389,7 milhões de toneladas. O número fica abaixo dos 406,8 milhões de toneladas apontados pelo USDA em agosto e dos 432,3 milhões de toneladas colhidos no ano anterior.

Há indicações de redução superior a 10 milhões de toneladas na Europa. A combinação entre Estados Unidos e Europa pode representar perda próxima de 50 milhões de toneladas.

Chicago passou a operar acima de US$ 5 nas posições citadas. O contrato de julho de 2027 aproximou-se de US$ 5,60. Nos portos brasileiros, as referências ficaram entre R$ 72 e R$ 76. Na B3, quase todas as posições mencionadas superaram R$ 80. Março de 2027 alcançou perto de R$ 83.

Situação do trigo

O trigo registrou forte valorização no mercado internacional. Problemas na oferta do Leste Europeu e dificuldades nos embarques pelo Mar Negro reduziram a disponibilidade. A Rússia também passou a controlar a saída de trigo, segundo as informações apresentadas.

As cotações em Chicago avançaram de cerca de US$ 7,30 para níveis próximos de US$ 8. O movimento colocou o cereal nos maiores patamares mencionados dos últimos três anos.

O cenário externo pode elevar o custo das importações brasileiras. No mercado interno, o Rio Grande do Sul trabalha com referências entre R$ 1.330 e R$ 1.340 por tonelada. No Paraná, os valores variam de R$ 1.440 a R$ 1.450 por tonelada.

Situação do arroz

O mercado de arroz mantém preços firmes no Rio Grande do Sul. Produtores aproveitaram a recuperação para realizar vendas e formar caixa. As referências variam de R$ 75 a R$ 76 nos níveis mais baixos do arroz comercial. Lotes de maior qualidade alcançam de R$ 82 a R$ 83, com relatos de negócios a R$ 85 na faixa litorânea gaúcha.

Projeções para o plantio no Rio Grande do Sul apontam redução de área entre 5% e 15%. Tocantins e Mato Grosso também registram oferta limitada. O varejo busca reposição diante da expectativa de maior demanda em setembro.

Situação do feijão

O mercado de feijão também apresenta valorização, mesmo durante a colheita da terceira safra em áreas irrigadas dos estados centrais. O feijão-carioca de melhor qualidade ganhou força diante da expectativa de menor oferta em setembro.

As primeiras colheitas da primeira safra devem ocorrer na primeira quinzena de outubro. Os primeiros volumes tendem a vir do sudoeste e do norte de São Paulo e de áreas do Paraná.

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