Manejo integrado reduz uso de inseticidas no Paraná

Adoção do MIP, cultivares Bt e controle biológico diminui aplicações em até 50%

27.01.2026 | 09:13 (UTC -3)
Revista Cultivar
Foto: Gyorgy Csoka, Hungary Forest Research Institute
Foto: Gyorgy Csoka, Hungary Forest Research Institute

Dados consolidados de lavouras comerciais no Paraná mostram redução média de 52,8% no número de aplicações de inseticidas ao longo de onze safras. Um dos responsáveis é o manejo integrado de pragas (MIP). O sistema combina monitoramento de pragas, níveis de ação econômicos, cultivares Bt, controle biológico e uso racional de inseticidas seletivos. As conclusões constam em trabalho realizado por pesquisadores brasileiros, norte-americanos e chineses.

O manejo integrado de pragas organiza o controle de pragas com base em diagnóstico. O método exige identificação correta das espécies, amostragem sistemática e tomada de decisão a partir de níveis de ação econômicos. A aplicação de inseticidas ocorre apenas quando a população da praga atinge patamar capaz de causar dano econômico. A planta tolera níveis controlados de injúria sem comprometer a produtividade.

No Paraná, o MIP da soja constitui um dos programas mais consistentes do país. A iniciativa envolve cooperação entre instituições federais e estaduais, com destaque para a Embrapa Soja e o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná. Áreas demonstrativas recebem monitoramento semanal durante todo o ciclo da cultura. Técnicos quantificam insetos por metro e estimam desfolha. As pulverizações seguem estritamente os níveis de ação recomendados.

Resultados acumulados

Os resultados acumulados mostram queda expressiva no número de aplicações. Produtores que adotaram MIP reduziram os custos de controle em média 51,6%. Esse valor equivale a 117 quilos de soja por hectare. A produtividade média aumentou 2,8%, com ganho adicional de 93,8 quilos por hectare. O lucro final cresceu em média 210,7 quilos de soja por hectare.

Outro efeito relevante envolve o momento da primeira aplicação. Nas áreas em que adotado o MIP, o intervalo entre a semeadura e a pulverização inicial aumentou cerca de 37%. Esse atraso favorece a conservação de predadores e parasitoides. Esses organismos exercem papel central na regulação natural das populações de pragas.

O uso de cultivares Bt reforça os resultados do MIP. No Brasil, a adoção dessas variedades alcançou 94% da área cultivada na safra 2023/24. A tecnologia expressa proteínas de Bacillus thuringiensis com alta eficiência contra lepidópteros. Dados do Paraná indicam que a adoção isolada de soja Bt já reduz pulverizações. Quando associada ao MIP, a redução intensifica-se. Em algumas safras, o número de aplicações caiu mais de 70% em comparação a áreas sem Bt e sem MIP.

A redução do uso de inseticidas não compromete a produtividade. Lavouras com soja Bt apresentaram rendimentos iguais ou superiores aos sistemas convencionais. Os custos de controle também diminuíram de forma consistente. Em áreas com Bt e MIP, os gastos com controle de pragas recuaram até 76% em determinadas safras.

Controle biológico

O controle biológico completa a estratégia. Predadores, parasitoides e entomopatógenos atuam de forma natural no agroecossistema da soja. A redução das pulverizações amplia sua eficiência. Estudos citam taxas elevadas de mortalidade natural em pragas-chave, como Helicoverpa armigera, logo após sua introdução no país. O mercado de bioinsumos cresce de forma acelerada e deve superar US$ 10 bilhões até 2027.

Adoção do manejo integrado

Apesar dos avanços, a adoção do manejo integrado de pragas ainda enfrenta barreiras. Parte dos produtores conhece o conceito, mas não o aplica. No Paraná, menos de um terço dos sojicultores que afirmam conhecer o manejo integrado efetivamente o utilizam. O receio de perdas produtivas e a demanda por mão de obra para o monitoramento explicam parte dessa resistência.

A pesquisa foi realizada por Adeney de F. Bueno, William W. Hoback, Yelitza C. Colmenarez, Ivair Valmorbida, Weidson P. Sutil, Lian-Sheng Zang e Renato J. Horikoshi.

Mais informações em doi.org/10.3390/plants15030366

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