Inmet: previsão para sexta-feira (29) e sábado (30)
Chuva retorna ao Centro-Sul e aumenta no litoral do Nordeste, enquanto Norte segue com altos acumulados
O mês de junho de 2026 deverá ser marcado por temperaturas acima da média em grande parte do Brasil e por um cenário de chuvas irregulares entre as regiões produtoras, segundo prognóstico divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A previsão aponta precipitações acima da média em áreas das regiões Norte, Nordeste e Sul, enquanto parte do Sudeste e do Centro-Oeste deve enfrentar volumes abaixo do normal.
As temperaturas devem permanecer acima da média histórica em praticamente todo o país, principalmente na faixa central do território nacional, com desvios que podem chegar a 1,5°C em áreas do Centro-Oeste, Sudeste e Sul.
Na Região Norte, os maiores acumulados de chuva são esperados para o Pará, Amapá e áreas do Amazonas e Roraima. O cenário tende a favorecer a manutenção da umidade do solo e beneficiar lavouras de milho segunda safra ainda em enchimento de grãos. Por outro lado, o excesso de umidade pode aumentar a pressão de doenças fúngicas, elevar a umidade dos grãos e dificultar as operações de colheita.
Em áreas do norte de Roraima, a combinação entre chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas pode aumentar a evapotranspiração e prejudicar lavouras recém-implantadas de soja e milho, principalmente em solos com menor retenção de água.
No Nordeste, a previsão indica chuvas dentro ou acima da média em parte da região, especialmente no norte do Maranhão, Piauí e faixa litorânea entre Rio Grande do Norte e Alagoas. O cenário favorece o desenvolvimento do milho segunda safra e o avanço da semeadura do feijão e do milho terceira safra na região do Sealba.
Além disso, a manutenção da umidade do solo tende a beneficiar a fruticultura irrigada, reduzindo custos operacionais. Já no Matopiba, as temperaturas mais altas associadas à redução gradual das chuvas podem pressionar lavouras tardias de milho safrinha em fase de enchimento de grãos e reduzir o potencial produtivo. As condições também podem comprometer o desenvolvimento das pastagens cultivadas.
No Centro-Oeste, a previsão preocupa produtores devido à combinação entre baixos acumulados de chuva e temperaturas elevadas. Segundo o Inmet, o cenário pode reduzir a umidade do solo e provocar déficit hídrico em áreas produtoras de milho segunda safra.
O risco é maior porque parte das lavouras foi semeada fora da janela ideal após as chuvas frequentes registradas em janeiro e fevereiro. Com isso, o milho ainda estará em período crítico de desenvolvimento durante junho em estados como Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Na pecuária, a tendência é de redução do vigor das pastagens, impactando a disponibilidade de alimento para os rebanhos.
No Sudeste, o clima mais quente também deve elevar a perda de água do solo e aumentar a evapotranspiração das culturas. O cenário pode afetar principalmente o milho segunda safra, cuja semeadura atrasou devido às condições climáticas no início do ano.
As lavouras de citros, em fase de desenvolvimento e enchimento de frutos, também podem sentir os efeitos do início do período seco combinado às temperaturas elevadas, com risco de redução no crescimento dos frutos. Já para as culturas de hortifrúti, as condições tendem a acelerar o desenvolvimento das plantas.
Na Região Sul, a previsão indica chuva acima da média principalmente no Rio Grande do Sul. A maior disponibilidade hídrica tende a favorecer o desenvolvimento das culturas de inverno, como trigo e aveia. No entanto, o excesso de chuva e a maior nebulosidade podem dificultar práticas de manejo em áreas de arroz irrigado, especialmente na metade sul gaúcha.
No Paraná, principalmente na região norte do estado, o Inmet alerta para preocupação com lavouras de milho semeadas mais tardiamente, já que o período crítico da cultura coincide com os meses de maio e junho. Em Santa Catarina, a previsão aponta chuvas dentro ou abaixo da média em parte do estado.
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