Gestão da água fortalece polos irrigados no Brasil

Estrutura coletiva amplia produção sustentável e gera impacto econômico nas regiões agrícolas

13.05.2026 | 10:21 (UTC -3)
Nelson Moreira, edição Revista Cultivar

A expansão dos polos de agricultura irrigada tem fortalecido a organização do uso da água e impulsionado o desenvolvimento econômico em diferentes regiões do Brasil. Atualmente, o país conta com cerca de 16 polos reconhecidos pelo Governo Federal, modelo que vem sendo apontado como estratégico para ampliar a produção sustentável de alimentos.

Estruturados dentro da lógica de gestão das bacias hidrográficas, os polos reúnem produtores, pesquisadores, técnicos, órgãos públicos e representantes da sociedade para planejar o uso da irrigação conforme as características hídricas e produtivas de cada território.

Segundo o professor titular sênior da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e conselheiro da Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem, Everardo Mantovani, a irrigação depende de planejamento e governança. “A irrigação não se desenvolve no improviso. Ela cresce onde existe organização do uso da água”, afirma.

De acordo com ele, os polos contribuem para o crescimento regional ao estimular investimentos em infraestrutura, logística, armazenagem e tecnologia. “Onde a irrigação se organiza, a região cresce junto”, destaca.

Levantamento realizado pela Abimaq em parceria com a Esalq/USP em quatro polos irrigados identificou impactos econômicos e sociais relevantes. Em algumas regiões analisadas, o PIB per capita chegou a ser até 256% maior em comparação com outros municípios rurais. O estudo também apontou maior circulação econômica e menor dependência de programas de transferência de renda.

Atualmente, os polos estão presentes em áreas estratégicas da agricultura irrigada brasileira, como Oeste da Bahia, Petrolina/Juazeiro, Alto Paranapanema, Alto Teles Pires, Ibiapaba (CE), Camaquã (RS) e Planalto Central de Goiás.

Criado em 2019, o Polo de Irrigação do Planalto Central de Goiás reúne atualmente sete municípios: Cristalina, Luziânia, Silvânia, Vianópolis, Ipameri, Campo Alegre de Goiás e Catalão. A iniciativa busca organizar a gestão hídrica em uma das regiões com maior presença de agricultura irrigada no país.

O Brasil possui hoje cerca de 10 milhões de hectares irrigados, mas o potencial técnico estimado chega a 60 milhões de hectares. Especialistas do setor avaliam que o avanço da irrigação dependerá cada vez mais de planejamento, monitoramento e uso eficiente da água.

Dados indicam que aproximadamente 45% dos pivôs centrais do país estão na Bacia do Rio Paraná e quase 30% na Bacia do São Francisco, regiões onde a gestão dos recursos hídricos é considerada mais consolidada.

Para Mantovani, a irrigação moderna está diretamente ligada à eficiência hídrica. “Existe um entendimento cada vez maior de que irrigação não significa desperdício. Pelo contrário: a irrigação moderna depende de planejamento, monitoramento e uso eficiente da água”, conclui.

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